Na dúvida, conecte-se

“Na dúvida, conecte-se.” - Seth Godin.

Há mais disposição pra ajuda do que imaginamos.

Existem mais recursos do que podemos enxergar.

As pessoas são mais generosas do que competitivas.

Intenções só começam a pegar fogo quando a gente confia nos outros e compartilha.

Abre mesmo. Sem medo. Sem superstição. Sem desconfiança.

Não importa qual seja nossa necessidade, nossa dor, nosso desafio, para todas as situações, precisamos nos conectar.

Nos conectar é pedir ajuda, abrir portas, restaurar relações.

É ajudar alguém, entregar valor incondicionalmente, cultivar laços.

Conectar é confiar, se jogar na rede, acreditar que somos mais inteligentes quando trocamos do que quando criamos escassez artificialmente.

Os problemas que realmente precisamos resolver são urgentes. Vivemos em um mundo que tem intolerância, opressão, solidão, aquecimento global, depressão e fome.

A gente não pode mais querer resolver isoladamente, presos em nossas bolhas. Precisamos de mistura, inclusão, polinização cruzada, bagunça criativa.

Por isso, vamos nos conectar. Nos abrir, tomar cafés, perguntar genuinamente sobre o outro, ir para além do nosso bairro, da nossa cidade, dos nossos canais favoritos no Youtube.

As dores que vem das nossas diferenças desafiam nossa capacidade de tolerar. Mas não tem jeito, a gente tem que conseguir incluir, fazer junto, fazer diferente, fazer complementar.

Estamos todos nesse mesmo “pequeno ponto pálido azul”, na mesma casa.

Conexão gera confiança, essa energia que nos falta para voltar a ter esperança e energia.

Criação é uma questão de morte

Há uns anos atrás, estava numa palestra sobre criatividade. Me perdoe o palestrante, esqueci seu nome. Mas sua mensagem ficou forte pra mim. "Criação é uma questão de morte". Parecia paradoxal. Não é. Hoje, faz todo o sentido.

Para algo nascer, alguma coisa precisa ir. É assim que a vida funciona. O solo fértil é aquele com matéria orgânica decomposta, feito de fins de vida.

Quando estamos vivendo a situação, o trabalho, o projeto, é improvável olhar pro lado, enxergar diferente, crer em alternativas. Mas é quando a empreitada chega ao fim que novos sonhos ganham contorno.

Se estamos vivendo momentos difíceis, achamos que é melhor ter um emprego ruim, um trabalho qualquer, do que não ter nada. Talvez seja verdade, em muitos casos. Mas tem aqueles em que não dá pra visualizar nada que dê esperança enquanto a gente ainda está preso no que não nos alimenta.

É difícil começar algo novo mantendo velhos hábitos. É pesado começar um projeto paralelo quando nossas cabeças já estão saturadas. Somos muito bons em nos apegar e evitar o fim das coisas. Quando os fins são mal conduzidos, fica mesmo uma dor, um desconforto, uma ponta solta.

Por isso, finalizar, deixar ir, desapegar, abandonar, deixar quieto são habilidades valiosas.

Quanto mais conseguimos soltar ideias, projetos e compromissos que não nos engajamos, mais liberamos espaço e energia para a criação de algo significativo.

Meus tempos de publicidade me ensinaram esse processo de forma dolorida. Quanto mais conseguia gerar ideias, maiores eram as chances de fazer um bom trabalho. Mas, para isso, era preciso desapegar. Matar meu orgulho, silenciar o ego e seguir em frente. A próxima ideia era sempre a melhor. Quanto mais estivesse lidando bem com essas mortes metafóricas, melhor me daria com o nascimento do novo.

Se você se interessou pela arte de abandonar, tenho três indicações.

As mulheres da Contente.vc fizeram um projeto lindo sobre "como matar um projeto”. Está cheio de olhares ricos.

Tem um livrinho ótimo sobre a hora de desistir, do Seth Godin. Em inglês, The Dip. Em português, O melhor do mundo. Escrevi sobe ele aqui.

Este vídeo do Derek Sivers, que já passou por este blog e dá nome a minha não-agência digital, Hell Yeah.

Primeiro o que tem que ter. Depois, o que seria legal se tivesse.

Pra que nossos projetos, negócios, histórias, arte existam, o que eles tem que ter?

Aquelas pessoas? Essa solução? Um tipo específico de emoção? Um novo hábito? Um texto?

Seja lá o que for, é por aí que a gente começa.

O que é essencial, fundamental e indispensável deve vir antes de tudo.

Pra depois, fica o que seria legal se tivesse.

Uma foto bonita, um nome bacana, um site legal. Toda a perfumaria, os penduricalhos, os pequenos detalhes que fazem a diferença são, antes de tudo, detalhes.

Primeiro o grosso. Depois vem o ajuste fino.

Separar o “must have” do “nice to have” direciona o trabalho que deve ser feito.

Se não tiver grana pra pagar o aluguel, não terá parede para pendurar o cartaz.

Se não tiver um jeito das pessoas nos encontrarem, não vai ter ninguém pra dar o play nos nossos vídeos explicativos.

Se ainda não conseguimos resolver o problema que nos propomos, nem entregamos o valor que prometemos, não precisamos nos preocupar com nada além disso.

Para cada nova ideia, tarefa, recurso, nos perguntamos: “se eu não fizer isso, meu projeto continua existindo?”

Se sim, deixemos pra depois. Se não, façamos.

É o que mantém nossa empreitada viva que merece nossa energia. Agora.

Ajustes de coerência

Vocês viram Okja, o filme da Netflix sobre porcos gigantes de laboratório que critica a indústria da carne?

Tem um personagem coadjuvante, que passa quase despercebido. É um dos ativistas, aquele que desmaia por falta de comida. Ele se recusa a sustentar a indústria de agrotóxicos e, por isso, passa fome e tem problemas de saúde.

Por falar nisso, não como carne. Tenho meus motivos. Mas ainda compro ração pra nossa cadelinha. Ração feita com vísceras, carne, provavelmente, das piores. Sou um financiador da indústria que não me serve, que não acredito. Estou buscando alimentação natural pro dog, mas ainda não é uma realidade na minha rotina.

Em casa, já lavamos as roupas com sabão de côco e vinagre. Compostamos o que conseguimos. Não usamos guardanapos descartáveis, nem sacolinhas plásticas. Mas ainda tem vezes que é mais fácil, rápido e cômodo usar OMO, comer um congelado que gera lixo, pedir um delivery cheio de embalagens.

Coerência total é uma ilusão.

Esses dias conheci o trabalho de Gilles Lipovetsky, Da Leveza é o livro. Resumindo grosseiramente, estamos caminhando para uma sociedade que valoriza cada vez mais o que é leve. É o celular, a nuvem, o nomadismo digital, o yoga, a alimentação saudável, etc. Mas essa busca obsessiva por leveza pode, paradoxalmente, se tornar um peso enorme em nossas vidas.

Nem sempre o que fazemos, vivemos, ou trabalhamos consegue ser plenamente coerente com nossa visão de mundo, nossos valores e expectativas.

A busca por coerência no meu dia a dia, no trato com as pessoas, nas minhas escolhas profissionais e de consumo é, muitas vezes, um caminho desgastante.

Isso traz um sentimento ruim. E também a possibilidade de evolução.

Por isso, tenho pensado sobre ajustes de coerência. Ajustes são refinamentos, melhorias simples. E não pesadas e distantes soluções perfeitas.

Se não é possível eliminar todo o lixo agora, como podemos diminuir? Se seus serviços aumentam a desigualdade social, como poderiam ser um pouco mais acessíveis? Se teu trabalho não é dos sonhos, como é possível cultivar pequenos sonhos nele? Se não dá pra alimentar a indústria de agrotóxicos, como podemos escolher, de vez em quando, alimentos orgânicos?

Que pequenos, leves e baratos ajustes podemos fazer para que nossa contribuição não seja um fardo? Como a mudança que queremos ver se encaixe pouco a pouco na nossa rotina?

O que fazemos para cultivar amor em nossas vidas?

O ideal romântico prega que amor é essa coisa mágica, espontânea e imprevisível, que geralmente acontece ente um casal.

Estamos mergulhados nessa cultura, alimentados por novelas, Hollywood, família, padrão social.

Mas amor não é só o sentimento que une pombinhos.

Estive lendo Roman Krznaric, e ele me convenceu, tudo isso é coisa nova nessa tal de humanidade.

Se a gente parar pra olhar, sem medo de sentimentalismo, amor é um conceito que guarda muitos significados.

Entender um pouquinho sobre as diferentes faces do sentimento que "arde sem se ver" pode nos conectar, nos impulsionar, nos realizar, para além do amor romântico - que é delicioso, também.

Na Grécia Antiga, existiam pelo menos seis palavras para descrever o que, hoje, encaixotamos em uma só, "amor”.

A grosso modo, em “Sobre a arte de viver: Lições da história para uma vida melhor” pesquei:

Eros - paixão, desejo sexual, tem a ver com relacionamentos amorosos românticos.

Philia - algo como amizade, cumplicidade desapaixonada.

Ludus - aquela proximidade brincalhona entre crianças ou amantes.

Pragma - amor maduro, com profunda compreensão entre casais de muitos anos.

Agape - amor altruísta, incondicional, a todos os seres e sem exclusividade.

Philautia - amor próprio, talvez algo como auto estima.

Pra qualquer situação, dizemos “com amor, Fulano”, “eu te amo”, “que amor!”, “o amor da minha vida”, “faça o que você ama”, “amei!”. A mesma palavra, diferentes contextos e significados.

Quando muita ideia usa uma palavra só, não podia dar outra coisa que não fosse expectativa e confusão.

Depositar em uma pessoa só, em um trabalho só, em uma projeção de si, em um único desejo toda nossa necessidade de amor torna improvável nossa sensação de realização.

Porque precisamos de eros, mas também de philia, ludus, pragma, agape e philautia. Não dá pra escolher entre um ou outro.

Quanto do nosso tempo e energia dedicamos a cada um dos tipos de amores? Como podemos, intencionalmente, cultivar e criar espaços em nossas vidas para vivermos com amor(es)?

Essas são perguntas que deixo pra gente sentir, processar, experimentar. Porque sinto que esta é uma jornada pra viver a vida toda.


PS.: Me desculpe pelo atraso neste post. Tive uns contra-tempos familiares (movido pela philia), mas já está tudo bem. Com amor, Larusso.

A arte de deixar de reclamar

Sou um reclamador. Um crítico. Tudo que me incomoda vira reclamação. E isso é péssimo - veja eu reclamando outra vez.

Reclamar não é efetivo. Me faz perder tempo, energia e, principalmente, conexão. Com o outro e comigo mesmo. Quando critico, não estou em mim. Reclamar frustra.

Mas sinto que há duas coisas que podem ser feitas quanto aos incômodos: agir e resolver o problema, ou calar-se e aceitar.

Apenas duas posturas são realmente valiosas. Reclamar não vale a pena.

Se há algo a ser feito, faço. Porque quando faço, estou me colocando positivamente na Terra. O problema é resolvido, a responsabilidade é assumida.

Se é uma questão do outro, não é problema meu. Se é algo que posso ajudar, ótimo. Se é algo que não posso ajudar, talvez possa pedir ajuda.

Se não há algo a ser feito, me calo. Porque quando me calo, deixo ir, aceito o mundo imperfeito, mutável, vivo. O problema deixa de ser um problema.

Tristeza é vida

Gosto de ler Leo Babauta de vez em quando. É um cara que escreve sobre hábitos zen.

Hoje, descobri que ele trabalha com “Uncopyright”, abriu mão de direitos autorais do seu trabalho.

Ele surfa lindamente no espírito da internet.

Mas este texto não é sobre isso.

Comecei a traduzir um artigo dele que curti, mas não concordo 100%.

Então, fiz minha versão abaixo, uma prática liberada pelo autor. Se preferir o original, está aqui.

Tristeza é vida

A vida muda. E, por isso, às vezes, estamos na merda.

Alguns exemplos de situações difíceis:

  • Você perdeu um ente querido
  • Você recebeu péssimas notícias
  • Você está sem grana e sem nenhuma perspectiva
  • Você está sofrendo no trabalho
  • Você está com problemas sérios de relacionamento
  • Você está doente ou realmente cansado
  • Alguém machucou você emocionalmente

São momentos terríveis, é normal estar mal. Você pode se perguntar por que a vida é tão difícil. Pode se sentir sem saída.

Controle total sobre a vida é uma ilusão. Nem sempre podemos fazer algo por essas situações. Mas sempre é possível perceber que estamos vivos, nos transformando e tudo vai continuar mudando.

Permita-se viver momentos de infelicidade. Quando nos sentimos mal, sentindo dor, tudo o que queremos é fugir da situação. Ignorá-la, fingir que estamos bem, nos consolar, atacar algo ou alguém, nos entupir com drogas, nos distrair. Esta é uma resposta muito humana. Mas, na verdade, fugir da infelicidade não melhora a situação. Geralmente, apenas prolongamos a dor, dificultamos os problemas. Em vez disso, permita-se sentir-se infeliz, é ok sentir dor. É real, é possível, é humano. Faça uma pausa e permita-se perceber a infelicidade, observá-la. Veja que é isso aí, e mantenha a curiosidade, explore, fique intimista com a situação. Não é agradável, mas não mata. Na verdade, é onde a cura começa, onde o crescimento brota.

Veja a dor como vida. Agora que você está cara a cara com a dor, tocando e ficando intimo com ela, veja que, na verdade, isso é estar vivo. A vida não é só euforia e evasão (pelo menos, não exclusivamente), não é só alegria. Estar vivo significa sentir dor, sentir medo, sentir-se desconectado às vezes. Permita-se sentir e imaginar que isso é o que a vida parece. Sim, você poderia dizer: "Isso é uma merda", ou poderia dizer: "Que experiência interessante, estar viva." É como bungie jumping: cheio de medo, emoção, choque e alegria. Viver é uma experiência extraordinária. Você está tendo um momento desses agora.

Encontre gratidão em algum lugar. Sendo plenamente vivo, estando totalmente imerso nesta experiência deste momento, o que há para agradecer? Mesmo coisas pequenas, como a visão de folhas fora tremendo no vento ou alguém rindo nas proximidades. Ou coisas que damos por certo, como a visão e a música. Tendo relações. Sendo apoiado por milhões de pessoas invisíveis que garantem a sua existência agora. O sabor de um morango ou o cheiro de comida caseira. Sua respiração. Você pode encontrar gratidão por qualquer uma dessas coisas, a qualquer momento, inclusive agora. O que te faz ser grata agora?

Encontre alegria em estar vivo. Você está vivo! Isso é extraordinário. Mesmo em nossos piores momentos, podemos encontrar alguma alegria neste fato nada pequeno, estamos vivos. Seu coração está bombeando. Quão maravilhoso é isso?

Sim, eu sei. É difícil. Não estou dizendo que fazer isso fará magicamente tudo melhor. Mas sempre é possível ver vida em cada momento, se ousamos olhar.

Não é pra todo mundo. E tudo bem.

Não adianta querer agradar a todos. Então, melhor fazer suas paradas e ir com elas mesmo.

Muito provavelmente, o seu trabalho - do jeito que é, agora - tem muito valor.

Talvez não seja valioso para todo mundo, pros 7 bilhões que estão na Terra, nem pros 2 bilhões que estão no Facebook, tampouco pros 200 milhões que estão no Brasil.

Mas isso não significa que ele, o seu trabalho significativo, sua ideia genial, sua arte que importa, o conhecimento que você já tem, não sejam importantes pra alguém. Ou, ainda melhor, para alguns.

A verdadeira missão não é fazer um trabalho que agrade todo mundo. É encontrar aqueles que - neste momento - curtem o seu trabalho mais especial.

Tem muita gente no mundo. E nada é pra todos. Coca-Cola não é pra todo mundo. Eu, por exemplo, não tomo. Nem Jesus que - pelo que contam - era um cara muito gente boa, agradou. 

Vamos considerar então que existe uma régua de sete bilhões de unidades. Vai de um até sete bi. O um é aquela pessoa que detesta seu trabalho e o sete bilhões é aquela que ama com todas as suas forças.

Foque no final dessa régua. Esqueça todo o resto. São as pessoas que se beneficiariam do teu trabalho que o merecem. E elas já são o suficiente.

Pode ser que não seja agora. Outro dia recebi uma mensagem muito legal dizendo basicamente: "Há pouco tempo atrás teus textos seriam inúteis pra mim. Mas hoje são muito importantes. Eu mudei e as pessoas mudam. Por isso, não pare.”

Não pare. E não espere que todo mundo aprove seu trabalho. Os poucos - ou muitos - que o curtem agora já são suficientes.

Compartilhe suas intenções

Elas terão mais chances de se tornarem realidade.

Não acredito em mau-agouro, olho gordo, nem temo a cópia.

Quanto mais compartilhamos nossas ideias, desejos e intenções, mais as coisas acontecem.

Não é um papo tipo “O Segredo”.

Quando a gente conta nossas ideias pras pessoas, elas se tornam mais claras.

A cada vez que explicamos nossos projetos, mais consistentes eles ficam.

As pessoas nos ajudam a escolher as melhores palavras para contarmos nossas histórias. Suas perguntas, expressões e sentimentos nos conduzem para um processo de melhoria continua.

As chances de ser beneficiado, ao compartilhar sua ideia, são muito maiores do que as chances de ser prejudicado.

O mundo é muito mais generoso do que invejoso. Quanto mais compartilhamos nossas intenções, mais as pessoas nos retro-alimentam com referências preciosas, conexões importantes e, principalmente, mais pessoas quem podem nos ajudar.

Assim, ficamos mais perto de nos tornarmos fazedores, além de compartilhadores.

Conte sobre sua busca, vá a eventos, marque cafés e Skypes, compartilhe no facebook.

É esse movimento que abre portas, aumenta o campo de possibilidades e gera energia para o próximo passo.

Três caminhos para o trabalho criativo

Trabalho criativo tem três caminhos. Inspiração, punição ou tranco.

A gente pode acreditar em inspiração, em talento, em hora certa e esperar. Pode ser que aconteça, mas é raro como cometa. Quando vem, não tem outro jeito, tem que aproveitar, pegar e fazer. Porque não se sabe quando a inspiração virá de novo. 

Punição é o que acontece quando não tem mais jeito. Você tem que fazer, ou vai se ferrar. É o tipo de trabalho que mais causa ansiedade, que gera os piores resultados, mas que, ainda, funciona. É a motivação pelo medo. Vai vir demissão, não vai ter dinheiro pra pagar o aluguel, vai ser vexatório, vai dar merda. Então, você vai lá e faz.

O terceiro caminho é o tranco. É o que acontece quando a gente cria o contexto, faz a cama para a inspiração se deitar. É aquele momento em que a gente se enche de referências, conteúdos, puxa pela memória, relê anotações, tenta criar novas conexões. Esse é o trabalho de quem aprendeu como funciona seu próprio processo.

Tranco é o jeito pelo qual os profissionais trabalham. Profissionais não podem confiar no milagre da inspiração, porque precisam criar todos os dias. Profissionais não viveriam bem com medo de punição, apesar de muitos sobreviverem assim. Quem depende de sua criação precisa de um caminho, um método, ainda que turvo, bagunçado e imprevisível.

O pior jeito de realizar um trabalho é tentando se livrar dele. O melhor jeito é entendendo o processo, curtindo o desenrolar, mais do que o resultado. Por isso, o tranco é o caminho de quem presta atenção no seu próprio funcionamento.

É essencial entender como a gente trabalha melhor. Pode ser quando a gente mergulha na coisa, se suja de letras, de tinta, de ideias novas. Pode ser de manhã, com o frescor da energia matinal. Pode ser na calada da noite, com a cabeça fervilhando os aprendizados do dia. Pode ser sozinho, pode ser em grupo. Pode ser de mil jeitos, o importante é aprender com o próprio processo.

Nossa mente criativa não é como um robozinho que liga e executa o quê e quando a gente quer. Podemos aprender a aquecer os motores, dar as voltas que precisamos dar e ir direto ao ponto quando percebemos que a criação está vindo. Tranco é improvisado, às vezes duro, mas funciona.

É só um teste

A vida fica mais leve quando a gente encara tudo como experiência.

Um novo projeto, uma nova profissão, uma decisão diferente. Nada disso precisa ser como tatuagem, nada tem que começar definitivo, fixo. Calma, é só um teste. Tudo pode começar de forma experimental e melhorar depois.

Pra entrar nesse modo, temos que aceitar que nossas tentativas podem funcionar, podem dar errado. E isso não é ruim. Ambas as possibilidades nos levam para um bom caminho: vamos aprender, melhorar e experimentar de novo.

Olhar o mundo pela ótica da experimentação é muito mais tranquilo e produtivo do que se pressionar pelo resultado, pelo acerto, pelo perfeito.

Quanto mais exigimos um começo perfeito, menos nos dispomos a experimentar. Quanto menos experimentamos, menos aprendemos. Quanto menos aprendemos, mais difícil fica chegar ao nível de maestria que a perfeição exige. Ou seja, demandar perfeição não nos leva a um estado de perfeição.

Grandes mudanças doem, são difíceis de aceitar, há um custo para nos adaptarmos, exigem energia extra. Por isso, é difícil começar. É difícil aprender. É difícil tomar iniciativa e mudar as coisas.

Mas pequenas mudanças são possíveis, reais, mais fáceis de tragar e ótimas para nos sentirmos mais prontos pra darmos um passo um pouco maior.

Por isso, pra todas as novas ideias e projetos me pergunto: como isso poderia ser testado?

Será que as pessoas vão gostar? Será que eu sou bom nisso? Será que dá dinheiro? Adoraria ser... (preencha aqui com o que você quiser). Adoraria montar um… (preencha aqui com um negócio qualquer).

Sempre é possível testar. Da forma mais rápida, simples, barata e enxuta possível. Sempre é possível fatiar um grande sonho em pequenos pedacinhos realizáveis.

Isso não significa que o sonho grande estará morto. Pelo contrário. Ele começa a ganhar vida quando os primeiros testes acontecem.

Antes de fazer do Caminho de Santiago, que tal uma trilha perto de casa?

Antes de criar uma nova escola, por que não testar seus princípios com uma aula, por um dia?

O sonho daquele restaurante está de pé. Mas, antes, que tal fazer um jantar especial na sua casa?

Sua nova profissão poderia começar com um curso curto? Poderia começar sendo testada com amigos e parentes?

Viajar o mundo é desejo de muita gente. Mas quantos se dispõem a ter um olhar de viajante na própria cidade?

Alguns jeitos que tenho experimentado essa coisa de experimentar:

Grupos no facebook. São rápidos e fáceis de criar. Ótimos para conectar pessoas com interesses comuns, trocar ideias e coisas. São uma solução maravilhosa e definitiva? Não. Mas são ótimos testes.

Eventos. Eles começam, acontecem e acabam. O que é ótimo para prototipar, testar a aceitação de uma ideia, perceber como você se sente fazendo. Quase tudo pode ser experimentado com um pequeno evento.

Contar pras pessoas. É um jeito de começar. A gente amplia as ideias, escuta contra-pontos, sai da inércia mental das nossas cabeças. Compartilhar as ideias nos leva para outros passos, ainda melhores.

Tentar implementar uma nova rotina. Quero escrever um livro. Mas, por hora, não deu. Enquanto isso, texto com blog. Mil aprendizados, conexões e algum material pra começar.

Somos incapazes de realizar grandes feitos se não formos capazes de realizar pequenos feitos.

Por isso, vamos relaxar. Tudo é só um teste.

O que você acha?

"Viva para satisfazer os outros e todos vão te amar. Exceto você mesmo." - Traduzi do Paulo Coelho. O que você acha dele?

Semana passada fiz um experimento. Não pensei muito antes de fazer, mas fui lá e fiz. Perguntei no meu Facebook “Amigos, vocês acham que eu faço o quê (profissionalmente)?”

Se tivesse pensado um pouco mais, não teria feito. Se não tivesse feito, não teria vivido sentimentos tão estranhos. Nem teria aprendido nada novo. Então, foi bom fazer.

Mas, ainda assim, pensando novamente, nasce uma pontinha de arrependimento. Ainda mais que outras pessoas replicaram a mesma pergunta em suas timelines. Como você pode ler, sentimentos confusos dançam do lado de cá.

De início, estava curioso pra saber a percepção dos meus amigos de Facebook sobre as diferentes atividades que tenho feito profissionalmente, nos últimos anos.

Achei que iam responder objetivamente: design, sites, cursos, livros, consultorias, coisas mais explícitas desse tipo. Talvez, algumas novas palavras poderiam me ajudar a explicar pra outros o que tenho feito.

Vieram as mais diferentes respostas, engraçadinhas, carinhosas, agradecidas, piadistas, misteriosas, indiferentes. Sou grato a todas. Li as opiniões sobre o que faço, que se confundem sobre mim, li opiniões sobre a dita e tola pergunta.

Nessa garoa de likes, holofote e confetes, me peguei - mais uma vez, nesta vida - me sentindo mal por ser vangloriado, definido, limitado e julgado pelo outro. Sim, eu pedi. Dei a cara a tapa e tomei.

Perguntar o que o outro acha deve esconder minha necessidade de validação. E, por mais que eu a observe e tente evitar, ela ainda está comigo. Em alguns momentos mais, em outros menos.

Darwin certamente explica nossa necessidade incansável de sermos bem vistos, aceitos, acolhidos. Poucas coisas nos satisfazem tanto quanto ser validado pelo outro.

Mal me dou conta. Mas sigo com o péssimo hábito de tentar agradar, parecer o que não sou e me enquadrar em um modelo de cara que imagino que exista. Uma projeção da pessoa que eu quero ser.

Enquanto penso nela, a projeção, deixo de estar em mim. Deixo de me escutar, ouvir meu corpo, minha intuição, deixo de ser o que estou, agora.

Há poucas semanas atrás, fiz uma breve participação no Gab Gomes Show for Sure sobre “O que as pessoas vão pensar?”.

A ideia que compartilhei é que ninguém está pensando tanto em você quanto você mesmo. Então, relaxa e faz o que você acredita que deve ser feito, sem se importar com os julgamentos. Cuide bem da sua vida, ela já é uma questão boa o suficiente. O que os outros pensam não pode nos paralisar. Porque é fazendo, vivendo, experimentando, que a gente aprende, melhora e, quem sabe, se torna uma pessoa mais consciente.

Ainda acredito que essa busca por validação pode nos cegar, nos bloquear e nos machucar. Porque nos coloca numa posição muito frágil, em que nosso bem estar, nossa paz e felicidade estão nas mãos da regurgitada ou analisada opinião alheia.

Considerando que são sete bilhões de pessoas, percepções diferentes, mudanças contínuas e eternas em mim, em você, e em todo mundo, a constatação é óbvia: é impossível agradar a todos e é inútil viver pela validação externa.

Feio, bonito, correto, errado, rude, carinhoso, ingênuo, perspicaz, burro, sagaz, confiável, medroso, corajoso, incoerente. Talvez seja tudo isso e, ao mesmo tempo, nada disso. Não há nada fixo, nem permanente. Estamos todos em um eterno processo de mutação e evolução. Vai passar.

Não alimentar o próprio julgamento é uma prática que liberta. Da mesma forma, não se apegar ao julgamento alheio pode ser um caminho de aceitação e autocompaixão.

O que você acha? O que eu acho? Todos os achismos não vão evitar que a vida seja vivida.

E agora, com vocês, dois videos que achei. E achei maravilhosos.

Vim aqui pra me lembrar de quem eu sou

Quando morei em Porto Alegre, era frequentador assíduo de um espaço colaborativo, a Casa Liberdade.

Em uma das paredes, tinha um cartaz: “Vim aqui pra me lembrar de quem eu sou”.

A Casa Liberdade era um espaço que me ajudava a ser um pouco melhor.

Que lugares nos fazem nos lembrar de quem somos? Que situações, pessoas e atividades nos colocam em um estado mais integral?

Esses lugares estão mais perto do seu trabalho ou do seu fim de semana?

Para nos lembrar de quem somos, não precisamos de:

Exibições arbitrárias de poder.

Metas que não são verdadeiramente nossas.

Decisões unilaterais.

Aprovações alheias.

Um cargo, um nome ou uma limitação que nos define.

Atividades que não tem sentido em si.

Para nos lembrar de quem somos, precisamos:

Nos sentir escutados e aceitos.

Perceber que nossa contribuição faz diferença.

Nos permitir ter um sonho grande.

Nos orgulhar de vez em quando.

De aprendizado relevante.

De segurança para viver e evoluir.
 

Quando você morrer, sua caixa de entrada ainda estará cheia.

James Victore me presenteou com essa. "Quando você morrer, sua caixa de entrada ainda estará cheia.”

Está cheia agora. Estava ontem e estará amanhã. Mesmo quando eu zerar, vão vir novos emails, mais louça pra lavar e trabalhos pra entregar.

Esta é nossa condição. Precisamos conviver com as tarefas a serem feitas, elas não vão se acabar. Aliás, precisamos viver bem, com tempo, qualidade, boa companhia, consciência e paz. Ainda que com uma “to-do list” gigantesca.

História um. James foi convidado por sua esposa pra sair. Ainda que estivesse ocupado e cheio de coisas pra fazer. Ela sabia que ele estaria sempre ocupado. Sempre. Sua cabeça explodiu. Primeiro, veio o ego: “meu deus, tenho muita coisa pra fazer, o estúdio, o workshop, o livro, etc”. Mas, quando ele morrer, a caixa de entrada ainda estará cheia. Ainda terá coisas pra fazer, o estúdio ainda precisará ser limpo. Não podemos deixar nossos trabalhos arruinarem nossas vidas. 

História dois. Quando eu trabalhava numa agência de publicidade, estava num job “urgente" que era pra segunda, trabalhando num domingo. Meus colegas de trabalho receberam visitas dos filhos e esposas. Assim como os presidiários em dia de visita. Eles não passaram o domingo em família. Mas suas famílias tiveram que ir visitá-los.

História três. Uma grande executiva não toma água porque não pode interromper seu trabalho tão importante pra ir ao banheiro. Estive pensando, qualquer ser vivo com sede prefere tomar água do que fazer outra coisa. Muito esperta essa executiva, não?

Gente, precisamos sair. Precisamos nos conectar. Precisamos nos cuidar. Precisamos dedicar tempo e investir energia nas pessoas e nas coisas que a gente realmente quer fazer.

Porque não vai ter depois. Não vai ter tempo livre depois da caixa de entrada vazia pra fazer o que realmente importa.

Não vai ter lápide “Fulano de tal. Respondeu 230 mil emails”. As memórias que vão ficar são do quão gentil fomos, do legado que deixamos, da arte que entregamos.

Temos forte tendência a nos apegar às armadilhas da mente. Às projeções de um futuro, a ideia de que é preciso sofrer para construir as coisas, às comparações com os outros.

Se nossos trabalhos não nos ajudam a viver os dias que queremos viver agora, tem algo pra ser olhado com muito cuidado.

Se o custo de fazer o que fazemos significa prejudicar nossa saúde, dormirmos pior, comermos pior, nos relacionarmos com as pessoas de um jeito menos atencioso, com menos presença, este custo realmente vale a pena?

Talvez o maior significado que nossos trabalhos podem ter é nos ajudar a vivermos bem, sem prejudicar a vida dos outros seres. Agora. Não depois de zerarmos os emails.

Quando você morrer, sua caixa de entrada ainda estará cheia.

Em qual projeto me envolvo?

Em qual projeto me envolvo? Este ou aquele? Qual é a melhor ideia? Qual é mais promissora? O que priorizar?

Não sei. Só sei que um dia chegou esta frase a mim: “Você pode fazer qualquer coisa. Mas não pode fazer tudo.”

Não tem jeito, tem horas em que a gente tem que escolher. Pegar um caminho e ir. Os outros ficam na gaveta, pra quando der. Ou ganham nosso tempo livre.

Você devia fazer engenharia, devia arranjar um bom emprego, devia fazer um concurso público. Isso, se quisesse seguir um caminho com respostas certas e previsíveis. Porém, se você está me lendo, provavelmente está em busca de caminhos alternativos.

Quando estamos falando de caminhos não dados, existem muitos. Infinitos. Várias ideias, oportunidades, possibilidades. Umas que dão dinheiro, outras que dão satisfação, algumas que dão aprendizados, outras que dão um pouco de cada. Esta é a vida não-linear, exponencial, em rede.

Vamos celebrar. Se nos mantivermos conectados, oportunidades não vão faltar. O sentimento de perda que surge quando escolhemos uma ideia, em detrimento de outra, só faz sentido quando temos escassez de possibilidades. Em um mundo abundante, relaxa, as outras portas estarão lá, mesmo que você escolha uma, desta vez.

Quando fazemos nosso próprio caminho, as respostas não são tão óbvias. O grande desafio da vida em busca de autonomia é escolher o próximo passo por si. Não há caminho pronto. Mas, talvez, existam alguns questionamentos pra se fazer.

Entre as coisas que você quer fazer, qual delas mais entrega valor pro mundo? Qual delas mais te faz receber valor do mundo?

Qual das possibilidades faz você viver os dias que você quer viver?

Você realmente quer fazer seu projeto, ou apenas quer que ele exista no mundo?

Esta é uma briga que você quer se envolver?

Esta jornada vai fazer você se conectar com pessoas que você gostaria de ter por perto?

E, a melhor, este caminho tem um coração?

"Antes de embarcar em qualquer jornada, faça a pergunta: Este caminho tem um coração? Se a resposta é não, você saberá, e então você deve escolher outro caminho. O problema é que ninguém faz a pergunta; e quando uma pessoa finalmente se dá conta de que tomou um caminho sem um coração, o caminho está a ponto de aniquilá-lo. Nesse momento, muito poucas pessoas conseguem parar para deliberar, e abandonar aquele caminho. Um caminho sem um coração nunca é agradável. Você precisa dar duro só para aceitá-lo. Por outro lado, um caminho com um coração é fácil; ele não exige que você se esforce para gostar dele." - Carlos Castaneda.

Fatiou, passou

Entediado. Sem saber por onde começar. Cheio de coisas pra fazer. Pra todas as situações, fatiou, passou.

Aquela conexão que você sempre quis fazer. O projeto que está só no mundo das ideias. O negócio que você deseja empreender, mas não sabe por onde começar. Fatiou, passou.

Hoje é um dia que escrevo. Enquanto fico pensando na pauta, vem mil pensamentos, dúvidas e angústias. Vou adiando e a tensão vai aumentando. Mas só depois que abro meu editor de textos que a coisa muda. A ação começa e o texto vai nascendo a partir do fazer. Publicar é o objetivo. Mas, antes, é preciso ligar o computador, abrir o bloco de notas e soltar as primeiras palavras. Fatiei, passou.

Gab Gomes fala de um gatilho. Uma ação que desperta toda a cadeia de outras ações que constituem uma grande tarefa. Você quer correr, mas a preguiça fala mais alto. Se você ligar a TV, vai zapear a programação. Mas, se você pôr o tênis, vai correr. Dificilmente esse dia vai ficar sem corrida. O simples gesto de pôr o tênis nos leva adiante. Fatiou, passou.

Abre o email, escreve, envia. Cada ação é importante sim. Não é só mandar um email. As micro-ações quando realizadas dão ânimo e energia pra próxima. Depois do email estar aberto, não tem jeito, a próxima coisa é escrever. Você pode, sempre, desistir. Mas depois de estar no meio do caminho, é muito mais improvável isso acontecer. Qual é o caminho? Tente quebrar em pequenos pedacinhos. Fatiou, passou.

Antes de começar, a gente cria antecipação de problemas, traz os medos do que pode vir a acontecer. Em geral, analisamos, alisamos as ideias e paralisamos. Por outro lado, enquanto estamos realizando uma tarefa, a ação mais importante é a ação do momento. Cada tarefinha executada constitui uma grande entrega. Fatiou, passou.

Quão mais fatiado for um projeto, mais claras são as tarefas a serem realizadas. E quanto mais claras, fáceis e óbvias, mais difícil é a gente não fazer. Pega uma tarefa complexa e divide em ações que não demorariam mais do que cinco minutos para serem realizadas. Escreve no papel mesmo. Fatia e passa.

Escrever um livro é difícil. Mas sentar na cadeira é fácil. Ligar o computador também. Escrever sobre uma ideia. E depois outra. Primeiro do jeito mais simples. Depois, melhorar um pouco. Tudo isso é possível e real quando estamos descrevendo em detalhes tarefas realizáveis em cinco minutos. Mas quando pensamos na homérica tarefa “escrever um livro” fica realmente mais complicado. Por isso, fatie. Fatie e passe pra próxima.

O que você precisa fazer para fazer o que você quer fazer?

O que você pode fazer que cria mais valor?

O que você pode fazer que entrega mais valor?

O que você pode fazer que te faria receber mais valor?

Para cada uma dessas respostas, como você pode fatiar as ações em pedacinhos muito simples?

Comece criando e entregando valor

Se queremos construir algo que importa, empreender um negócio, tirar um projeto do papel, fazer arte, precisamos criar valor.

Antes de tudo, criar e entregar valor.

Talvez você nem precise pesquisar, talvez não tenha que planejar.

Mas, pra coisa realmente acontecer, tem que entregar valor.

É a entrega de valor que transforma o que é desejo, devaneio, ou ideia, em realidade, conexão e evolução.

Valor é aquilo que emerge quando alguém tem um problema e você resolve.

Valor é aquilo que outra pessoa - e não (somente) você - reconhece como valioso.

Valor é o produto da nossa entrega, da nossa energia, do nosso trabalho, quando ele alcança outro ser.

Pra quem pensa em fazer uma escola, valor é ensinar alguém. Pra quem compra um curso, valor é aprender.

Pra quem quer trabalhar com pessoas, valor é ajudar alguém. Pra quem compra uma consultoria, valor é se sentir mais seguro.

Pra quem gosta de cozinhar, valor é alimentar alguém. Pra quem vai a um restaurante, valor é comer.

Valor é inspirar, é cuidar, resolver, informar, divertir, é fazer acontecer pelo outro.

E, se você mandar bem, valor é aprender profundamente, é se sentir seguro e com clareza, é comer bem.

Por isso, se você está começando, tente começar entregando seu valor.

Resolve o problema de alguém.

Põe pra fora algo que vá para além da sua cabeça, do seu caderno, das suas leituras.

Porque é a entrega de valor que torna possível o recebimento de valor.

E é neste ciclo, de entrega e recebimento de valor, que a mágica acontece.
 

Conexão Imagina: Empreendedorismo Criativo

Essa semana fui convidado pelas mulheres incríveis do coletivo Imagina para um papo online sobre empreendedorismo criativo.

Mas eu acho que a gente foi além, por uma hora conversamos e filosofamos sobre autonomia, os desafios de começar e se manter, o futuro que imaginamos e outras coisas mais.

Poderia pedir desculpas pelo som ruim, pela minha falta de noção no vídeo, mas iria contra minhas próprias convicções. Melhor feito que perfeito. É fazendo, experimentando e se jogando que a gente aprende e melhora.

 Agradeço a Lari pela ótima condução do papo e agradeço a você que puder assistir e comentar, compartilhar, sugerir.

Como encontrar seu propósito

O texto de hoje é arriscado.

Estamos vivendo tempos de busca por mais significado no trabalho, na vida. “Faço o que você ama”, “seja você mesmo”, essas coisas que eu realmente vejo como privilégios.

Se antigamente ser bem pago e conquistar reconhecimento social bastava, hoje parece que falta algo a mais para nos satisfazermos profissionalmente.

Mas, o quê?

O texto de hoje é arriscado porque corro o risco de reforçar a perigosa ideia de que todo mundo tem Um Propósito e que, se você ainda não encontrou o seu, está ficando pra trás.

O texto de hoje é arriscado porque corro o risco de reforçar a perigosa ideia de que precisamos encontrar "o santo graal da pós-modernidade” para, aí sim, viver uma vida que valha a pena.

O texto de hoje é arriscado porque corro o risco de reforçar a perigosa ideia de que realmente existe algo mágico e revelador a ser encontrado.

O texto de hoje é arriscado porque corro o risco de simplificar uma questão muito complexa.

Ainda assim, sigo em frente. Por que não tratar com leveza essas coisas complicadas da vida e começar com o que temos, não é mesmo?

Não acredito que estamos numa corrida, não acredito que encontrar um propósito seja um pré-requisito pra qualquer coisa, não acredito que temos um único propósito - às vezes questiono se temos algum.

Entendo essa busca por propósito, principalmente no trabalho, como um caminho, uma tentativa de clarear uma visão de mundo, uma construção em curso por toda a vida toda.

No meio do caminho, a gente vai encontrando pistas. Algumas falsas. Mas, ainda assim, valiosas.

Propósito, pra mim, não é uma frase, nem uma ideia fechada.

É uma intenção em permanente construção.

Talvez seja muito difícil cravar “seu propósito” apenas com palavras.

Ainda assim, essa busca faz da nossa jornada, no mínimo, uma história interessante.

Mas e então? Como nós podemos, mais do que encontrar, buscar esse tal de propósito, essa tal motivação, essência, ikigai, razão, essa história pra contar?

Deixo aqui algumas ideias iniciais. Se quiser completar, sinta-se à vontade.

Experimente coisas diferentes

Se você, como eu, não sabe muitas vezes por onde começar, experimente. Teste, se envolva com pessoas, projetos e ideias improváveis. É visitando outros mundos que abrimos nossas cabeças e criamos novos caminhos.

Se pergunte “por quê?”

Por que você faz o que você faz? Por que você acorda todos os dias? Por que isso, ou aquilo, te toca? Por quê? Por quê? Por quê?

Forje seu propósito

Adoro essa ideia. Nós podemos criar significado em torno das coisas que vivemos, percebemos, descobrimos. A gente é que cria a moral da história que queremos contar.

Comece sem se sentir pronto

E se você já estiver pronto pra fazer suas coisas, sem se dar conta? Comece sem saber qual é o propósito. É no caminho que a gente vai (se) descobrindo.

Investigue sua história

Quais eram seus sonhos quando criança? Quais foram os pontos altos e baixos da sua vida? Quem são as pessoas que você admira e que te influenciaram? Quais são os pontos que se conectam, quando você olha pra trás? Quais são os valores que te guiaram?

Escolha uma briga pra enfrentar

Que causa, problema, “inimigo” te move? Qual é a briga que, pra você, vale a pena se envolver?

Imagine um mundo ideal

Talvez construí-lo seja seu propósito.

Conecte-se, entregue valor

Dê ao mundo o que você faz de melhor, com generosidade e regularidade. O que será que o mundo vai te devolver?

Busque auto-conhecimento

Ainda acredito que essa jornada é sobre a gente mesmo. O que a gente faz, nossas profissões, nossas dúvidas, tudo é uma investigação sobre quem somos. Meditação, busca por espiritualidade, empreendedorismo, arte podem ser caminhos pra você.

Um grupo para tirar seu projeto do papel

Se você é leitora fiel deste blog, já deve estar cansada de ler sobre o livro 333 Páginas para tirar seu projeto do papel.

Se não, clica no link anterior pra conhecer o livro cheio de páginas em branco - e preto - que ajuda seus leitores a criarem o que quiserem.

Já foram umas seiscentas ou setecentas cópias vendidas. Fico imaginando quantos sonhos, festas, blogs, startups, movimentos, foodtrucks, artes e autódromos podemos ter ajudado a nascer.

Fico só imaginando mesmo, porque apesar de vários feedbacks e muitas fotos no com a hashtag #333paginas, não tenho ideia do que realmente saiu do papel.

Por isso, gostaria de oferecer uma loucurinha aqui. Talvez me arrependa depois. Mas a gente resolve se isso se tornar um problema. Quero acompanhar mais de perto como vocês estão usando o livro. Quero ver coisas incríveis ganhando o mundo.

A ideia é criar um grupo de pessoas que, juntas, terão um compromisso de tirar seus respectivos projetos do papel. Uma comunidade de apoio pra quem quer compartilhar e acompanhar o uso do livro. Pra começar, serão vinte pessoas, pelo Whatsapp. Não espero correntes e piadinhas sem graça nesse grupo, mas a troca, fotos e avanços para que cada um dê vida aos seus sonhos.

Se você já tem o livro e gostaria de participar dessa parada, me manda um email com a foto de pelo menos uma página do seu livro preenchida: larusso@larusso.com.br. Os dez primeiros entram na brincadeira.

Se você ainda não tem o livro, dá pra adquirir aqui. Os dez primeiros compradores que desejarem participar estão nessa também. Será um prazer ir aos Correios por vocês. Mas, melhor do que isso, será ver você presenteando o mundo com a sua contribuição única.

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