A era da confiança, da atenção, do cuidado

Estamos vivendo o fim do networking. Ainda bem.

A gente ainda pode acreditar que fazer contatos, Linkedin e redes sociais são o caminho para o “sucesso profissional”, seja lá o que isso signifique.

Mas tudo isso é muito pouco em um mundo de abundantes e infinitas conexões.

Todo mundo está potencialmente conectado.

Então, já é mais que hora de descer um ponto de profundidade.

Cartões de visita significam tão pouco.

Branding não é suficiente.

Anúncio é quase nada.

Estamos todos cada vez mais sensíveis.

Há verdade ou uma aumentadinha?

Me apoia ou me chantageia?

É só por dinheiro ou serve ao mundo?

Estamos vivendo a era da confiança, da atenção, do cuidado.

Só há confiança quando há entrega, autenticidade e coerência.

Só há atenção quando há relevância, sentido, valor.

Só há cuidado quando há escuta, relação, empatia.

Dez dias de silêncio - Minha experiência num curso de Meditação Vipassana

Dez dias podem passar voando. Mas esses meus foram longos como um mês inteiro.

Ouvi falar de Vipassana há uns quatro anos, quando um amigo foi pra um curso de meditação, dez dias de silêncio. Me pareceu loucura, algo para fazer, por mim, quando tivesse coragem.

Os benefícios da meditação bateram à minha porta frequentemente nos últimos tempos. Mindfulness, atenção plena, felicidade genuína, presença. Tudo muito bonito, mas distante. Até que me bateu. Outro amigo comentou que ia rolar a oportunidade. Me inscrevi sem pensar muito, fiquei na lista de espera, aconteceram desistências e eu fui.

Em dez dias sem falar, sem ler, sem escrever, sem qualquer contato com o mundo externo, ouvindo apenas alguns cânticos, instruções de meditação e palestras do professor Goenka, é possível pensar muito e em muita coisa. Mesmo que o objetivo principal fosse observar as sensações do corpo e deixar os pensamentos irem embora naturalmente.

Sem interrupções, distrações, estímulos, as ideias ficam largas e profundas. Nunca tinha me dado uma oportunidade tão rica quanto essa para me escutar, me observar e me sentir conectado.

Milhões de pensamentos me vieram e se foram. Lembranças da escola, a escalação do Palmeiras de 99, pessoas com quem me relacionei, brigas em que me envolvi, desejos profissionais, o passado da minha família, pessoas que morreram, o futuro da humanidade, a primeira coisa que vou fazer quando sair daqui. Tudo veio e, em algum momento, foi embora.

Ficar em silêncio não foi um problema pra mim. Gosto da quietude, da paz que me traz, da chance de prestar atenção nas coisas que não costumo observar. Entre elas, eu mesmo. Devo ter sentido vontade de conversar depois de uma semana. Mesmo que o grande medo das pessoas costume ser ficar sem falar, na minha experiência, essa foi a parte fácil.

Eram 110 homens ali, cada um movido por motivações mil, todos desenvolvendo, pouco a pouco, um sentido de comunidade e cumplicidade. Fomos orientados a não nos comunicar. Nem por olhares, nem gestos. Mas do quarto dia em diante senti que, de alguma forma, a gente estava junto nessa, estavamos unidos pelo Nobre Silêncio.

Esse texto não pode explicar a experiência. Mas, provavelmente, se você um dia viver a experiência, quem sabe esse texto fará mais sentido.

Por que Vipassana é sobre ver as coisas como elas realmente são. Com seus próprios olhos, sua própria vivência. Não há possibilidade alguma de viver pelo relato de outrem, cada experiência é absolutamente única e efêmera. Como na vida. A gente tem que caminhar o caminho com nossos pés. Não adianta alguém contar como o caminho é pra gente chegar em um lugar.

Tanto que pelo menos um terço dos meditadores estava lá pela segunda, terceira ou décima vez, fazendo o mesmo curso e vivendo coisas completamente diferentes. Em vários momentos, pensei “nunca mais eu volto aqui”, mas hoje, com a sabedoria que a distância dá, eu certamente voltarei a fazer silêncio por dez dias.

Senti, pela primeira vez, que meditei de verdade, profundamente. Já havia praticado algumas várias vezes na vida, sob orientação, com técnica de respiração, respirando naturalmente, com música, em silêncio, depois da Yoga, e até num curso de dois dias que fiz na Tailândia. Mas nada disso se compara à intensidade de aprendizados que tive nesse curso de meditação Vipassana.

É importante dizer que este foi um curso, tem uma técnica e, se você for, aprende ela. Não tem caráter religioso. Frisam que cristãos, muçulmanos, hindus, judeus, budistas, ateus, todos são bem-vindos e não precisam abandonar suas crenças.

Esta edição foi realizada num espaço católico alugado, todas as imagens de Jesus Cristo, crucifixos e a Santa Ceia do refeitório foram cobertos ou temporariamente retirados. Nenhuma distração, nenhuma imagem, nenhuma divindade.

A rotina era exigente. Meditações na sala de meditação, algumas podem ser no quarto, das 4:30 às 21:00. Em geral, sessões de uma hora ou uma hora e meia que totalizam dez por dia. Se você seguir à risca, serão 100 horas de meditação.

No começo da tarde, recebemos novas instruções. Gradualmente, a técnica é aprofundada. Começamos observando apenas a respiração natural, o ar que, assim como entra, sai. Terminamos observando as sensações mais sutis, por todo o corpo, e compartilhando liberdade com todos os seres.

Três refeições, café da manhã às 6:30, almoço às 11:00 e duas frutas às 17:00. Pros alunos antigos, que já completaram o curso pelo menos uma vez, depois do almoço, só limonada. Meditar de barriga cheia é mais difícil. Em alguns momentos, senti cada movimento do intestino e o samba que a bile tocava depois do rango.

Pela noite, a palestra do professor Goenka. O curso de Vipassana foi a experiência de Ensino à Distância mais rica que já tive. Todo ele é dado por gravações integrais de um curso ministrado pelo professor de Mianmar. Consta que a antiga Birmânia preservou a forma original de Vipassana através dos milênios. Depois da sua voz em inglês com sotaque indiano, a tradução em português com sotaque carioca. Histórias da Índia, ensinamentos de Buda, o Dhamma, tudo muito didático.

Goenka começou a ensinar a técnica em 1969. Era um empresário cheio de dores de cabeça, literalmente, e foi ensinado por Sayagyi U Ba Khin a observar muito mais do que isso. No site, você pode ler que “Satya Narayan Goenka respirou pela última vez em setembro de 2013, com 89 anos.” Suas gravações continuam relevantes e atemporais. Agora, traduzidas em dezenas de línguas permitem que todo curso tenha exatamente o mesmo conteúdo em qualquer lugar do mundo.

A interface humana que representa o conhecimento foi dada por dois professores. No meu caso, era um casal que se sentava de frente pra turma e davam o play na gravação. Meditavam por horas como todos os estudantes. Só que, naturalmente, mais equânimes, digamos.

Nos intervalos após o almoço, era possível agendar uma breve conversa com um dos professores. Para tirar dúvidas sobre a técnica ou botar uma inquietude pra fora. No fim do dia, uma pequena fila se formava na sala de meditação para uma discreta pergunta em público, com resposta baixinha, mas que pode ser ouvida por quem estiver bem perto. Sou um cara comedido, perguntei uma vez só.

Tudo foi organizado, executado e cozido pelos voluntários. Homens e mulheres que já completaram o curso podem servir nas edições seguintes. Graças a eles, não precisamos falar nada, tudo já está previamente definido. Seu lugar de comer, meditar e dormir, seus pertences estão bem guardados e sua comida está pronta. Não deve ser nada fácil cozinhar pra 110 homens. Sou muito grato a eles.

Não teve valor de inscrição, nem atividades comerciais. Minha carteira ficou guardada todo esse tempo, inútil. Todos os cursos são realizados com as doações de alunos antigos. Depois de completar o curso, você está habilitado a doar. Isso faz os cursos Vipassana serem extremamente inclusivos e movidos pela generosidade de quem se beneficia pela técnica. Coerência.

Nos intervalos, não se tem muito o que fazer. Alguns alongam, sentam na grama, penduram toalhas no varal, sentam de novo, esperam. Tudo em silêncio. Um clima estranho de Big Brother misturado manicômio. Mas aparentemente todo mundo está muito consciente e tranquilo.

Para não ficar sem exercícios, inventei um circuito de caminhada pelo pátio. Durava dois minutos, contei por um dos três relógios de parede. Fazia dez, vinte voltas em círculo. Como andei.

Meditava, comia, pensava, ia ao banheiro, andava, tomava banho e dormia. Era isso. Era tudo isso.

O quarto era justo. Duas camas de solteiro, um banheiro com chuveiro a gás, piso de taco, janela pro mato. Não tive a chance de conversar com o cara que dormiu ao meu lado.

- Opa.
- Op.
- Se quiser, pode pôr sua toalha aqui.
- Capaz.

Deve ser gaúcho. Ele saiu, fomos pro refeitório onde recebemos instruções iniciais e o silêncio começou a valer logo em seguida.

Ao longo dos dias, descobri que seu nome era Matheus só porque estava escrito na fita crepe colada em seu copo.

O guri novo que sentava na minha diagonal na hora do almoço sempre comia de colher sua montanhazinha. No terceiro dia, não apareceu. Nem no quarto. E aí eu entendi.

Pensei em desistir algumas vezes. Mas em nenhuma me levei a sério. Meu ego falou mais alto. Ou mais baixo. Pra essas coisas, sou durão, persistente e até competitivo. Quando esse tipo de pensamento vinha, eu meditava.

O cara que sentava atrás de mim parecia um sábio mestre. Magro, discreto, estava sempre em posição de lótus, de olhos fechados, enquanto eu ainda ajeitava minhas duas humildes almofadas.

Quando acabava a sessão, era uma orquestra de suspiros, respirações mais profundas, alguns gemidos, estaladas, roupa roçando, nenhuma palavra. Meu vizinho de trás, imóvel, continuava meditando.

No oitavo dia, caminhava meu circuito de dois minutos depois do almoço. Ele estava no pátio carregando suas malas. Sentou como se estivesse esperando alguém. Completei mais uma volta, ele continuava lá. Cinco voltas, e nada. Acho que ele estava meditando. Talvez se certificando de que estava fazendo a coisa certa pra ele. Ou deixando os pensamentos sobre a notícia urgente do mundo externo que acabara de receber irem embora. Vai saber.

Ao longo dos dias, percebi que algumas marcações de lugares da sala de meditação recebiam etiquetas escritas à mão. Cada tipo de ausência era uma sigla. PRD, DNT, FGU. Vi uns dois que foram meditar encostados na parede. Outro ficou doente. Atrás de mim, um FGU de canetão azul, fugiu.

Sono, fome, solidão, impaciência, saudades, desejos, dores. Devem existir muitos motivos para desistir. Pra mim, o que mais pegou foram as dores. Joelhos, pernas, costas. Não havia alongamento que desse conta. Devia ter feito isso ao longo de anos e anos da vida.

Sentar por muitas horas como índio dói pra um ocidental. Prometi pra mim mesmo praticar mais exercícios e sentar mais no chão saindo dali. Mas de alguma forma, eu sabia que ia passar, que valeria a pena.

Vipassana não é sobre sofrimento, nem penitência. Mas desconfortos são comuns.

Vipassana não é sobre êxtase, nem relaxamento. Mas sensações prazerosas são comuns.

A premissa é que todas as sensações, as que despertam avidez ou aversão, não importa, têm uma única característica. A característica da impermanência. Assim como vieram, elas se vão. Por isso, nos mantemos equânimes e conscientes.

Matheus não era de acordar cedo. Eu também não sou. Nos cinco primeiros dias acordei com o badalo das 4 da manhã e antes das 4 e meia já estava meditando. No quinto dia, estava acabado. Mal consegui meditar pela manhã, sugado pelo sono. No sexto dia, ignorei o sino e só fui dar as caras no café da manhã, às 6:30. No sétimo, fui pra meditação da madrugada, aguentei por meia hora e voltei pra cama. Vocês não imaginam o esforço que é pra um notívago acordar na hora que poderia estar indo dormir.

Na maior parte desses dias, o Matheus ficou meditando - ou dormindo - no quarto. No sexto dia, entrei no quarto e ele arrumava as malas. Pensei que ia ficar com o quarto só pra mim.

Mas na tarde daquele dia ele estava lá, ocupando seu lugar ao lado de uma centena de homens silenciosos. Ele desistiu de desistir. Ou só estava arrumando as roupas.

Eu mesmo fiz isso umas duas vezes. Na contagem regressiva dos últimos quatro dias, empilhei uma cueca, uma camiseta e um par de meias pra cada data e os posicionei em fila milimetricamente.

Meu primeiro dia foi de descoberta. O segundo, muito difícil, “como vou aguentar ficar aqui mais oito?”. O terceiro, também. A técnica avançava a passos lentos pra minha ansiedade.

Inicialmente, observamos nossa própria respiração natural. Se fosse forte, era forte. Se fosse fraca, era fraca. Quando fosse pela narina direita, assim era. E também pela esquerda, às vezes por ambas. Assim como o ar entrava, saia. Era o que era.

Enquanto conseguia observar as sensações, calor, frio, o ar entrando, saindo, um leve pulsar, uma coceira, uma sutil vibração, estava tudo bem. Quando não conseguia, a mente vinha com ideias, sugestões, análises e críticas.

Mas no quarto dia foi como se tivesse tomado a pílula vermelha do Morpheus. Depois de afiar a mente observando cada sensação sutil em um ponto específico, abaixo das narinas, acima do lábio superior, fomos orientados pelo mestre Goenka a mover a atenção por cada parte do corpo. Apenas observando o que viesse, fosse o que fosse.

Do topo da cabeça a cada pedacinho da face, testa, nariz, maçãs do rosto, bochechas, boca, queixo. Atrás da cabeça, na nuca. Em cada um dos ombros, braços, antebraços, mãos e dedos. Pelo tronco e em cada parte dele, pela barriga. As costas, cada pedacinho da perna.

Neste momento, já estava consciente das sensações grosseiras, como o toque do tecido na pele, e de algumas sensações sutis, como um constante pulsar, uma vibração silenciosa em algumas partes do corpo.

Foi aí que a ficha caiu pelas palavras do mestre. Todas as sensações são efêmeras, inconstantes. Vêm e vão. De que adiantaria me apegar às prazerosas se elas vão embora? De que adiantaria sofrer pelas desgostosas se elas são tão passageiras? Seja qual for a sensação, essa é a lei da natureza. Impermanência. Mudança.

Através de Vipassana, pude experienciar pela moldura do corpo a constante vibração da vida - e também da morte. Por que tudo está, ao mesmo tempo, agora, se transformando, mudando, nascendo e desaparecendo. Não é fantástico?

Já tinha entendido esse conceito racionalmente. Escutei, li. Mas só depois de viver a experiência compreendi como observar conscientemente a impermanência me livra dos sofrimentos. Equanimidade.

Do quinto dia em diante, mais Vipassana, e o fluxo de sensações uniformes pelo corpo ganhou liberdade. Movi a atenção por partes e partes do corpo. Por fora e por dentro. Em alguns momentos, senti o pulsar do coração em outros locais, um intenso fluxo na testa, uma desintegração com o ambiente, uma dissolução do “eu”.

Tudo de forma serena, imóvel, desapegado, apenas observando, sem magia alguma.

No sétimo dia, estava empolgado. Voltei pro quarto depois de uma sessão, abri a porta com cuidado e me assustei. A cama do Matheus estava sem lençol. Suas malas tinham ido embora. Ele tinha fugido.

Entrei no banheiro úmido por conta do banho dele, recém tomado. No espelho, desenhado com o dedo sobre o vapor, uma palavra grifada: “Gratidão”.

Ri como nunca tinha feito no curso. Gargalhei. Ele me surpreendeu. Impermanência. Não conversamos nada, e por isso deixou seu voto silencioso. Eu que agradeço, Matheus.

Impermanência

Tudo, absolutamente tudo, está mudando agora.

A única certeza é a impermanência.

Esse emprego fixo, essa reputação, esse relacionamento, esse dedo, essa tela.

Tudo está se transformando e, em algum momento, cedo ou tarde, nada disso restará.

Porque esta é a natureza da vida. Enquanto há vida, há um borbulhar de mudança, uma explosão eterna de transformações, uma paulêra de átomos e elétrons se chocando a cada milissegundo.

Cada substância que hoje forma nosso corpo um dia já foi terra, árvore, rio, cachorro, besouro, micróbio e cocô. E todo esse corpitcho continuará morrendo para voltar a ser hiena, cobertor, chá e pipoca.

Por isso, todo problema, pequeno ou grande, essa segunda que está começando, essas tarefas, esses boletos, tudo vai embora, logo ou daqui a pouco. Assim como vieram, partirão. De algum jeito, tudo está se transformando.

Assim como todo pensamento, pequeno ou grande, essa certeza toda, essas dúvidas todas, essa insegurança, tudo vai embora, logo ou daqui a pouco. Assim como vieram, partirão. De algum jeito, tudo está se desfazendo.

Ao mesmo tempo, todo sucesso também, pequeno ou grande, árduo ou fácil, essas glórias, esse desejo, esse reconhecimento, tudo vai embora. Assim como vieram, partirão, logo ou daqui a pouco. De algum jeito, tudo é efêmero.

Por isso, amigos, não há por quê sofrermos.

Entendendo que tudo muda, aceitamos o que há e vivemos com o que se é, agora.

Micro-progressos e a magia de apenas começar

Estou num retiro de meditação Vipassana, sem internet. Este é um texto de Tim Herera, traduzido e pré-agendado. Volto semana que vem.

Nunca fui muito bom com prazos.

É uma falha da qual estou profundamente ciente e tento ativamente enfrentar. Mas, apesar dos meus melhores esforços, ela está sempre persistindo em segundo plano, como um pequeno e insaciável gremlin que devora minha produtividade. É definitivamente uma das minhas principais questões.

No entanto, entre os inúmeros artigos, livros e estratégias de lifehackings sobre produtividade que eu já li (ou escrevi!), o único "truque" que funcionou verdadeira e consistentemente é o mais simples e também o mais difícil de dominar: apenas começar.

Aqui entra o micro-progresso.

Perdoem o termo chamariz, mas a ideia é a seguinte: Para qualquer tarefa que você precise completar, divida-a nas mais pequenas unidades possíveis de progresso e ataque-as uma por vez.

Digamos que você é um editor e tem uma newsletter semanal para escrever. Ao invés de abordar essa tarefa como "Escreva a newsletter da segunda-feira", desmembre os primeiros passos que você precisa tomar e continue dividindo-os em minúsculos e facilmente alcançáveis micro-objetivos, então comemore cada realização. Passo 1: abra um Google Doc. Passo 2: nomeie o Google Doc. Passo 3: Escreva uma única frase. E assim por diante.

Esta é uma idéia que recebeu muitos nomes - a regra de 5 minutos, a regra de 2 minutos e a regra de 1 minuto, para citar alguns - mas essas técnicas levam só até uma tarefa. Minha expansão favorita deste conceito está neste post do James Clea.

Nele, ele usa as leis do movimento de Newton como analogias para a produtividade. Por exemplo, regra n. ° 1: "Os objetos em movimento tendem a permanecer em movimento. Encontre um caminho para começar em menos de dois minutos."

O que é tão impressionante sobre a aplicação desta lei de movimento à produtividade é que, uma vez que você incorpore esta mentalidade e passe a pensar desta forma - eu comecei a ser produtivo, então eu continuarei sendo produtivo - você alcança esses micro-objetivos e como consequência tem uma taxa de aumento exponencial de produtividade sem sequer perceber. (E antes que se dê conta, você terminou a newsletter.)

Não é apenas um termo de efeito o tão chamado lifehacking: estudos mostram que você pode enganar seu cérebro para aumentar os níveis de dopamina estabelecendo e alcançando, você adivinhou, micro metas.

Indo ainda mais longe, sucesso gera sucesso. Em um artigo de 2011 da Harvard Business Review, os pesquisadores relataram que  "progresso cotidiano e incremental pode aumentar o engajamento das pessoas no trabalho e sua felicidade ao longo do dia". Isso significa que, uma vez que você começa o PowerPoint que temia, mesmo que tudo o que você tenha feito seja lhe dar um nome, o micro-progresso pode continuar a se construir sobre si mesmo até você terminar o último slide.

Mas todo esse sucesso tem que começar em algum lugar.
Então feche este post agora e comece.

Estou indo para um retiro de meditação

Serão dez dias de prática e silêncio neste curso Vipassana de Meditação.

Eu poderia escrever aqui tudo que estou esperando. O que desejo, o que imagino e o que me fez ir em direção a esta experiência. Mas seria extremamente contraditório, já que a história toda é sobre viver o momento presente, respirar, ver as coisas como são e não alimentar projeções.

Poderia escrever que não estou criando expectativas. Mas seria mentira, já que essa é nossa condição, como seres pensantes. Ainda que esteja me sentindo tranquilo e evitando alimentar esse tipo de pensamento, estou aqui escrevendo sobre uma experiência que vou viver.

Poderia tentar puxar outro assunto. Mas não seria verdadeiro com você, nem comigo. Não há temática mais quente em mim agora.

Na semana que vem, teremos algum texto já escrito e agendado, já que serão dez dias sem escrever, sem ler, sem internet.

Na outra semana, talvez traga algo novo, já que terei retornado após dez dias de uma viagem dentro do universo que há em mim.

Seguimos, até lá.

Faz teu site, tua casa na internet

“Não pense no seu site como uma máquina de auto-promoção, pense nele como uma máquina de auto-invenção.” - Austin Kleon.

Tenho uma amiga que tirou sarro de mim quando comecei meu site pessoal.

Fazer isso era coisa de quem quer aparecer, se promover.

Era arrogante, sem sentido, porque site é coisa de empresa, cachorro grande.

Ter um email larusso@larusso.com.br, então, era coisa institucionalizada demais, sem humanidade.

Mas as coisas mudaram.

Pra mim, um site pessoal é como se fosse nossa casa na Internet.

Um lugar pra ser encontrado, para experimentar e me posicionar.

É um jeito das pessoas saberem o que está acontecendo, o que estou fazendo ou desejando fazer.

É, principalmente, um lugar livre pra minha linguagem, minha opinião, minhas tentativas de me expressar.

Sites são uma forma de contar história, criar reputação e, ao longo do tempo, proximidade, conexão e confiança.

Este é um lugar para além das plataformas, das mídias sociais.

O Orkut já foi a coisa mais legal da intenet e acabou. O ICQ, o MSN Messenger, o mIRC, o My Space, o Snapchat viraram história.

Chegará o fim do Facebook, do Instagram, do Medium, do Youtube e do Linkedin (que este acabe antes).

Mas a gente fica.

O nosso nome não vai mudar tão cedo.

E ninguém vai mexer nesse algoritmo sem a nossa autorização.

Ainda que a gente empreenda uma marca, tenha um emprego, ou se esconda atrás de uma instituição, um site pessoal é o ambiente para todas as histórias que aconteceram ou acontecerão.

Há nove anos registrei o domínio larusso.com.br.

No começo, o endereço te mandava pro meu portfólio como designer e publicitário.

Depois, foi um blog que registrou meu tempo de transição, entre a demissão e o primeiro empreendimento.

Foi quando empreendi Nós.vc, Estaleiro Liberdade, Unlock e outras coisas mais.

Parei de blogar e o site virou um portfolio dos projetos que toquei.

Há três anos, tirei tudo do ar e veio este blog.

Recomecei com um post e só.

Sem “Sobre”, sem fotinho, sem nada. Só o primeiro texto.

Veio o segundo, o terceiro, centenas deles, newsletter, livro, curso, alguns emails, convites, clientes, leitores e amigos.

Ter um site é uma oportunidade pra gente registrar nossas transformações.

Em 2017, fiz alguns sites de pessoas incríveis como o Amuri, o Jader e o Alemão pelo Hell Yeah.

Se eu puder te sugerir, aproveita esse 2018 para fazer o teu.

Não precisa começar completo, nem bonito.

Tente fazer com o que você consegue. Seja Wordpress, Wix, Blogger. Tenho usado Squarespace.

Este é certamente um baita investimento para fazer na vida. É aquela coisa, a gente cutuca o mundo e ele nos cutuca de volta.

Não leia este texto. Vá dar uma volta.

Acabei de voltar de um passeio indescritível de Stand Up Paddle na Lagoa do Peri, em Florianópolis.

Teve trilha, cachoeira, amigos, picnic, quedas e risadas.

Meu corpo dói, alguns músculos esquecidos foram acordados, o cansaço atrapalha a digitação.

Mas estou muito feliz. Hoje é um dia inesquecível, em que eu vivi.

Como é bom fazer outra coisa. Outra coisa que não é o de sempre. Outra coisa que não envolva um retângulo brilhoso, seja TV, PC ou mobile.

Eu sei que você, que está aí do outro lado lendo, deve estar imerso no próximo email, na tarefa a ser feita, no trabalho que começa, no tempo perdido no celular.

Estar nesse lugar é cômodo, previsível, inebriante - não vai sair nada daí. Jamais guardaremos na memória o dia que passamos na internet.

Sair desse lugar é difícil, improvável, misterioso - e pode nos dar um banho de vida. Pra sempre guardaremos na memória o dia em que tomamos banho de cachoeira.

Quando foi a última vez que a gente fez algo novo pela primeira vez?

Quando foi a última vez que a gente se encontrou com os amigos para brincar?

Quando foi a última vez que a gente leu um textão, problematizou, debateu, convenceu e saiu feliz dessa, apesar da dor nas juntas?

Precisamos ver menos Youtube e sair mais de casa para uma longa caminhada e olhar as mesmas coisas por outros ângulos.

Precisamos debater menos pelo Whatsapp e jogar mais conversa fora, cara a cara e conversar profundidades com olho no olho.

Precisamos curtir menos fotos no Instagram e subir mais em árvores, fazer elogios sinceros e convites ousados.

A gente vai entrando nessas bolhas de felicidade de instagram, zueiras de twitter, reclamações de facebook e deixa de viver a vida, né?

Desculpe, Zuckerberg, mas não tem como curtir foto do passeio, porque eu não vou publicar. Mas pode ficar tranquilo, porque eu curti o rolê demais.

Feliz ano novo e um muito obrigado!

É virada de ano e, pra mim, é tempo de agradecer.

Pra este bloguinho, é tempo de mais um aniversário.

Já são três anos. Nos dois primeiros, se apresentando diariamente. Neste último, publiquei aos domingos.

Faça chuva ou faça sol, hoje é 31 de dezembro, noite de superlua e hoje é domingo.

Aqui estamos.

Estamos vivos, percebendo, sentindo, aprendendo. Estamos aqui.

Não é fantástico?

Sou profundamente grato por todos que vieram e se foram.

Agradeço a cada conexão, a cada email, a cada “eu te conheço”, a cada abraço, a cada olhar.

Sou grato por cada sentimento que veio e se foi. Por cada preocupação e solução, que gerou outro problema.

Por todas as dúvidas, questionamentos, incertezas. E por todo lampejo de certeza, afirmação e foco.

Eu não poderia ser mais grato por toda a vida que há em mim.

Eu não poderia ser mais grato por todo o mistério, por toda a viagem que é viver, por toda essa coisa fascinante que há entre nós.

Que em 2018, e sempre, a gente se livre da necessidade de sermos qualquer outra coisa que não seja nós mesmos.

Que a gente aceite o outro, já que ele somos nós. Que a gente se aceite.

Que a gente encontre fluxo para dar vasão aos nossos mais genuínos desejos.

Que a gente encontre em algum lugar dentro de nós mais motivos para renovar nossas esperanças. Tô me esforçando do lado de cá.

Agradeço a você, por ser quem és, por estar aqui, por estar aí, por não estar nem aí.

Feliz ano novo.

Pega leve

Chega essa época do ano e lá vem a Simone. 

"Então, é Natal. O que você fez?" 

Desculpe, Simone, não tenho te acompanhado, mas parece que você não tem feito muito além de aparecer a cada doze meses pra cobrar.

Trocar de ano dá uma renovada nas esperanças. Parece que a gente fica um tanto mais receptivo, aberto, tolerante com todo mundo. 

Menos com a gente.

Paradoxalmente, nos cobramos mais. O que tentamos o ano inteiro precisa ser conseguido na reta final. Vem aquela reflexão, a autocrítica.

Esse ano não deu. Mas ano que vem vai ser diferente.

Ganhei um conselho rico depois de ser o estrassado da turma, "pega leve."

Preciso me esforçar pra lembrar, mas é bom demais, vem da filosofia do "de boísmo".

Para todas as tretas, tensões, medos e perigos, pega leve.

Tudo se transforma, seja lá qual for nossa condição agora, ela vai mudar.

É só uma data, mais um dia, outro ano e, na boa, a gente já tem cobranças o suficiente.

Que em 2018 a gente pegue leve. E se não der, tudo bem, em 2019 a gente faz outras resoluções.

Feliz Natal.

Obrigado, Oswaldo Oliveira!

Todo amor e paz!

Estou aqui, sentindo, celebrando, reconhecendo e honrando a vida que vivemos com este maravilhoso ser humano, Oswaldo Oliveira.

Oswaldera veio a este plano e se foi.

Sou profundamente grato por ter experimentado, aprendido, amado, tretado e vivido tanto ao lado desse cara. Nossas vidas se encontraram em 2011 e de lá pra cá foram inúmeras histórias, encontros e empreitadas que seguem me gerando aprendizados, e pouco a pouco vão cabendo aqui.

Neste momento, estou no meu cantinho, seguindo o que me toca. Um festival está acontecendo em mim e em muitas pessoas, de forma livre, abundante, diversa e distribuída.

A vida é linda demais. E a morte é um lembrete para celebrar a vida que há em nós.

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Deixo aqui um vídeo, pra quem é de vídeo. E mais um.

Uma música, pra quem é da música.

Umas ideias, pra quem é das ideias:

"Se você pegar toda matéria e energia do Universo e somar, o resultado é zero. A única coisa que sobra é a experiência. A gente nasce numa conversão de energia em matéria e morre liberando a energia dessa matéria. Então, a gente recebe a vida e entrega a experiência. Essa que é a nossa relação com o Universo. E a gente vem programado para viver uma experiência que vai gerar uma entrega para o Universo única. Porque só a gente, por ser único, vai ter aquela experiência vivida. É meio como se o Universo falasse assim: 'Olha, tamo precisando de você. Você precisa ir lá com essa configuração viver tal coisa e incorporar esse aprendizado em nós.' - Porque o ser é único, tudo está conectado, o Universo aprende através da gente. No fundo, o livre-arbítrio é isso: você escolher entre a percepção da união ou você escolher entre a percepção da separação. O ser humano é o único ser que consegue se desconectar de si mesmo." - Oswaldo Oliveira.

E sete princípios Huna, que o Oswaldo um dia me trouxe:

Ike - “Você cria sua própria realidade.”

Kala - “Você é ilimitado.”

Makia - “Você tem aquilo no qual você se concentra.”

Manawa - “Seu momento de poder é agora.”

Aloha - “Amar é estar feliz.”

Mana - “Todo o poder vem do interior.”

Pono - “A eficácia é a medida da verdade.”

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Não faça o que você ama. Construa sua história significativa.

A pessoa ama ver bolos no Pinterest.

Coleciona glacês, compra livros de receitas, faz cursos.

Aí resolve viver fazendo o que ama.

Torra suas economias para inaugurar mais um café no bairro.

O tempo passa e a rotina se estabelece.

Passa os dias ligando pra fornecedores, gerenciando funcionários e fazendo contabilidade.

Dor de cabeça, horário pra cumprir, contas pra pagar.

Os bolos são só uma parte muito pequena do trabalho cotidiano.

Para manter um café, ou uma doceria, ou qualquer outro empreendimento precisamos de, pasmem, trabalho.

Outra pessoa ama desenhar.

Cursa publicidade e entra numa agência. 

Seus dias são de brainstorming, clientes sisudos, chefe difícil.

Desenhar é um momento raro, e cada vez mais raro, que acontece nos finais de semana.

O que estava por trás da publicidade era o desenhar. Mas o desenhar se tornou uma habilidade eventualmente útil.

Amar uma atividade é lindo, né? A gente entra em fluxo, não vê o tempo passar.

Mas é muito improvável que uma profissão seja feita apenas da atividade que amamos.

Junto de todo trabalho que amamos vem o trabalho chato, a fila do banco, a cobrança a ser feita, as planilhas, a sujeira, as reuniões. Cada um tem seu terror.

E outra, esse amor pelas coisas às vezes passa. Tem mais cara de paixão. A gente muda e nossos gostos também.

Dizem que o inferno é fazer repetidamente, eternamente, aquilo que mais amamos fazer, até se tornar insuportável.

Por isso, tenho deixado de lado a ideia do “faça o que você ama”. A princípio, ela parece muito boa, mas muitas vezes me parece frágil e inocente.

Se apresenta mais honesta a ideia de “construir uma história significativa”. Nossa própria história.

Com autonomia, busca pessoal, presença, responsabilidade, decisões.

Como toda boa história, faz parte dela aceitarmos altos e baixos, aprendizados e decepções, sucessos e desafios. Tudo é vida.

É mais crível entender nossa jornada profissional como uma história cheia de aventuras.

E não como uma busca pelo Santo Graal da atividade especial que amamos e faremos eternamente.

Porque até o café dos sonhos muda, a vida de agência pode ser terrível, o empreendimento que sempre desejamos pode ser um pesadelo. Nós mudamos o tempo todo.

Quando a gente está mais pela história do que pela atividade em si, as transformações ficam mais leves.

Porque uma construção ao longo do tempo entende que toda atividade, pequena ou grande, velha ou nova, merece ser feita.

Cada tijolinho ganha mais sentido, sendo ele amável e divertido ou chato e pesado.

Nossa história está para além das coisas que fazemos.

Pare de se preparar

Passei anos na escola me preparando pra faculdade.

Depois, anos na faculdade me preparando pro trabalho.

E mais anos no trabalho, me preparando pra quê mesmo?

A gente vive em uma cultura que nos faz acreditar que precisamos sempre saber mais do que sabemos.

A ideia de que não estamos prontos é cruel. Ela nos pressiona para sempre estarmos correndo atrás de mais conhecimento, mais qualificação, mais formação.

Supervalorizamos o conhecimento teórico e subestimamos o fazer prático.

Liquidamos nossa segurança e autoestima ao nos compararmos com o próximo degrau do saber.

Alimentamos nossa ansiedade, ao criarmos uma expectativa pelo futuro, deixando de viver agora.

Num mundo que se transforma rapidinho, toda informação está potencialmente disponível. É loucura acreditar que chegará o dia em que já lemos o suficiente, aprendemos o que tínhamos que aprender e estamos prontos para, finalmente, dar nossa contribuição.

Não quero dizer aqui que a gente não deve, ou não precisa, ler, escutar, aprender. É claro que inspiração e uma boa dieta de conteúdo alimenta a alma.

O lance é que a gente também tem que entregar. É necessário um equilíbrio entre receber e dar. Escutar e falar. Ler e escrever.

Os maiores artistas, escritores, criadores, empreendedores, fazedores são também espectadores, leitores, consumidores, conectores, observadores. Tudo ao mesmo tempo, alternadamente.

Por isso, se eu puder sugerir, não somente leia blogs, veja videos, faça cursos, assista palestras, peça ajuda. Pare de se preparar e crie sua história, compartilhe seus aprendizados, se expresse através da sua arte, dança, seus desenhos e gritos.

Só encher a cabeça cansa e adia nossa criação genuína. Pequenos e constantes passos que entregam algo pra alguém são tão importantes quanto nos manter aprendendo coisas novas.

Como todo humano, a gente tem a capacidade de expressar nossos sentimentos, desejos e dúvidas desde que nascemos. Não precisamos esperar pelo momento certo, porque ele é sempre agora.

Meus cinco maiores aprendizados

Rafa Cappai me convidou para participar do Galaxya Live, evento da Espaçonave.

Sugeriu me apresentar contando meus cinco maiores aprendizados nessa jornada empreendedora.

Aqui eles estão.

1. Essa é uma viagem de autoconhecimento.

Pra gente pôr pra fora um projeto, uma arte, uma história significativa, temos que nos conectar com o que vem de dentro. Nossos medos, amores, limites, desejos, nossa infância e visão de futuro, por exemplo, são matéria-prima para nossa criação. E como as boas road trips, o caminho é a viagem, e a viagem é o caminho. Teremos lindas paisagens, uns bons perrengues e a chance da vida se apresentar a cada conexão que a gente faz ao caminhar. Mais do que construir uma coisa, ganhar dinheiro, ajudar alguém ou fazer o que gosta, sinto que empreeender é sobre um longo e profundo mergulho em si próprio. E quanto mais a gente está com a gente, mais a gente está com o outro e com o mundo.

2. Entregue valor, receba valor.

Em cada ação, pequena ou grande, me pergunto se o que estou fazendo gera valor pra alguém. Esse texto, pode ajudar alguém? Esse  pensamento, vai resolver o problema de alguém? Estou mesmo criando algo valioso ou apenas planejando, me preparando e, no fundo, adiando e evitando viver a vida? Enquanto um texto está só comigo, ele não criou valor pra ninguém. Quando entrego abertamente, tenho alguma chance. Além de entregar, hoje, entendo que qualquer negócio só existe quando a gente recebe valor. Na medida em que as pessoas recebem o valor que criei, eu tenho a possibilidade de receber algum valor delas. Inclusive dinheiro. Esse ciclo de entrega e recebimento dá energia para mais entrega e acolhimento. E assim vamos fluindo e equilibrando.

3. Pequenos passos funcionam.

A gente acha que são os grandes projetos, as maiores decisões e os momentos que sempre esperamos que fazem a coisa acontecer. Mas não, é o cotidiano, as coisas que fazemos todos os dias que constituem a grande história que estamos criando. Os pequenos e mais simples passos, com consistência, nos levam a uma grande caminhada. Cada grande sonho que nasce em mim viram pequenas tarefinhas realizáveis, vou fatiando e passando. De vez em quando, olho pra trás e me pego surpreso: como foi mesmo que cheguei aqui? As conquistas e derrotas estavam acontecendo a todo instante, em cada passinho. No fim das contas, a vida é só processo e transformação mesmo. Não tem nada além disso. 

4. Estabeleça teus próprios parâmetros de sucesso.

A gente nasce e já empurram pra gente que temos que tirar boas notas, termos bons empregos, uma casa bacana, uma aposentadoria segura. E mal dá tempo de nos perguntarmos, é isso mesmo que eu quero? O que é sucesso pra você, não precisa ser sucesso pra mim. Quando a gente se livra do que nos deram pronto, diminuímos as possibilidades de frustração, tomamos consciência das nossas escolhas nos responsabilizamos pela nossa caminhada.

5. Abertura e conexão acolhem todos os medos.

Quando nos sentimos as piores pessoas, nos frustramos e alimentamos nossos medos, tendemos a nos fechar. Criamos separação, muros e julgamento. Numa cruel bola de neve, o isolamento nos leva a mais temores. Preciso me lembrar: para acolher e integrar os medos, preciso de mais abertura, verdade, vulnerabilidade. Assim nasce mais conexão, aceitação, apoio. Magicamente, ou não, os medos são afagados, se transformam e viram compaixão.

Precisamos dialogar com quem discorda de nós

Ouvi essa semana um podcast muito bom sobre diálogo e troca.

Me tocou muito escutar a história de uma mulher que desde criança fazia protestos contra gays e judeus.

Dialogou. Foi acolhida por estranhos. Rompeu com sua família. E mudou.

Não foi de um dia pro outro. Não foi por depois de calorosas discussões no grupo da família no whatsapp. Não foi fácil.

Mas aconteceu.

A gente não costuma ouvir essas histórias, né?

Elas inspiram, nos fazem enxergar outras possibilidades.

Megan Phelps-Roper reforçou em mim: "Precisamos conversar e ouvir as pessoas que discordam de nós."

Eu não vou conseguir, sempre. Provavelmente, você também não.

Porque é difícil. É muito difícil.

Ainda mais enquanto dói.

Requer uma energia enorme ser empático enquanto somos agredidos.

Mas a gente precisa, no mínimo, tentar. Experimentar abrir diálogo, trocar e criar espaço pra compreensão e conexão.

Mais violência não é o remédio contra violência.

Como podemos alimentar curiosidade genuína?

Como podemos nos ver, antes de qualquer classificação, como humanos?

Como nos conectar mais do que nos afastar?

Se eu puder te sugerir, dá o play e escuta a história dela.

A arte de dizer "não"

Se tem algo que mina o ser humano é fazer o que não quer para tentar ser quem não é.

Temos todos milhões de distrações, pedidos e convites para tentarmos nos encaixar em posições que não são nossas.

É aquele trabalho que não é o ideal, mas é alguma coisa.

É aquela pessoa que não agrega, mas é quem está disponível.

É o momento inapropriado, mas que se não for agora, talvez não tenha outra chance.

É o compromisso sem nenhum sentido, mas que lá no passado foi firmado - nem lembramos mais por quê.

São as pequenas concessões que, acumuladas, se tornam um pesado fardo.

Quando dizemos “sims” demais, involuntariamente, desviamos energia, tempo, atenção, dinheiro, trabalho. Tiramos nosso foco, perdemos o trilho.

Dizer “sim” parece mais legal. Coisa de quem é querida, gente boa.

Em vários momentos, é claro, “sim” nos ajuda a ampliar as possibilidades.

Mas a gente se afoga nos “sims” facilmente.

Cortamos um pouquinho da nossa carne para sermos quem esperam que a gente seja, não quem a gente é.

E ao parecermos ser quem não somos, surgem mais distrações, pedidos e convites baseados na pessoa que escolheu “sim”, mas na verdade sentiu e desejou “não”.

Para economizar no “sim” autodestrutivo, há o “não” gentil, consciente e embuido de amor próprio.

Um bom “não” costuma vir com tranquilidade, confiança, tempo.

É difícil soltar um “não” de bate pronto. Mais difícil ainda é receber um.

Então, a gente precisa aprender a dizer bons “nãos”.

- Não é pra mim, agora. Pode ser que seja no futuro. Quando vem algum convite que não me pega de primeira, às vezes jogo ele pra frente. Eu mudo, você muda, as coisas mudam. Agora, não é pra mim, mas pode ser que eu mude e este convite se torne mais adequado, obrigado.

- Não é pra mim. Quem sabe posso indicar alguém. Não posso te ajudar diretamente, mas posso tentar encontrar uma pessoa pra te ajudar, pode ser? Não posso fazer mais do que isso. Mas não é por isso que não estamos juntos, ou que eu não posso contribuir de alguma forma.

- Não é sobre nós, é sobre essa situação. Às vezes a gente fica com medo de ofender alguém ao dizer “não”. Por isso, quero deixar claro, não é nada entre nós, te admiro, te respeito e nada entre a gente será quebrado por conta do meu “não". Podemos olhar especificamente para este convite e entendermos que ele não fuciona pra mim, agora?

- Este “não” não fecha uma porta, pra sempre, entre nós, ok?

A cada "não", criamos espaço para o que genuinamente importa, as raras coisas que nos fazem bem. Os "sims" mais valiosos.

E você, como tem exercitado a arte de dizer “não”?

Mudar de ideia é lindo

“Eu não posso prometer que se você mudar de ideia, você não vai perder, pelo menos, alguns amigos - e isso importa, porque se você aprender a pensar, pensar genuinamente, você vai mudar de ideias às vezes.” - Alan Jacobs.

Já acreditei que “mudar de ideia” era coisa de gente incoerente, desajustada, fraca.

Mas mudei completamente de ideia sobre “mudar de ideia”.

Já acreditei em educação. Hoje, tenho acreditado mais em aprendizado.

Já acreditei em esforço. Hoje, tenho acreditado mais em oportunidades.

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Já acreditei em sucesso. Hoje, tenho acreditado mais em cuidado.

Mudar de ideia é lindo.

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Para todos os problemas, angústias, dúvidas, mais abertura

Mais sinceridade, mais clareza, mais conexão, mais entrega, mais vulnerabilidade.

As melhores relações que teci são aquelas baseadas em abertura.

A gente tende a se esconder, se fechar, se preservar diante de toda ameaça.

Essa carapaça nunca me protegeu de verdade.

Toda ação reprimida, todo fluxo interrompido, toda conversa com meias palavras causou mais dor que alívio.

A sinceridade profunda nos possibilita nossa evolução e dos nossos pares.

Não, não é fácil. Não é de um dia pro outro.

Eu nem sei por onde começar.

Só sei que o caminho mais honesto e real possível traz mais troca, fluxo e vida do que fechar portas.

Organizações baseadas em medo

99,99% das organizações têm na sua pedra fundamental o medo.

Veja bem, não são todas, tem 0,01% sobrando aí.

Fonte: Data Larusso.

Instituições, organizações, corporações são feitas de pessoas.

E nós, as pessoas, morremos de medo.

Você pode acreditar que a sua organização é diferente.

“Não somos movidos a medo. Temos visão, missão, valores, blá, blá, blá."

Mas imagine a possibilidade da sua empresa acabar hoje, ou te mandar embora agora.

O que você verdadeiramente sente ao pensar nisso?

Se não for medo, deve ser alívio.

Se é alívio, provavelmente já existe aí o forte desejo de sair.

Mas você não sai, porque tem medo.

Ou seja, o que mantém as coisas é o medo.

A base de tudo é o medo.

As decisões são baseadas no medo.

As tarefas são baseadas no medo.

A hierarquia é baseada no medo.

Os serviços e produtos são baseados no medo.

Vamos fazer uma reunião (porque estamos veladamente com medo).

O medo do cliente não vir, não entender.

O medo do mercado não receber bem.

O medo do chefe não gostar.

O medo dos empregados não gostarem.

O medo de ser mandado embora.

O medo de ficar sem dinheiro.

O medo de não ser reconhecido.

O medo da concorrência.

O medo de padecer num mundo competitivo, escasso e cruel.

O medo que, lá no fundo, é o medo do desconhecido, do mistério, do não saber, da morte.

Medo é parte da vida. Não é mau, nem bom. É desconfortável. Mas é o que é e sempre existirá.

Nossas organizações, ricas e sábias, pobres e novatas, todas elas, cheias de pessoas que vivem medo todo dia, sem mal tocarem no assunto.

Estou com uma hipótese.

Só há um tipo de organização que não é baseada em medo. A des-organização. Ou auto-organização. A organização que confia incondicionalmente.

Aquele raro 0,01% vagabundo.

É aquele raro momento efêmero em que trabalhamos pela experimentação, autonomia, entrega, generosidade e compaixão.

O pequeno instante de fluxo. No talo. Sem medo da liberdade.

Leve no pessoal

Tenho vendido livros pela internet. Eu mesmo embalo, escrevo a mão o endereço, vou aos Correios, pego fila, vivo o processo e as pessoas se surpreendem com isso. Outro dia fui pessoalmente entregar um livro aqui em Floripa. A pessoa não acreditou.

Talvez exista a ideia de que a impessoalidade é mais glamurosa ou bem sucedida do que nosso contato direto. Quem sabe seja por conta do que percebemos com as grandes empresas. Geralmente, são impessoais, padronizadas. A pessoa que te atende é quase uma não-pessoa que reproduz um roteiro pré-definido.

Pro empreendedor individual, talvez exista a ideia de que é necessário se passar por algo maior do que se é. "Nós fazemos isso...", "Acreditamos naquilo...", "Manda um email pro contato@..." Que coisa, se é um negócio de uma pessoa só, por que fala no plural?

Mas veja que irônico. Big corps estão buscando humanização. Tentam se posicionar como pessoas que têm sentimentos, visões de mundo. Não é à toa. Seres humanos querem contato pessoal, quente, de verdade.

Vi uma entrevista com a Marta, jogadora de futebol, explicando que ela não tem o padrão de vida dos jogadores homens famosos. Ela não tem empregada doméstica. Ela mesma lava, cozinha, como a maior parte das pessoas. Pode ser por necessidade, por opção. O fato é que é a realidade dela e de quase todo mundo. É a minha e da Mari, minha companheira. Não tem glamour, tem responsabilidade individual e direta.

Sim, todo dia preciso de serviços terceirizados. Quase todos projetos em que me envolvo tem mais gente envolvida, trabalhando por ele. Trabalho e já trabalhei com diversas equipes. Mas nada disso faz criar entre nós algo maior e abstrato que tira nosso compromisso pessoal. E nossa necessidade de conexão direta entre pessoas.

Importante essa franqueza, nua e crua. Pessoalidade, contato direto, real, tête-à-tête. Na maior parte do tempo, o negócio é movido por trabalho direto, entrega individual, alguém escrevendo, criando, contando, falando, vivendo, assumindo a bronca e lidando intimamente com outro ser.

Neste momento, sou eu mesmo, e nada muito além disso, escrevendo.

Henrique Bastos soltou essa e tô aqui engrossando o caldo. Esse lance é pessoal.