Deixando de ser multi-tarefas

“Multi-tarefas é outra palavra para alguém que é ótimo em parecer ocupado.” - Josh Long.

Já acreditei que fazer muitas coisas ao mesmo tempo era uma importante habilidade. E quanto mais, melhor. Respondia emails enquanto desenhava sites. Escrevia enquanto participava de uma reunião.

Ficar permanentemente estressado, frequentemente doente e plenamente insatisfeito me fez mudar de ideia. Ser multi-tarefa passou a significar, também, ser distraído e sem foco. Mas parecendo estar sempre ocupado.

Desisti de correr para diferentes direções ao mesmo tempo quando percebi que não estava indo pra lugar nenhum.

Percebi que a produtividade tipo multi-tarefa era ilusória. A sensação de estar fazendo muitas coisas não significava, de fato, realizar qualquer coisa com qualidade.

Uma tarefa mal feita volta. Precisa ser refeita. Atrasa. Se junta a outras coisas que ficaram meia-boca criando uma grande bola-de-neve de afazeres e ansiedade.

Ao fazer uma coisa de cada vez, o trabalho ganha propriedade. Percebo mais meus limites, meus comportamentos, momentos de inspiração ou perda de energia. Focar no que estou fazendo no momento me faz aprender mais sobre quem eu sou. E lembrar por que estou fazendo o que estou fazendo.

Nem sempre é fácil fazer escolhas e tirar da cabeça o que não é o mais importante agora. Fazer uma coisa de cada vez sem ter a sensação de que estamos abandonando desejos ou obrigações. Pra isso, tenho substituído o comportamento multi-tarefa por uma mente multi-olhares.

Conseguir mudar, perceber o momento e alternar entre tarefas com foco é mais importante do que conseguir fazer tudo ao mesmo tempo. Ter uma mente flexível que se adapta a diferentes situações da vida não exige falar ao telefone e cozinhar ao mesmo tempo. Vale mais a pena realizar uma tarefa de cada vez, com qualidade e deixar a mente aberta para o que virá depois, só depois.

Nem é necessário escolher entre ser designer ou escritor, abrir mão de sonhos e possibilidades. A busca é sobre ser sensível e focado na escolha do momento. Neste instante escritor. Horas depois, designer. É preciso ter flexibilidade para mudar de rota com consciência. Mas, no momento, estar plenamente atento à ação presente.