Trabalhos paralelos. Um duro e um mole.

“Se você esticar muito a corda ela arrebenta, e se deixar ela muito frouxa, não tocará.” - Aprendizado de Siddhartha Gautama.

Meu amigo Luciano Braga tem um projeto paralelo maravilhoso chamado Projetos Paralelos. É um curso, uma palestra e um livro para incentivar as pessoas a começarem seus projetos paralelos, para além do trabalho cotidiano. É mais que um hobby, é um trabalho mesmo. Tem compromisso, frequência, produtos e remuneração.

Um caminho para harmonizar a vida é tentar encontrar o trabalho dos sonhos. Onde colocamos todos os nossos desejos e anseios em uma atividade só.

Outro caminho é encontrar não apenas um, mas dois ou mais tipos de trabalhos. Por que não?

Se você encarar trabalho apenas como 8 horas diárias vendidas em troca de salário, realmente é desumano ter mais do que um.

Mas se enxergar trabalho como uma atividade recorrente que entrega algum valor pra alguém, o jogo muda e um universo de possibilidades se abrem.

Trabalho não precisa ser uma punição, nem um fardo. É só trabalho mesmo. Olhando assim, dá pra tocar um, dois ou mais projetos paralelamente. Jornada dupla não é fácil. Mas arrebentar a corda ou deixar de tocar é pior.

Gosto, especialmente, de dois tipos de trabalho. O trabalho duro e o trabalho mole. A corda rígida e a corda macia.

O trabalho duro dá a sensação de segurança e previsibilidade. Você domina a atividade, ela te remunera e paga as contas. A tendência é tentarmos amolecer o trabalho duro para torná-lo mais gostoso e criativo, fazendo todos os nossos anseios caberem nele.

Trabalho duro parece com emprego. É o mundo conhecido.

O trabalho mole dá a sensação de liberdade e experimentação. Você está descobrindo a atividade e ela te paga com aprendizado e prazer. A tendência é buscarmos endurecer o trabalho mole para torná-lo mais rentável e rotineiro, fazendo todos os nossos desejos caberem nele.

Trabalho mole tem cara de hobby. É o mundo a ser descoberto.

Cuidado. Se esticarmos demais o trabalho duro, excluímos o trabalho mole e a corda do violão arrebenta. Estresse, aceleração, pressa, falta de tempo, apagão. Ficamos sem tempo livre e matamos as chances das atividades leves florescerem. Viver só de trabalho duro é duro.

Atenção. Se afrouxarmos demais o trabalho mole, eliminamos o trabalho duro e o violão não toca. Acomodação, lentidão, paralisia, falta de grana, preocupação. Ficamos sem dinheiro e matamos as chances de sustentar a vida financeiramente. Viver só de trabalho mole também é duro.

O desafio é equilibrar o trabalho duro e o mole. Simultaneamente, mas não ao mesmo tempo. Em um, dois ou múltiplos projetos. Fazer eles se conversarem, se alimentarem e acontecerem paralelamente, com fluidez. Precisamos encontrar o ritmo e o tempo de cada um. Sem deixar que eles se anulem, entrem em conflito ou se apaguem.