Comunicação não é o que você diz. É o que as pessoas entendem (e sentem).

Podemos criar slogans, investir na identidade visual, fazer apresentações mil. Podemos detalhar os benefícios e contar sobre o nossos negócios como quisermos. Mas o que realmente comunica e posiciona um projeto é o que as pessoas sentem ao experimentá-lo. Esta é a camada de contato mais profunda e verdadeira.

Uma vez, ouvi que "comunicação não é o que você diz. É o que as pessoas entendem." Isso mudou pra sempre minha visão sobre meus textos e layouts. Comunicar é muito mais sobre o que estão percebendo e escutando do que sobre o que estamos tentando falar.

O Estaleiro Liberdade é o mais difícil serviço que tive o desafio de comunicar. Disparado. Mais desafiador que qualquer cliente dos meus tempos de designer/publicitário. O Estaleiro é fácil de entender quando a gente sente na pele, vive a experiência, mergulha na jornada. Mas é impossível de explicar só com palavras. Quem vivenciou sabe disso e não me deixa mentir (Marujos, sintam-se a vontade para darem seus depoimentos nos comentários, AHOY!).

Já apareceu quem acreditou existir uma áurea de mistério proposital na comunicação do Estaleiro. Não existe. Se existe, não é proposital. Buscamos abertura total. Não há informação escondida ou proibida. Toda pergunta pode ser respondida. É difícil de entender o que é o Estaleiro Liberdade porque é difícil de sentí-lo sem experimentá-lo.

Não temos nada a esconder. Pelo contrário. A gente se esforça para ser transparente e objetivo. Sabemos que é um projeto único, com pouquíssimas referências. Isso dificulta o entendimento. É uma escola, mas muito diferente de tudo que pensamos quando pensamos em "escola". É "pirata". Também não resolve. Qualquer definição é como um lençol curto. Cobre um lado, mas deixa outro descoberto.

Na tentativa de mostrar mais a atmosfera do Estaleiro, a gente produz blog, fotos, vídeos, podcasts, apresentações. É nossa intenção compartilhar ao máximo o que vivemos. Queremos transbordar todo o aprendizado que emerge dos grupos de Marujos e Piratas de Porto Alegre e São Paulo. Fazemos o que conseguimos para torná-los bens comuns, acessíveis. Sabemos que é pouco diante da complexidade de cada grupo e, principalmente, cada ser humano que faz a escola pirata acontecer. O Estaleiro é sobre olho no olho. E, no fundo, todo negócio é. Mas a maioria tenta evitar ser visto de perto, com todas as suas verdades e imperfeições.

O medo de ser visto profundamente transparece. Fica evidente aos olhos de quem vê. Este é o grande motivo pelo qual as pessoas não se engajam em um projeto. Elas simplesmente não acreditam nele. Ainda que sem perceber. Se tentamos esconder algo, alimentamos desconfiança, desinteresse, desconexão. Pra se comunicar com profundidade é preciso se vulnerabilizar. Se abrir.

Quando me perguntam "o que é o Estaleiro?", tenho uma resposta na ponta da língua: "uma escola de empreendedorismo através do autoconhecimento. Só que pirata.". Eu sei que não é o suficiente. Na esmagadora maioria dos casos, o curioso continua curioso. Condição que tem seu valor. Geralmente é a partir daí que começamos uma conversa interessada sobre todo o universo que envolve o Estaleiro e, principalmente, a vida. Aprendizagem livre, empreendedorismo, autoconhecimento, senso de comunidade, experimentação, escolhas significativas, sonhos, autonomia. De alguma forma, a conversa faz percebermos um pouco mais quem somos e porque acreditamos na escola pirata. Isso nos conecta mais às pessoas do que se tivéssemos uma definição fechada, dura.

Falar com profundidade, ainda que seja mais difícil, tem mais valor do que apenas dizer as características do seu produto ou serviço. Compartilhamos o que acreditamos, a que estamos a serviço, nossas intenções, nossos porquês e o que percebemos sobre a vida. Nos expomos. Por enquanto, essa é a comunicação mais verdadeira que conseguimos fazer.

E assim encontramos pessoas que dizem ter passado a vida procurando por nós. Elas nos entendem, nos sentem, mesmo que não consigam explicar o que fazemos (eu também não consigo). Elas chegam até nós e vivenciam sua própria experiência. Isso é comunicação.

A que estamos a serviço? Essa é a nova identidade do Estaleiro Liberdade.

A que estamos a serviço? Essa é a nova identidade do Estaleiro Liberdade.