Esse banco não foi feito pra mim - Parte 2: Nós somos a mídia

Mês passado, recebi por email um convite de um grande banco para palestrar. Decidi publicar o email de resposta aqui. O artigo continua me trazendo muitos aprendizados que estão me ajudando a clarear as ideias.

Duas ou três pessoas trouxeram questionamentos sobre o alcance que, supostamente, deixei de ter.

Imaginaram que eu poderia ser ouvido por mais pessoas se aceitasse o convite. Imaginaram que mais pessoas poderiam ser "convencidas" por mim. E foram muito solidárias e empáticas lembrando que a grande corporação é feita de pessoas, que elas teriam uma oportunidade única de se conectarem às ideias que (não) apresentei.

Talvez esses questionamentos me fariam rever minha posição há uns poucos anos atrás. Hoje, não mais.

1 - “Você poderia ser ouvido por mais pessoas."

Quando alguém diz que eu perdi a oportunidade de ser ouvido por mais gente, pergunto: será mesmo?

"Esse banco não foi feito pra mim" foi o artigo mais lido desse blog com, até agora, 2728 visualizações. Um total de 297 curtidas e 61 compartilhamentos. Talvez nada que escrevi na vida tenha sido tão lido.

Alimentamos a ilusão de que dependemos de instituições ou meios tradicionais para nos conectarmos com as pessoas. Não é uma verdade.

Me sinto suficientemente ouvido por muita gente, me comunicando diretamente. Mesmo que eu tenha deixado de falar com algumas pessoas, nesse momento, tenho a oportunidade de falar com milhares de pessoas todos os dias. Pelos meios que eu mesmo escolho.

Mesmo que estivesse em cadeia nacional - não era o caso - poderia não ser tão ouvido assim. Nas poucas vezes em que um projeto que empreendi esteve em jornais, revistas e TV, não me senti escutado de verdade. Tive poucos retornos. Uma vez só fui parado no elevador com uma piscadinha de uma senhora: "te vi na TV ontem, hein?".

2 - “Mas você poderia convencer mais pessoas."

Eu não quero convencer ninguém. Compartilho meus aprendizados para torná-los públicos e me conectar com quem quiser. São úteis pra mim, se for pra mais alguém, que bom. Se não, tudo bem.

Não vejo vantagem em fazer qualquer pessoa compreender um posicionamento que é meu em detrimento do posicionamento dela. Estou satisfeito em acolher quem me procura. Respeito profundamente o desejo das pessoas de ouvirem o que elas querem ouvir. Escolho, na medida que consigo, não duelar, guerrear, ou convencer.

3 - “Mas as pessoas que trabalham na grande corporação poderiam se conectar com suas ideias."

É verdade. Eu entendo que as pessoas que trabalham nas instituições são bem intencionadas, são lindas, são maravilhosas. Mesmo. Tenho certeza de que elas podem se conectar com minhas ideias. Mas eu prefiro contribuir com elas diretamente, e não com a intermediação da corporação para qual elas trabalham. Dentro da empresa, para contribuir com as pessoas, é necessário contribuir de alguma forma com as metas da corporação.

Acredito que é possível e importantíssimo acolher as pessoas. São as pessoas que sofrem e elas que podem querer sua transformação. Pra isso, faço o que posso por elas, diretamente. Todos os dias me relaciono com pessoas que trabalham para e com grandes empresas. Pessoas que não trabalham mais. Pessoas que trabalharão um dia. Pessoas que, coincidentemente, ou não, trabalham praquele Grande Banco e, melhor, estão lendo meus textos e usufruindo do meu trabalho porque querem, não porque alguém ordenou.

As pessoas que estão dentro estão também fora das organizações. As pessoas que estão nos eventos também têm vida fora deles. Estão lendo, se informando, trocando na internet, se relacionando e até participando de outros encontros. Elas não são apenas profissionais. São pessoas. E estão em todo lugar, podendo se conectar com as minhas, as suas, as ideias de todo mundo. Nós somos a mídia.