Hora de (não) trabalhar

Todos temos dias de trabalho inspiradíssimos. E também dias completamente apáticos.

O trabalho criativo não acontece por seguidas (e longas) oito horas, de segunda a sexta, com intervalos pro almoço e pro cafezinho. Se acontece assim, não é criação, é um trabalho mecânico.

O desejo e a necessidade por descanso e lazer não coincidem com os intervalos, feriados, fins de semana, férias. Quem manda é o tempo sentido na pele de cada um, não medido por alguém.

Ou seja, o ócio natural e o trabalho real não têm hora marcada. Por que obedecemos convenções de tempos cronometrados por relógios e calendários?

Negócio e ócio acontecem em tempos picados, a qualquer momento. Entender o próprio tempo exige maturidade, atenção e disciplina. É a prática e a experimentação que nos permite aprender. Não o controle.

Acredito que no futuro veremos "bater ponto" como hoje vemos a escravidão. Ser dono do próprio tempo é o maior dos exercícios de autonomia. Todo ser humano deveria ter o direito de cuidar do seu bem mais precioso.

Há uma alternância entre períodos de enorme produtividade e completa lentidão em cada ser humano. Faz parte do processo criativo, faz parte do aprendizado, é o tempo natural dos nossos corpos. E ninguém melhor do que você mesmo para compreendê-lo.