É a vulnerabilidade que nos conecta

Não estou pronto. Não mesmo.

Sou uma farsa. Como alguém pode acreditar que sei o que estou fazendo?

Tenho medo. Vou errar. Farei pior que os outros. Serei descoberto.

Não sou bom o suficiente para merecer o que tenho, quanto mais o que desejo, e não tenho.

Eu nem sei o que quero fazer direito, como posso fazer alguma coisa?

Vou me postar como alguém de sucesso se posta. Afinal, eu tenho algo a zelar (o quê mesmo?). Ou melhor, não vou fazer nada e ficar na minha.

Esses pensamentos me batem à porta. E tenho descoberto que batem às portas de todo mundo.

A Amanda Palmer me apresentou a "Patrulha da Fraude". Os psicólogos chamam de síndrome do impostor. É a ilusão que criamos em nós mesmos de que um grupo, um dia, nos descobrirá:

"Estamos de olho e temos provas de que você não tem A MENOR IDEIA DO QUE ESTÁ FAZENDO. Você é acusado do crime de dar um jeitinho, culpado de só inventar merda, e na verdade você nem merece seu emprego, vamos levar tudo embora e CONTAR PRA TODO MUNDO."

Todos temos esse troll interior fiscalizando cada um de nossos passos. Ele é duro. E nos impede de caminhar, arriscar, experimentar, fluir, sermos nós mesmos. Ele sou eu comigo mesmo. Ele é você contigo, no travesseiro ou segundos antes de tomar qualquer pequena ou grande decisão.

Hoje, não tento calar meu troll interior, nem alimentá-lo. Quando consigo, o tiro pra dançar. Nem sempre consigo. Mentira. Estou tentando eufemizar. A verdade é que quase nunca consigo.

Quando consigo, estou me vulnerabilizando. Me entregando. Assumindo verdadeiramente meus dramas. E seguindo adiante mesmo assim. Sem querer prova nada pra ninguém. Estou me acolhendo e respeitando o que sou. Um ser humano frágil e forte ao mesmo tempo.

Reconhecer nossa fragilidade é, incrivelmente, o ato mais corajoso que podemos ter. Se esconder não exige coragem. Não é corajoso fingir ser herói, perfeito, intocável. Difícil mesmo é assumir que estamos perdidos. E, por isso, é tão nobre se vulnerabilizar.

É a vulnerabilidade que nos conecta. É o que nos toca, nos faz perceber que estamos todos confusos e inseguros. Porém, estamos juntos, amparados e conectados. Assim, apesar do nosso troll interior, tá tudo bem. Seguimos.