Confie

Confiar é uma das colas que existem na vida. É o que nos conecta, nos aproxima, nos põe lado a lado, nos faz sentir que estamos juntos.

Há a chance das coisas irem mal se você confiar. Mas elas são muito menores do que as chances de irem bem. O fato é que a gente tem um gatilho no cérebro: nos importamos muito mais com o que dá errado, dá medo e nos ameaça do que com aquilo que dá certo, dá coragem e nos dá vida. É uma vantagem evolutiva, prestamos atenção nos perigos do mundo. Mas eles são menores do que imaginamos. Fugimos sem que a ameaça seja real. Desconfiamos sem motivo.

Quando começamos a empreender o Nós.vc, a premissa básica foi: todo mundo tem algo a ensinar. Em 2011, organizamos nossos primeiros cursos e workshops ministrados por pessoas comuns, fora de escolas e faculdades. Não era usual. Algumas pessoas desconfiavam.

- Mas e se o "professor" não for bom? E se ele não aparecer? Como vocês podem fazer isso?

Nós fizemos. Confiamos e começamos a organizar encontros conduzidos por desconhecidos em todo o Brasil.

Descobrimos que, sim, 99,9% dos nossos "professores" eram bons. Nunca ninguém organizou um encontro e sumiu. Confiamos que ia dar certo. E deu.

Escolhemos não agir pela desconfiança. Abrimos mão de investir nosso tempo e energia para tentar nos blindar da remota possibilidade de ter pessoas má intencionadas.

Tenho descoberto que confiar é uma questão de fé. É como uma lente que colocamos sobre os olhos para enxergar um mundo que é mais bom do que mau. É uma escolha, é opcional. Você pode encarar o planeta como uma grande oportunidade pra confiar. Se quiser.

Há um ciclo vicioso na desconfiança. Vai dar merda. Batata. Há um ciclo virtuoso na confiança. Vai dar certo. E dá. Confiar vale a pena.

Quando a gente acredita que somos intencionalmente maus, ou do tipo que sempre quer tirar proveito, ameaçamos a confiança em nós. A relação se abala. Naturalmente, nos desconectamos. Competimos, jogamos em times opostos. Deixamos de aprender juntos. Nos fechamos, nos isolamos. Nasce uma nóia, uma angústia que é prato cheio pro medo. Paralisamos, deixamos de dar vida o que importa.

Com medo, desconfiamos. O ciclo se fecha.

Quando a gente parte do pressuposto de que somos pessoas cheias de vida, querendo manifestar o que há de melhor em nós, confiamos uns nos outros. Nos permitimos a experimentação. Colaboramos, trabalhamos juntos. Quase sempre nos surpreendemos com os resultados. Podemos nos decepcionar também, é claro. Pouco importa, nos respeitamos o suficiente para aprender com o que quer que aconteça. Não ameaçamos a confiança. Assim, evoluímos e nos sentimos mais encorajados.

Se temos coragem, confiamos. O ciclo se completa.

 

Este é um texto da série Manifesto dos Pequenos Atos. Você pode se envolver, é só praticar.