Dialogue

"Diálogo é a maneira de construir uma verdadeira relação de confiança."

Small Acts Manifesto

Tenho explorado no Estaleiro Liberdade alguns caminhos para uma profunda conexão através do diálogo.

Incorporamos algumas práticas aprendidas com a comunidade Art of Hosting. Elas têm nos levado para conversas significativas e relações profundas.

Algumas práticas:

Escutar com atenção e com o coração

Ouvir pode ser uma atividade meramente passiva. Escutar não. Uma escuta verdadeira exige tanto esforço quanto uma fala profunda. 

Enquanto ouvimos alguém, dificilmente silenciamos nossa própria voz interior. Ao escutar com atenção, a proposta é, ao invés de maquinar a resposta que vamos dar antes mesmo da pessoa terminar de falar, exercitar nossa capacidade de ouvir verdadeiramente. Apenas escutar.

O esforço é para não projetar nada a mais. E também não reduzir as palavras e gestos do outro a qualquer coisa menor do que elas próprias.

Não é fácil. Mas com a prática, a escuta com atenção pode criar em nós um significativo campo de confiança.

Não dar atenção aos julgamentos

Enquanto você me lê, está me avaliando a todo instante. Eu sei. "Por quê eu devo me importar com isso?", "Quem ele pensa que é?". Todos estamos a todo instante julgando.

Para estabelecer diálogos que nos conectam, a proposta é não dar atenção aos julgamentos da nossa voz interior.

Dê uma chance para fazer emergir algo novo e genuíno entre você e quem você escuta. Dê férias às convicções prévias. Elas podem se transformar.

Quando a gente evita dar atenção aos nossos julgamentos, nos sentimos mais presentes e atentos para ouvir verdadeiramente.

Um diálogo é uma troca. Um julgamento é uma avaliação. São coisas diferentes. Para trocar verdadeiramente, é importante evitar o papel de juiz.

Falar com intenção e com o coração

Quando a voz está com a gente, a sugestão é não jogar palavras ao ar, simplesmente. Raramente nos conectamos profundamente com nossos sentimentos para falar.

Ao intencionar profundamente cada fala, escolhemos melhores palavras, falamos menos e dizemos mais.

Falar com intenção e com o coração é um processo racional e emocional, ao mesmo tempo. Enquanto elaboramos nossa linguagem verbal, somos sensíveis ao que estamos percebendo, no momento, para além do lógico.

O silêncio faz parte da conversa

Acreditamos que há um desconforto quando a conversa cessa e fica um silêncio. A proposta é não ligar pra isso.

Num diálogo profundo, o silêncio é um importante espaço vazio. Tão importante quanto a voz que ouvimos ou soltamos.

Pode parecer perda de tempo. Não é. Tenho descoberto que o tempo em que se cala é um tempo investido. Ao permitir um mergulho no silêncio, nos aproximamos do nosso mundo interno. Assim, nos conectamos mais profundamente ao que é dito.

Este é um texto da série Manifesto dos Pequenos Atos. Você pode se envolver, é só praticar.