Sua profissão ainda nem existe

Era uma vez um mundo em que você podia escolher uma profissão e seguir ela pra sempre.

Nos formamos na escola e, no ápice da nossa sabedoria sobre nós mesmos, com 17 anos, cravamos nossa escolha profissional.

Este é um excelente caminho para a frustração. Na adolescência, temos poucas referências, poucas experiências e poucas opções para escolher algo "pro resto da vida".

Ainda assim, tentamos nos ajustar. Nos esforçamos para nos adaptar às possibilidades que nos são dadas. Escolhemos alguma coisa que nos agrade, tentamos dar algum orgulho pros nossos pais.

Escolher uma carreira "pra sempre" desconsidera que estamos constantemente mudando, descobrindo novos sonhos e querendo aprender coisas novas.

O mundo da carreira sólida continua existindo, pra alguns. Porém, é possível encontrar outro mundo dentro dele, onde cada vez mais você pode criar a sua profissão, somar talentos e fazer a sua própria história.

Uma vez, o Tiago Mattos me contou o que o pai dele disse quando ele foi prestar vestibular: "Meu filho, pouco importa o curso que você vai escolher, a profissão que você vai exercer nem existe ainda."

Tenho muitos amigos que, orgulhosamente e árduamente, criaram suas profissões para além das caixinhas pré-estabelecidas. Uma ex-modelo-empreendedora-coach, um contador de histórias que é facilitador, ator e videomaker, um músico que é programador, um sociólogo-programador-pesquisador-designer-triatleta, um artista-consultor, um publicitário-ativista.

São profissionais com tantas habilidades e funções que eu não consigo descrever. Isso não é um problema. Ao contrário, é uma solução pra eles.

Apesar de ser difícil explicar pra família, essas pessoas estão profundamente comprometidas com uma construção genuína sobre quem são e o que fazem. Querem deixar sua marca no mundo, colocando pra fora suas essências múltiplas. Nada é mais digno de orgulho do que ser fiel às próprias verdades.