A educação está no conhecido, mas a aprendizagem está no desconhecido.

"Quando aprendemos juntos, nós nos esforçamos, descobrimos insights reais e, acima de tudo, dançamos com o desconforto que é essencial para transformar a educação em aprendizagem.” Seth Godin.

Harvard, Yale, Stanford e outras tantas universidades têm aulas abertas, públicas e gratuitas pra todos. Existem milhões de cursos online. E a cada dia mais e mais são lançados. Muitas pessoas se inscrevem, algumas começam mas são raríssimas as que continuam, menos ainda as que concluem.

Por que?

Porque aprendizagem não é um processo isolado, de consumo passivo. É sobre se engajar com outros. E, sem esse engajamento de grupo, é dificílimo aprender de verdade com um curso online.

A universidade é em comunidade, o trabalho também. Eles têm vida, gente duvidando, criando uma conversa paralela, um desconforto. E é isso que os cursos à distância não têm.

A educação está no conhecido, mas a aprendizagem está no desconhecido.

Há alguns anos atrás, encontrei a Krypton Community College, uma escola híbrida, online e offline. Pirei. Este projeto se mostrou uma alternativa para resolver um problema que me dói profundamente.

Quando a interação é restrita à tela, sem olho no olho, favorecemos a impessoalidade e a baixa sensação de grupo. Por consequência, temos menor engajamento e continuidade. Sozinhos, nos boicotamos. Afinal de contas, somos bichos sociais e queremos nos conectar, trocar e construir algo juntos.

Por outro lado, o modo online é muito eficiente para consumir informação. É mais barato, mais distribuído, mais inclusivo e mais rápido. Mas institucionaliza e canaliza toda a interação e, assim, mata o que é mais importante: a naturalidade, o imprevisível e o desconhecido. Os ingredientes básicos para aprendermos.

No Krypton Community College, de Seth Godin, os conteúdos e as informações são digitais. A conexão e a troca são presenciais, em grupos locais que se inscrevem e se auto-organizam. Qualquer pessoa lidera e cria um grupo, que se encontra semanalmente, ao longo de um mês, seguindo as leituras e palestras em vídeo sugeridas e uma programação para o encontro. O aprendizado é par a par.

A aprendizagem não é, apenas, sobre consumir uma leitura ou um vídeo. É sobre fazer com os outros, se conectar, ajudar, descobrir, se abrir para novos pontos de vista, aprender ensinando. E isso só se faz em grupo, em comunidade.

Como tudo que é novo, o projeto de Seth Godin teve resistências.

"No começo, as pessoas hesitaram em convidar outros para se juntarem a eles nesse processo. Mas, uma vez que levaram adiante, muitos descobriram a magia que vem do envolvimento face a face, em torno de aprendizagem."

E nem todos estão suficientemente prontos para fazer acontecer.

"O que é preciso para pegar o telefone, ou escrever um e-mail para convidar uma dúzia de pessoas para se reunirem por 90 minutos? Tecnicamente, é muito rápido e fácil. Social e emocionalmente, porém, é um salto significativo."

Ainda assim, aconteceu. Foram quatro cursos e milhares de participantes no mundo inteiro.

Sempre há os que estão dispostos a dançar com os próprios medos, explorar o desconhecido, começar algo novo e tirar grandes lições disso.

É com essas pessoas que eu quero trabalhar.

E é por isso que o LAUNCH!, programa colaborativo pra dar vida à sua ideia e lançar seu projeto significativo, funciona com um modelo parecido. Combina curso online, comunidade online, mentoria online e encontros presenciais.

As inscrições são em grupos, de 3 a 5 pessoas que se encontram uma vez por semana, por um mês. É o seu grupo que vai te puxar e lembrar que você precisa avançar, se comprometer, fazer o que deve ser feito. Ainda que sejam projetos completamente diferentes.

Se inscrever em um curso é fácil. Formar um grupo é mais difícil, e por isso eu acredito que vale muito a pena fazer nesse formato.

O desafio é encontrar pessoas que fazem mais do que simplesmente dizer “eu tenho interesse”. Os raros são os que se comprometem, lideram, agitam, convidam as pessoas, fazem a inscrição, combinam o dia em que vão se encontrar e preparam o ambiente para dar vida ao que importa.

Tomar a inciativa é fundamental para empreender. É um pré-requisito para quem quer embarcar nessa jornada.

Afinal de contas, se você não consegue formar um grupo com mais duas pessoas, me desculpe, mas é muito improvável que você seja capaz de empreender o seu projeto, agora.

Também escolhi fazer assim porque dá mais autonomia.

Você escolhe com quem quer aprender. Podem ser seus amigos, ou, ainda melhor, desconhecidos, com os quais você pode aprender ainda mais. Você cria seu sistema de apoio.

Você faz acontecer na sua cidade. Não precisa esperar chegar. É você quem toma a iniciativa de trazer o que deseja pra perto. Os encontros podem acontecer em qualquer lugar, no seu café favorito, no seu trabalho, na sua casa.

Você não precisa de permissão, você decide fazer e faz. É exatamente como empreender. Não há submissão, não há chefe, não há validação. Se você quer, você faz.

Você não precisa de um professor ou facilitador. Os grupos são autogeridos e a liderança é rotativa. Na vida real, não há facilitadores. Você é o único responsável por conduzir o seu próprio processo.

"Mas eu vou organizar? Como vamos pagar? E se essas pessoas não forem legais? E se não tiver interessados? Não posso fazer sozinho? E se eu não conseguir?"

Essas são as perguntas que você se faz ao pensar em entrar num programa como o LAUNCH!. E são as mesmas perguntas que nos fazemos antes de empreender.

Ao evitar o desconhecido, evitamos aprender.

O salto significativo não é apenas fazer o programa. É começar, mergulhar no incerto e aprender transformando desejo e ideia em ação e entrega.

Se você precisa de um desafio, aqui está. Se você precisa de um convite, aqui está. Se você precisa de um pretexto, aqui está. Se você precisa de um empurrãozinho, te dou.

Podemos começar juntos. E dar início a um ambiente fértil para trocar e evoluir com o novo. Se você quiser.