Sobre foco e disciplina. Ou dispersão e preguiça.

“Não tenho foco. Sou disperso.”

“Não tenho disciplina. Tenho preguiça.”

Pra fazer o quê? Ou, melhor, pra fazer por quê?

A origem da necessidade do seu foco e da sua disciplina diz muito sobre o seu (des)interesse.

O motivo pelo qual você faz, ou deixa de fazer, é o que realmente importa. Todos podemos ser preguiçosos e focados. Depende do seu “porquê”, daquela tarefa.

Não há método de produtividade que supere a razão pela qual você faz.

Tem gente que usa como estímulo a bonificação (a cenoura na frente).

Tem gente que usa como incentivo a punição (a cenoura atrás).

Existem aqueles que preferem criar um sentimento de orgulho, de fazer parte de uma instituição respeitada, o método japonês.

Todos são artifícios extrínsecos. Não vêm de dentro.

Você faz porque tem que ganhar dinheiro? Esta é uma motivação extrínseca. Você vai receber grana, de alguém, se fizer. Ou será punido, por alguém, se não fizer.

Pro trabalho criativo que é empreender, eu prefiro a autonomia, a motivação que vem de dentro, intrínseca, a tarefa que você escolhe e faz porque quer fazer independente de qualquer estímulo.

Eu prefiro porque não depende de ninguém, e é, por isso, autosuficiente, livre e leve. Eu prefiro porque é mais legítimo. O trabalho é feito porque, a julgo do fazedor, merece ser realizado.

Temos mais foco e disciplina e menos preguiça quando queremos verdadeiramente fazer, por desejo. E não por obrigação.

Todo trabalho vem com uma carga maior, ou menor, de “tem que fazer”, a questão é: a serviço do quê?

Se estamos nos dedicando ao que não nos importa profundamente, naturalmente não desejaremos fazer e vamos, ainda que involuntariamente, evitar.

Se estamos fazendo algo que nos toca verdadeiramente, que sentimos conexão própria, desenvolvemos foco e disciplina.

Em geral, tentam nos fazer focar no que interessa a alguém, um chefe, um professor, um pai, um cliente, um investidor, e não necessariamente a nós mesmos. Daí nasce a dispersão e a preguiça.

Quando o foco e a disciplina são autônomos e legítimos, eles ganham força. Se alguma vez na vida você experimentou fazer sua arte, você sabe do que estou falando.