O que eu acho da sua ideia? Eu acho que ela deve ser feita.

O Diego é um dos caras que mais estuda filosofia que eu conheço. Ele tinha acabado de chegar em São Paulo e estava no Estaleiro Liberdade.

Ele não tinha um puto. Só conseguia comer no Bom Prato, restaurante popular que cobra um real pela refeição.

Um belo dia, estávamos conversando sobre como fazer dinheiro e ele contou sua ideia:

- Eu estou pensando em dar aulas no Bom Prato. Mini-aulas, enquanto as pessoas estão na fila.
- E você vai arrecadar dinheiro de quem?
- Das pessoas na fila, enquanto dou aula.

Pensei: “Que ideia horrível!”. Mas parei, respirei e respondi:

- Acho super valioso fazer esse teste, Diegão. A primeira coisa que me vem a cabeça é: "essas pessoas que pagam um real pra comer teriam dinheiro pra pagar suas aulas de filosofia?”. Mas esse é o meu pensamento limitado. Experimentando, você vai aprender muito mais. Faça!

Ele começou do jeito que dava, com muita humildade. Se surpreendeu, se frustrou, aprendeu muito e continuou fazendo. Ensinou conceitos de filosofia, psicologia e se conectou com as pessoas. Recebeu dinheiro de gente rica, pobre, moradores de rua, crianças. De quem nem imaginava.

Meses depois, o Escola de Rua ganhou nome e corpo. O Diego arrecadou R$ 5335 pelo Catarse, deu aulas no SESC e entrevista pra Veja, lançou seu site pessoal. Tudo isso porque ele ousou fazer.

O que eu aprendi com isso? Que toda ideia é potencialmente boa e potencialmente ruim. Não sou eu que defino o que é uma boa ideia, nem você, nem ninguém. Uma ideia só pode se tornar uma boa ideia quando é feita, se torna real e entrega valor pras pessoas. Por isso, o que realmente importa é fazer.

Hoje, todo mundo que chega empolgado contando sua ideia pra mim recebe o mesmo conselho ordinário, eu sei, mas de coração: "O que eu acho da sua ideia? Eu acho que ela deve ser feita."