Como começar a desenvolver sua ideia antes de programar, contratar, investir

Um aplicativo pra trocar roupas usadas que funciona que nem o Tinder.

A ideia é incrível. Mas o app ainda não existe. Não dá pra baixar, não tem uma linha de código.

Mesmo assim, o que é mais importante já aconteceu: peças de roupa foram trocadas.

E o melhor, a ideia evoluiu rapidamente e ganhou apoiadores, antes mesmo de ser programada.

A ideia existe mesmo, é do Roupa Livre. Foi anunciada, festejada e amplamente compartilhada. Um baita exemplo.

Apresentada publicamente como ideia, recebeu feedbacks reais de centenas pessoas que se voluntariaram para testar, financiar e até programar. 

Ou seja, a ideia ganhou força e ficou mais perto de acontecer, mesmo antes de ser desenvolvida e lançada.

Seja lá qual for a sua ideia, você também pode começar a desenvolver antes de programar. Antes de contratar. Antes de investir.

Como?

1) Entregue o seu valor analogicamente.

Antes de investir tempo, energia e trabalho de programação, entregue o valor que sua ideia se propõe a entregar.

De forma incipiente e rústica mesmo. Faça o que o seu aplicativo pretende fazer com papel e caneta. Isso mesmo, de forma analógica.

O grande valor da sua ideia não são as funcionalidades do aplicativo, apesar de serem as coisas mais fáceis de imaginar e de se apegar incialmente.

O verdadeiro valor é proporcionar alguma conexão que entrega valor. Entre pessoas, serviços, ideias, objetos. Alguma conexão que entrega valor.

No caso do Roupa Livre, é a conexão entre pessoas que trocam e passam a ter novas peças de roupas usadas. Esse é o foco.

Faça a conexão que entrega valor acontecer com o que você tem. Em um pequeno universo. Resolver o problema de uma pessoa é o suficiente pra começar.

Num segundo momento, você pode usar uma tecnologia de fácil acesso. Exemplo? O seu Facebook, Google Docs, Instagram. Faça seu protótipo rodar com o que já existe nesse mundo abundante.

2) Faça você mesmo.

Desenvolver um app é caro. Exige um trabalho especializado.

Ao tentar produzir sua ideia você verá porque é tão caro. É difícil, trabalhoso, demorado, por isso é raro e valoroso.

Ao tentar fazer por você a experiência real se dá, o aprendizado se aprofunda colossalmente e você entende o custo do valor que você está se propondo a entregar.

Se fosse fácil, já teria sido feito.

Agora, se você realmente não consegue executar e entregar esse valor, é sinal de que existe uma uma atividade-chave que é crucial pra existência desse negócio que não está sendo contemplada pelo seu trabalho.

É hora de considerar fortemente um sócio. Alguém que programa, já que o seu negócio é baseado em tecnologia. Alguém que cozinha já que você quer trabalhar com comida. Alguém que desenha já que você quer entregar ilustrações pras pessoas. Alguém que faz o que você não consegue fazer.

E, principalmente, alguém que quer fazer isso com você. E não para você. Essa pessoa, nesse caso, não é um prestador de serviço. Ele é um gerador de valor.

3) Peça ajuda.

Divulgue, coloque a ideia no ar e peça o que você precisa pra pô-la de pé. Contar a ideia ajuda a viabilizar, torna ela mais real.

As pessoas são muito generosas. Elas querem ver as coisas que importam funcionando. Se elas não apoiarem a sua ideia, é um bom sinal. Talvez ela não seja tão boa assim e você pode ir fazer outra coisa melhor.

Faça um barulho e diga exatamente o que você precisa. É assim que você pode achar seus novos sócios, programadores, parceiros, clientes, apoiadores.

Comece a fazer, as pessoas vão construindo junto quando você compartilha o que está acontecendo. Deixe claro como elas podem se envolver.

4) Aprenda fazendo.

A gente acha que sabe o que está fazendo. Na verdade, nossas ideias são muito frágeis enquanto são só ideias.
 
Depois de fazer e entregar temos mais noção sobre o que estamos fazendo, e não antes disso.

É muito comum imaginar uma solução e descobrir que o que tem valor pras pessoas é outra coisa.

É recorrente o nebuloso ficar mais claro ao executar. São as pessoas que vão te dizendo o que elas querem. São elas que acusam se o que você está fazendo está ajudando elas, ou não.

Faça com o mínimo, que você já tem, aprenda com isso, é assim que as coisas começam a acontecer.

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Texto inspirado por uma questão do Rafael Urquhart que está participando do LAUNCH!