A arrogância está por trás da falta de curiosidade

Tenho vivido um momento menos curioso. Com baixa energia, é raro algo despertar minha curiosidade.

Me sentir atraído por uma ideia, pessoas, novidades é um pequeno esforço que me coloco a fazer. Por que sei que é importante, vital.

Hoje, em um encontro sobre processos de mudança, transformação, morte e renascimento, chamado O Caminho de Santiago de Composteira, com a Karol Fendel nasceu um pequeno insight.

O que está por trás da falta de curiosidade é a minha arrogância.

Nos últimos anos tenho vivido uma intensa busca por autoconhecimento. Sou grato por ela. Mas aí também mora uma pegadinha. Se por um lado fiquei mais seguro das minhas próprias escolhas, quando descuido, fico mais intolerante as pessoas, outras ideias e escolhas que já renunciei.

Acreditar que esse filme já vi, que essa história já conheço, que esse processo já vivi é o caminho para a desconexão, a perda de interesse genuíno pelo outro.

Assim, condicionei os eventos, as relações, os trabalhos a, apenas, aqueles que, de alguma forma, me servem, me entretém, me ensinam, me guiam pelos caminhos que escolhi. E, assim, caí no previsível, deixei de ser surpreendido, matei minha curiosidade.

Esses dias a querida Rafa Cappai questionou a ideia de Jim Rohn que “somos a média das cinco pessoas que mais convivemos”. Ela entende, e eu também, o lado valioso de que precisamos nos rodear de pessoas interessantes. Mas traz o contraponto:

“Daí que pergunto: como é que se mede a média de uma pessoa? Como "matematizar" o que é do humano? Como transformar em dados algo que é muito mais potente e diverso, que é a própria humanidade?”

E vai além:

“Qual é o valor da história de vida de alguém? Quanto não se pode aprender com os percalços de uma pessoa? Quanto a superação de alguém não é capaz de te ensinar sobre a própria vida?”

(…)

“Todo mundo é incrível e carrega enormes tesouros prontos pra impactar a vida alheia, mas nem todo mundo sabe disso e pára pra ouvir, infelizmente.”

Estou imerso em julgamentos, preconceitos, avaliações. Diferente de uma criança, desapegada, leve, que não questiona quem é, de onde vem, e qual o propósito. Curiosa, apenas convida: vamos brincar?

Hoje deixo um pouco da minha arrogância e levo um pouco de curiosidade pra vida.

Seguimos.