Produto e processo

“Para toda sua audiência, exceto você, o que importa é o produto: a arte final. Para você, sozinho, o que importa é o processo: a experiência de moldar a arte.” - David Bayles e Ted Orland.

Arte, pro criador, é processo. O que dá trabalho é ele, o processo. A peça finalizada é só um pedacinho da história.

Mas, consumistas que somos, nos preocupamos mais com o produto, o ponto final, a última pincelada, o projeto pronto, aquilo que é mais facilmente visível.

Esta é só a última talhada da escultura. O que faz a obra é o conjunto. O processo diário, árduo, sem glamour. É o trabalho sem graça, enfadonho, que ninguém vê que faz o que todo mundo pode ver.

Pra cada golaço, tiveram infinitas bolas chutadas contra uma parede. Para cada prato de alta gastronomia, teve muita gororoba que deu errado. Para cada livro, teve muita anotação e palavras jogadas fora.

Pra cada projeto, como o meu e o seu, é preciso muito trabalho ingrato, processo caótico, prática e aprendizado.

O ponto final vale a pena. Mas ele só existe se tiver a gente aqui, insistentemente trabalhando por trás das cortinas.