As bolhas em que vivemos

Mito da Caverna é a parábola certeira de Platão.

É The Matrix da Grécia Antiga. É o Quarto de Jack da antiguidade.

É o que acontece agora comigo e com você.

A gente sempre acha que, no Mito da Caverna em que vivemos, somos a pessoa que consegue se livrar das correntes e sair da caverna.

O salvador, o mais sábio, capaz de ensinar, mostrar os caminhos pras pessoas, convencer elas. São sempre os outros que ainda não enxergaram a luz lá fora.

Nós nunca somos os acorrentados, encantados com as sombras, ignorantes da verdade.

Levanto aqui a hipótese de que nós somos os acorrentados. Vangloriando apenas o que conseguimos enxergar e execrando o que não vemos.

O Mito da Caverna é também sobre as bolhas duras como rocha em que construímos nossas realidades, nossas certezas e nossas visões de mundo. Estamos vivendo um distanciamento da vida crua, que teimamos em negar.

O mundo real de Neo está fora da Matrix. Quando sai do quarto, os olhos de Jack doem de tanta luminosidade. Há muito mais do que nossos trabalhos. Muito mais do que nossas timelines. A discussão vai para além de Clinton e Trump.

Há um mundo inteiro para além do nosso mundinho, da nossa cultura e repertório, há um universo para além das nossas limitações.

Talvez a gente esteja somente enxergando as sombras e matando os loucos que tentam nos chamar para o mundo lá fora.