"Exclusivo para os dez primeiros leitores!"

“Escreva o livro que você quer ler.” - Austin Kleon.

É óbvio que este texto não é exclusivo para os dez primeiros leitores. Não faz sentido.

Tenho lido mais sobre “marketing digital”.

Que saco.

Eu nunca gostei da linguagem, das técnicas, dos gatilhos, funil de vendas, listas de emails, essas coisas.

Sempre tive a sensação de que a enganação está no ar.

E, em geral, está mesmo. Tudo é milimetricamente pensado, medido e arquitetado para seduzir, convencer e conduzir até a compra. Mas não é só, comprando isso, você ainda vai ganhar aquilo e blá, blá, blá.

É duvidoso, distante, cheio de promessas mais questionáveis do que as dos políticos. É o “zero-onze-catorze-zero-meia” do século XXI.

Escassez artificial, por exemplo. “Últimas vagas”, “Única edição do ano”, “Só para os dez primeiros”.

Desperta nosso senso de urgência, prende nossa atenção. Serve para pagarmos mais e não perdermos a oportunidade. Logo, induz a um consumo inconsciente.

Na maioria das vezes, não precisava ser restrito, nem imediatista, já que quase sempre o produto digital é replicável e atemporal.

É uma escassez gerada artificialmente. E o pior é que isso vende, funciona.

Me pergunto se as pessoas que compram esses “produtos que ensinam a vender” realmente querem criar produtos chatos como os que consomem.

Elas querem reproduzir esse modelo por que querem que seus produtos sejam assim? Ou querem conseguir vender mais, apenas?

Estou lendo porque quero hackear essa parada. Entender os gatilhos mentais. Por que funcionam? Por que nos fazem comprar?

Quero entender o sistema, o feitiço, e quebrá-lo. Quero criar uma comunicação mais genuína e leve. Verdadeira, sem apelação. Será que é possível?

Quero fugir da linguagem do que está se caracterizando como “marketing digital”. Identificar e limpar meus produtos e serviços online dessa coisa que eu mesmo não gosto.

Por enquanto, minha estratégia é: “Não criar nada que eu mesmo não seja o público-alvo.”

Se eu não tiver vontade de consumir o que produzo, tem algo errado. Preciso mudar.

Não é uma tarefa fácil. É mais difícil do que seguir as “fórmulas milagrosas”.

Mas é o que eu quero ver no mundo. Então, eu vou.