Aprendendo a chutar com as duas pernas

Não precisamos negar o que fazemos bem para fazermos melhor o que fazemos mal.

Costumo ser péssimo pra continuar coisas. Mas geralmente sou ótimo pra começá-las.

Por um tempo, acreditei que devia parar de me meter em histórias novas para aprender a concluir os projetos que costumo deixar pela metade.

Não deu certo. Em geral, sou realmente ruim para manter uma perenidade, uma entrega constante. Tenho que praticar muito mais ao longo da vida, até desenvolver melhor este lado.

Mas o que deu errado mesmo foi o meu descaso com o talento que já cultivava. Neguei a habilidade de iniciar e matei em mim, por um tempo, aquilo que fazia bem.

Era como se, para aprender a chutar com a perna esquerda, eu deixasse de chutar com a perna direita. Não faz sentido, né?

O que a gente precisa para melhorar é acolher nossos pontos negativos e positivos, aceitar nossas características, sejam quais forem, elas são temporárias. Estamos aprendendo.

Não precisamos diminuir quem somos para aprender qualquer habilidade nova. Aprendizado não é um processo de substituição, mas de soma e multiplicação.

Ninguém é bom em tudo, a todo instante, e a gente fica em paz quando percebe, admite e lida com isso.

Tem coisas que a gente faz bem e tem coisas que a gente faz mal, em cada momento.

As que a gente faz bem, mantemos e melhoramos. As que a gente faz mal, experimentamos, praticamos e melhoramos também.