Faça com as ferramentas que você tem

Em 2007, eu era um dos organizadores do 17º Encontro Nacional de Estudantes de Design, o NDesign. O projeto mais ambicioso e complexo que já tinha me envolvido.

Reunimos 4500 pessoas, do Brasil inteiro, por sete dias, realizamos dezenas de atividades, com centenas de convidados. Nos planejamos por 18 meses, movimentamos muito mais dinheiro do que já tinha visto na vida.

Eram 26 pessoas na organização com seus cadernos, nenhum smartphone e apenas um notebook. Isso mesmo, apenas um computador móvel. E nenhuma internet na palma da mão. Sem 4G, 3G, nenhum G, nem wi-fi. Nem Whatsapp. Mas com Orkut, quando chegasse em casa. Nossas câmeras digitais eram tipo Tekpix, CyberShot. Vá ao Google se você não conhece.

Hoje, seria impensável realizar um projeto desse porte sem ferramentas essenciais como notebook e celular. Uma condição dessas seria uma enorme limitação. Hoje, nove anos depois.

Na época, não era nada. Era nosso dia-a-dia. Não sentíamos falta do que não existia. A gente fazia com o que tínhamos, nossos telefones fixos, computadores de mesa em casa, ou no trabalho, papel, caneta, ofício.

No primeiro NDesign, em 1992, os organizadores se comunicavam por cartas. E, provavelmente, isso não era uma limitação. Era uma condição normal, que não impedia a realização do evento. Aliás, que bom que existiam cartas. Já pensou como era antes disso?

Não importa quais são as ferramentas que temos em nossas mãos. Em geral, elas são menos do que imaginamos que precisamos. Mas é muito provável que sejam mais do que o suficiente. Faça com o que você tem.