Um paradigma de luta produz uma corrupção mais sofisticada

"E, pior, na Itália, agora, os políticos corruptos, servidores públicos e empresários aprenderam a lição da Mãos Limpas e não estão cometendo os mesmos erros daqueles que foram presos. Nos últimos anos, eles desenvolveram técnicas mais sofisticadas para praticar corrupção com mais chances de ficarem impunes, como dissimular pagamentos de propinas, ou multiplicar conflitos de interesses, como fez (o ex-premiê) Berlusconi (ao criar tensões com o Judiciário)." - Alberto Vanucci, pesquisador italiano que afirma que a operação que inspirou a Lava Jato criou corruptos mais sofisticados.

Um paradigma de luta produz, a longo prazo, uma corrupção mais sofisticada.

A corrupção é endêmica e sistêmica. Ao eliminarmos uma, criamos duas. Ao eliminarmos a que enxergamos, selecionamos involuntariamente as mais fortes e invisíveis.

Não percebo, hoje, outra saída, além de me negar a jogar o jogo da luta e criar condições distribuídas e abertas para que nós não precisemos jogá-lo.

Para que eu, e todos que quiserem, sejamos menos dependentes de governos e representações. Para que cada vez mais dinheiro e poder sejam irrelevantes em nossas vidas, de tal forma que a gente viva cada vez melhor, com cada vez menos.

É difícil criar outros caminhos quando o único jogo que jogamos é o do convencimento, da hierarquia e do poder sobre o outro. É difícil criar outras possibilidades quando acreditamos piamente em salvadores e lutas de classes.

Mas é ainda mais difícil ter esperanças em qualquer modelo de poder centralizado.

Mais uma vez, me sinto mais seguro diante da escolha por caminhos em busca de mais simplicidade, autosuficiência, autonomia, transparência e colaboração.