De onde vem a intolerância?

"Abraçar uma ideia significa abraçar novas relações e abandonar uma ideia significa enfraquecer sua comunidade." - Dora Fried Schnitman e Stephen Littlejohn, em Novos Paradigmas Em Mediação.

Pedro Limeira que me presenteou com este poderoso insight.

Quando somos intolerantes, não aceitamos quem é diferente porque, de alguma forma, tememos mudar. Se não temêssemos, seria confortável lidar com o outro e aprender com ele.

O intolerante tem fobia do outro porque, de alguma forma, tem medo de se conectar e, assim, se transformar um pouquinho. Tem medo de se aproximar e se tornar o que considera diferente de si.

Okay. Mas por que isso seria tão terrível?

Um ponto é o medo de perder a identidade. Quando há confusão entre o que somos e o que acreditamos, preservamos nossa fé para tentar manter nossa imagem - pros outros e pra gente mesmo.

Mas o grande medo de quem não tolera o outro é ter que quebrar seus laços. Mudar de ideia significa, lá no fundo, desfazer a relação com seus pares, sua comunidade, seus parceiros ideológicos.

E vale para qualquer mudança significativa. Sair do trabalho, mudar de cidade, trocar de profissão, ou de posicionamento político, requer, em algum nível, quebra de laços. Mesmo que a gente prometa que seremos amigos para sempre, a relação vai mudar. A confiança será abalada.

Como um político radical qualquer explicaria pra sua família, parceiros ou eleitores, caso desse o braço a torcer? Como seria recebido por quem por tanto tempo aplaudiu seu discurso? Seria aceito? Conseguiria se conectar com o outro lado? Ficaria desamparado?

Como explicar pra família, amigos do trabalho e chefes que seu negócio é outro? Eles que, por tanto tempo, saciaram todas as suas necessidades e apostaram em você. Como deixá-los na mão? E se não der certo, você vai poder voltar?

O grande medo por trás da intolerância é o medo de desconexão.

Talvez a grande habilidade para desenvolvermos seja a nossa capacidade empática de tecer laços. E sustentar a fé de que estamos sempre conectados.