Ser responsável é a única maneira de mudar

"Será que beber sucos de verdade, ter uma dieta saudável e fazer exercícios é tão difícil? Não precisa de um diploma para fazer isso. É tudo muito simples. É barato. É fácil. É seguro. Gera resultados positivos. O maior motivo que explica o fato pelo qual as pessoas não estão fazendo é que isso exige que elas sejam responsáveis. E essa é a única maneira de mudar.” - Andrew W. Saul no documentário Food Matters, tem no Netflix.

Assumir responsabilidade. Puxar a bronca pra si. Pedir a bola, dominar no peito, botar no chão e ditar o ritmo do jogo é o único caminho pra transformação.

Não nos responsabilizamos pelo nosso tempo, pelo nosso dinheiro, pela nossa saúde, pelo nosso planeta, pela nossa vida. Fingimos que somos responsáveis. Em geral, reclamamos dos outros, da vida, da crise, da falta de tempo, ou dinheiro, já que temos fé em salvadores da pátria ou mudanças milagrosas. Nós somos a crise, nós escolhemos o que fazer com nosso tempo, nós escolhemos como ganhamos e gastamos nosso dinheiro.

Esperamos por líderes, chefes, alguém que nos governe, que faça alguma coisa. Nos rebaixamos diante de seres superiores que não existem. Precisamos de alguém pra depositarmos a culpa. Alguém que possamos cobrar, pagamos por isso.

Criamos expectativa em torno de fórmulas mágicas, metodologias poderosas, um momento mais adequado. Qualquer coisa que, comprovadamente, acerte por nós, já que preferimos uma vida que passe em branco do que falhar com nossas próprias mãos.

Somos incapazes de assumir responsabilidades, de sermos autônomos, de tomarmos decisões e nos autogovernar. Não conseguimos cuidar do lixo que produzimos, fazer a arte que desejamos, aprender o que sempre tivemos vontade, viver a vida que queremos, criar laços significativos e comunidades com afinidades verdadeiras, sem assumir a responsa.

Ser responsável é ser capaz de responder por algo ou alguém. Quando negamos nossa responsabilidade, abrimos mão da nossa capacidade de responder. De sermos agentes ativos, transformadores, protagonistas de mudanças. Largamos mão da nossa reação diante de qualquer ação. Abdicamos da nossa liberdade pra que a gente possa se esconder atrás do outro.

Porque reclamar é fácil. E fazer é difícil. Embora reclamar seja muito mais danoso do que fazer. Temos medo de nos responsabilizar. De assumir nossa posição e nos comprometer. Temos medo de sermos os culpados pelos fracassos que podem acontecer.

Mas os fracassos já estão acontecendo. Comemos mal, vivemos para trabalhar, esperamos por férias e fins de semana, aumentos, cargos que serão sempre insuficientes. Trocamos o comprometimento com nossas próprias vidas por resultados imediatos e frágeis. Desejamos mudanças rápidas. Porém, fazemos devagar, ou mais tarde, porque não queremos assumir os riscos da responsabilidade imediata.

É possível "largar tudo" sem largar tudo. Mas, pra isso, o primeiro passo é assumir a responsabilidade agora. E isso ninguém fará por nós.

Todos nós sabemos os hábitos que podemos adotar para vivermos melhor. Lá no fundo, temos pistas das decisões que devemos tomar. No entanto, acreditamos que precisamos fazer outras coisas antes. Tentamos fugir da responsabilidade. Mas ela é toda nossa. Por mais que a gente insista, a responsabilidade bate todos os dias a nossa porta. Enquanto tentamos nos livrar dela, deixamos escapar nossa liberdade.

"O preço da liberdade é a responsabilidade, mas é uma barganha, porque liberdade não tem preço." -  Hugh Downs.

"O preço da liberdade é a responsabilidade, mas é uma barganha, porque liberdade não tem preço." -  Hugh Downs.