A ética do "Faça Você Mesmo"

"A ética do "faça você mesmo" visa derrubar a ideia de que alguém vai dar conta de nossos problemas. Vamos dar conta deles nós mesmos, educando uns aos outros, tomando decisões coletivamente." - Ben Gillock.

"Faça você mesmo" não é somente sobre meter a mão na massa e pôr de pé a mesa da sua sala.

Há uma ética por trás, uma filosofia, um princípio, uma moral da história que quebra com o mito de que sempre precisamos de alguém para fazer por nós.

Mais do que fazer produtos, criar robôs, cozinhar pra si, estamos falando sobre experimentar sermos responsáveis pelos nosso próprios problemas. E isso é muito poderoso.

Este movimento nos possibilita vivenciar, ainda que por um instante, a não dependência e submissão a governos, financiamentos, subsídios, salários, hierarquia, chefes, professores, ou qualquer outra relação de poder.

Esta lógica permite que qualquer um tenha seus problemas resolvidos sem que seja necessária uma sutil diminuição do outro, do tipo "deixa comigo, você não sabe, você não pode, não tem condições".

Estamos vivendo a ascenção do fazer com o que se tem, localmente, de forma distribuída e autônoma. Independente da necessidade de mais recursos, conhecimento, dinheiro, escala.

Temos a chance de aprender à partir da generosidade alheia e retribuir ensinando, compartilhando. Quase tudo no universo do "faça você mesmo" provém de tutoriais, modelos e caminhos open source, muitas vezes gratuitos e inclusivos.

Cuidar do coletivo, na lógica do "faça você mesmo", não significa consenso, nem atribuição de poder a um terceiro, mas respeito à autonomia, ao potencial do outro de resolver por si os problemas que o tocam.

"Faça você mesmo" é um ato de amor próprio e coletivo. Não onerando os outros, abrimos espaço para que a gente neutralize os impactos negativos que estamos causando. Ao mesmo tempo, permitimos que cada um tenha a oportunidade de fazer por si só.