O sono como medida de sucesso

“O caminho para uma vida mais produtiva, mais inspirada, mais alegre é dormir o suficiente.” - Arianna Huffington.

Até a quarta série, estudava de tarde e só acordava cedo em raras situações. Uma vez, tive que sair cedinho, umas sete da manhã. Fiquei chocado. Tinha gente na rua. Muita gente. As pessoas estavam dirigindo, caminhando, de pé no ônibus, indo pra algum lugar. Que horas o motorista acordou? Essas pessoas não estão com sono? Não tinham que estar dormindo? Todo mundo acorda cedo, menos eu?

Nunca fui bom pela manhã. Essa característica me incomodou por décadas. No ensino médio e na faculdade, tinha aula às sete e meia da manhã, todos os dias. Acordava atordoado, sempre correndo, sem apetite. Não sei como é possível aprender alguma coisa assim.

Saindo da faculdade, no trabalho, continuei pedindo diariamente mais cinco minutinhos pro despertador, assim como milhões de pessoas no mundo. Nos fins de semana, tirava o atraso e dormia o sono acumulado. No domingo a noite, começava o sofrimento de novo, só de pensar no despertador de segunda.

Mas isso era motivo pra um certo orgulho. Virava noites trabalhando. Ia pra casa sexta-feira umas nove pra aproveitar um pouco da noite, já que sábado ia trabalhar cedo também. Dormia pouco e mostrava serviço. Achava que isso era trabalhar duro.

Mudei de ideia. Isso pra mim é trabalhar mal e ser improdutivo.

Só saí dessa batalha quando empreendi, me tornei autônomo e escolhi fazer meus horários. Hoje, acordo naturalmente todos os dias. Não uso despertador. Vou dormir quando o sono vem. Aos poucos, ele se regulou, são 8 horas diárias de sono tranquilo. Não fico dormindo até meio-dia. Acordo cedo, durmo cedo, sou produtivo no meu tempo, meu corpo se acostumou a não ser acordado.

Arianna Huffington é uma mulher incrível que já fez muita coisa, inclusive o Huffington Post. Ela coloca a qualidade do sono como uma medida de sucesso. E eu concordo.

Não te parece absurdo alguém controlar o horário em que somos autorizados a ir ao banheiro, comer ou dormir? Nossas necessidades fisiológicas não deveriam ser um direito intocável e universal?

Precisamos valorizar o sono, respeitar nossos corpos e criar acordos e horários mais inteligentes pra todo mundo.

Bons sonhos.