Sobre dinheiro e escolhas

Grana talvez seja uma das invenções mais intrigantes da humanidade. Uma convenção que inicialmente foi baseada em coisas escassas e hoje é um número arbitrário que representa determinada força de trabalho, ou bem.

E também segurança, liberdade, medo, comida, plano de saúde, chocolate, anel de ouro, água potável. Várias questões dignas de terapia.

Mas o dinheiro é neutro. Não julga, não faz escolhas, não pede, não obriga. É só papel, plástico, ou bits. Apesar de toda emoção que teimamos em pôr na conta.

No fim, quem dá significado somos nós, pessoas. Nós que criamos e damos valor em cada decisão que tomamos. É sempre uma opção fazer a grana te libertar ou te prender. Através dela dominar ou ser dominado. Ou, ainda, encontrar mais caminhos.

Quando a gente vê uma série, lê um romance, assiste um filme, tem impressões sobre o personagem a partir das escolhas que ele faz. Ele é as escolhas que faz. Mau, perverso, generoso, corajoso, ambicioso.

Dinheiro é tipo isso. Um artifício pra gente tomar decisões na vida e criar símbolos pra nós mesmos sobre quem somos, no que acreditamos e como queremos que o mundo seja. Olha o tamanho do valor que a gente põe nele.

Nossa relação com a vida é tão saudável, ou doentia, quanto as escolhas de consumo - e também de receita - que fazemos.

Porque o dinheiro é só uma ferramenta, às vezes uma desculpa, para fazermos nossas escolhas. E são nossas escolhas que definem nosso "personagem" e moldam o mundo em que vivemos.