Como lidar com tantos projetos

Matheus deu uma vasculhada neste site e nos projetos que desenvolvo. Me mandou um email com uma pergunta.

“O que mais me intrigou foi o seguinte: como você consegue lidar com tantos projetos diferentes ao mesmo tempo, de forma a estarem todos funcionando bem?

Vivo querendo criar um monte de coisa também, mas sempre esbarro numa crença de que preciso ter mais foco, que não posso fazer tudo bem feito se espalhar minha atenção... E acabo travando um pouco.”

Não tenho uma resposta certeira. Mas sua pergunta me fez refletir. Compartilho aqui algumas reflexões.

O que é funcionar bem?
O bom funcionamento é relativo. Os critérios de sucesso de um são diferentes de outro. No meu olhar, quanto mais conectado com o que estou fazendo no momento, melhor está funcionando. Não estou preocupado com qualidade, mas com aprendizado. Qualidade vem da prática, da experiência, da quantidade. Vem da entrega constante. Faz, entrega, aprende, repete. Assim as coisas fluem de um jeito ou outro.

Mas às vezes sinto que as coisas não funcionam bem
E aí só insisto se o projeto realmente me toca, se é “hell yeah”. Geralmente, desisto para liberar tempo para outras coisas que me interessam mais. A verdade é que desisto de muitas coisas. Aprendi a desapegar. Ao longo do tempo, descobrimos mais sobre o que nos interessa e vamos evitando roubadas. Antes disso, só experimentando mesmo.

Faço uma coisa de cada vez
“Você pode fazer qualquer coisa, mas não pode fazer tudo”, alguém disse um dia. Trabalho em uma coisa de cada vez. E acabo focando no que estou fazendo. Depois, quando sinto que é hora de tocar outro projeto, procuro estar presente nele. Crio na hora de criar, tomo decisões na hora de tomar. Interromper o trabalho com outro trabalho faz com que nem um, nem outro, seja realizado e a gente fique num limbo.

Autonomia
Minha palavra favorita. Não quero ser escravo dos meus próprios projetos. Se algum deles está bloqueando outro, ou diminuindo minha qualidade de vida, hora de sair fora. Também não quero que outras pessoas sejam escravizadas. Costumo escolher com quem trabalho baseado nesse critério. Crio coisas que, na maioria das vezes, não dependem de mim, nem de ninguém, ao longo do tempo. Não tenho funcionários, apenas parceiros. Não tenho propriedade sobre nenhum negócio. Sou remunerado apenas pelo que estou entregando no momento. Me esforço para abrir mão do controle e não criar expectativas. No trabalho tradicional, a gente desperdiça muita energia com burocracia.

Procuro identificar a todo instante o que é essencial
Quem tem um emprego, em geral, perde muito tempo fazendo coisas que não importam. O aproveitamento é baixo. Muito trabalho, muito estresse e pouco valor gerado. Quando você aprende a trabalhar de forma autônoma, identificando o que é mais importante, você tem a chance de ir direto ao ponto: dar forma aos projetos e entregar valor. E aí, amigo, cada enxadada é uma minhoca.

Precisamos ter foco?
Não acredito que a gente precise ter foco em um único projeto ou profissão pra vida. Esse tempo passou. Nós mudamos, descobrimos novos gostos e habilidades com o tempo. E que bom. Entendo que alguns projetos precisam de mais esforço. Mas isso não significa que precisamos matar todas as outras coisas que desejamos. Acredito muito mais em focar uma coisa de cada vez do que focar em uma única coisa.

E o mais importante
Não vejo televisão (se bem que no momento estou acompanhando o futebol feminino nas Olimpíadas).