A morte é um dia que vale a pena viver

Hoje faz três anos que meu pai morreu. E como é difícil pensar e falar de morte. Mas acredito que é muito importante falar sobre luto.

De vez em quando, me pego pensando. Lembrando dos últimos dias com ele, ou pensando no que não conseguimos viver juntos. A tristeza vem, vou sentindo ela.

Quando consigo ir além, pouco a pouco, vou me lembrando da vida que compartilhamos, pai e filho.

Resgato lembranças, bons momentos. Brincadeiras de infância, idas aos jogos do Palmeiras, conversas sobre política, história, economia. Nossas manhãs de domingo na banca de jornal. Quando ele descreveu detalhadamente todas as atividades profissionais que exerceu - foram dezenas. Quando contou emocionado sobre o dia mais feliz da vida dele, o dia que nasci. Quando caminhamos na praia conversando sobre o sentido de tudo e as coisas que o mundo nos reserva.

E aí não tem como não transformar o sentimento de tristeza em gratidão. Sou grato por ter vivido 28 anos com meu pai. Ter tido esse cara como pai, amigo, companheiro. Não é justo associar alguém que tanto amo a um sentimento ruim. Porque a vida vale a pena ser vivida. E a morte talvez seja só esse lembrete.

Deixo aqui com vocês o lindo trabalho da Ana Claudia Quintana Arantes, cheio de sensibilidade, pra todos nós que viveremos nossa morte um dia. E também acompanharemos as mortes de pessoas que amamos. Que este seja um dia cheio de vida pra todos nós.