Organizações baseadas em medo

99,99% das organizações têm na sua pedra fundamental o medo.

Veja bem, não são todas, tem 0,01% sobrando aí.

Fonte: Data Larusso.

Instituições, organizações, corporações são feitas de pessoas.

E nós, as pessoas, morremos de medo.

Você pode acreditar que a sua organização é diferente.

“Não somos movidos a medo. Temos visão, missão, valores, blá, blá, blá."

Mas imagine a possibilidade da sua empresa acabar hoje, ou te mandar embora agora.

O que você verdadeiramente sente ao pensar nisso?

Se não for medo, deve ser alívio.

Se é alívio, provavelmente já existe aí o forte desejo de sair.

Mas você não sai, porque tem medo.

Ou seja, o que mantém as coisas é o medo.

A base de tudo é o medo.

As decisões são baseadas no medo.

As tarefas são baseadas no medo.

A hierarquia é baseada no medo.

Os serviços e produtos são baseados no medo.

Vamos fazer uma reunião (porque estamos veladamente com medo).

O medo do cliente não vir, não entender.

O medo do mercado não receber bem.

O medo do chefe não gostar.

O medo dos empregados não gostarem.

O medo de ser mandado embora.

O medo de ficar sem dinheiro.

O medo de não ser reconhecido.

O medo da concorrência.

O medo de padecer num mundo competitivo, escasso e cruel.

O medo que, lá no fundo, é o medo do desconhecido, do mistério, do não saber, da morte.

Medo é parte da vida. Não é mau, nem bom. É desconfortável. Mas é o que é e sempre existirá.

Nossas organizações, ricas e sábias, pobres e novatas, todas elas, cheias de pessoas que vivem medo todo dia, sem mal tocarem no assunto.

Estou com uma hipótese.

Só há um tipo de organização que não é baseada em medo. A des-organização. Ou auto-organização. A organização que confia incondicionalmente.

Aquele raro 0,01% vagabundo.

É aquele raro momento efêmero em que trabalhamos pela experimentação, autonomia, entrega, generosidade e compaixão.

O pequeno instante de fluxo. No talo. Sem medo da liberdade.