Pare de se preparar

Passei anos na escola me preparando pra faculdade.

Depois, anos na faculdade me preparando pro trabalho.

E mais anos no trabalho, me preparando pra quê mesmo?

A gente vive em uma cultura que nos faz acreditar que precisamos sempre saber mais do que sabemos.

A ideia de que não estamos prontos é cruel. Ela nos pressiona para sempre estarmos correndo atrás de mais conhecimento, mais qualificação, mais formação.

Supervalorizamos o conhecimento teórico e subestimamos o fazer prático.

Liquidamos nossa segurança e autoestima ao nos compararmos com o próximo degrau do saber.

Alimentamos nossa ansiedade, ao criarmos uma expectativa pelo futuro, deixando de viver agora.

Num mundo que se transforma rapidinho, toda informação está potencialmente disponível. É loucura acreditar que chegará o dia em que já lemos o suficiente, aprendemos o que tínhamos que aprender e estamos prontos para, finalmente, dar nossa contribuição.

Não quero dizer aqui que a gente não deve, ou não precisa, ler, escutar, aprender. É claro que inspiração e uma boa dieta de conteúdo alimenta a alma.

O lance é que a gente também tem que entregar. É necessário um equilíbrio entre receber e dar. Escutar e falar. Ler e escrever.

Os maiores artistas, escritores, criadores, empreendedores, fazedores são também espectadores, leitores, consumidores, conectores, observadores. Tudo ao mesmo tempo, alternadamente.

Por isso, se eu puder sugerir, não somente leia blogs, veja videos, faça cursos, assista palestras, peça ajuda. Pare de se preparar e crie sua história, compartilhe seus aprendizados, se expresse através da sua arte, dança, seus desenhos e gritos.

Só encher a cabeça cansa e adia nossa criação genuína. Pequenos e constantes passos que entregam algo pra alguém são tão importantes quanto nos manter aprendendo coisas novas.

Como todo humano, a gente tem a capacidade de expressar nossos sentimentos, desejos e dúvidas desde que nascemos. Não precisamos esperar pelo momento certo, porque ele é sempre agora.