Os maiores desafios na hora de tirar os projetos do papel. E como contorná-los.

Tenho investigado há alguns anos o que faz algumas pessoas conseguirem ter ideias e executá-las e outras ficarem apenas nas ideias.

Boa parte dessa pesquisa gerou insights pro livro 333 Páginas para tirar seu projeto do papel. Um livro de atividades pra você planejar, organizar, rabiscar, escrever e dar vida ao seu projeto, fazendo um pouco de cada vez.

Agrupei em sete os desafios. Mas como já temos problemas demais pra resolver, deixo minhas possíveis soluções. Se forem sugestões viáveis pra você, me conta. Se não forem, comenta também?

1 - Medo e insegurança
Sei que esse argumento é abrangente. Mas muita gente tem medo de começar, dar a cara a tapa, ir lá e fazer. Em geral, nos falta coragem. Assumir ideias e projetos como algo que queremos ver no mundo requer autoconfiança. Mais do que isso,algo que nos sentirmos suficientemente capazes de fazer exige autoconhecimento. A pergunta que me fica é: "Como você está ganhando auto-confiança?”. Em mim, tenho percebido que executar os projetos de uma maneira mais simples, menor, com mais controle me dão energia para começar e continuar. As ideias começam grandiosas, mas aquelas que realmente são feitas têm mais chance quando começam com poucos riscos. Se você quer ter um restaurante, já fez jantares na sua casa? Num evento? Prototipação e teste diminuem expectativa e pressão por perfeição. Consequentemente, diminuem medo e insegurança.

2 - Falta de equipe
É muito difícil fazer qualquer coisa sozinho. Como encontrar pessoas com habilidades complementares, visões de mundo parecidas e, ainda engajadas na sua ideia? Não, não é fácil. Mas é possível se houver abertura. Só vamos conhecer pessoas para formar uma equipe quando houver algum tipo de exposição, chamada, convite. É preciso se abrir para receber. Um exemplo é o próprio livro 333 Páginas. A ideia só saiu do papel quando convidei mais dois amigos, o Gab Gomes e o Luciano Braga para entrarem nessa comigo. Não tem jeito, pra trabalhar com mais gente é preciso perguntar, pedir, chamar, se abrir. Falar sobre a ideia, pedir indicações, compartilhar. Não gosto de ideias secretas. Elas são muito mais improváveis de acontecerem do que ideias amplamente conversadas e abertas.

3 - Falta de tempo e organização
Aquela história. Todos temos as mesmas 24 horas todos os dias. A grande questão é o uso que fazemos delas. As escolhas que tomamos definem o que concluiremos, os dias que levaremos e até as emoções que sentiremos. Por isso, considero fundamental saber dizer não, priorizar, fazer melhores escolhas. Poderia estar assistindo um nova série no Netflix. Mas estou aqui, escrevendo pra você. Dizer sim pra tudo tem o custo de dizer não pra todas as outras coisas. Se tua ideia é importante pra você, privilegie ela, abandone algo para que ela se encaixe na sua rotina.

4 - Falta de grana e financiamento
“Não tenho grana pra fazer o que eu quero.” é uma desculpa muito fácil de se dar. E talvez ainda mais fácil de contornar. O primeiro passo é sobre aceitar os recursos que a gente já tem e fazer o máximo possível com eles. Sempre é possível fazer algo agora. Uma primeira versão, um teste, uma tentativa. Não é o ideal, mas é muito maior do que ficar na ideia. O verdadeiro desafio não é conseguir dinheiro, mas conseguir entregar nosso valor com o que já temos. Com as habilidades, contatos e estrutura que já temos a disposição. Com este computador, com estes amigos, com este material que já está nas suas mãos. Com a grana que você poderia perder. Conseguindo tirar uma amostra do seu projeto do papel com o que você já tem, pouco a pouco, é muito mais provável adicionar camadas de complexidade.

5 - Indisciplina para começar
Como você funciona em relação aos seus compromissos? Você fura? Você chega cedo? Você precisa de um horário? Precisa pagar para estudar? Precisa ser pago pra trabalhar? Precisa se comprometer com outras pessoas? Entender os gatilhos que te ajudam pode criar disciplina no trabalho. Autonomia e poder sobre o tempo é uma criação de hábito. Eu, por exemplo, gosto de me comprometer publicamente. Digo pra todo mundo no facebook, conto pros amigos o que e quando vou fazer. Porque eu não quero decepcionar ninguém. Então, vou lá e faço.

6 - Falta de ritmo e recorrência
Não basta começar. É preciso continuar. Nem sempre será fácil. Na verdade, se a gente quer se comprometer com algo por muito tempo, teremos muitos altos e baixos. Se a gente está desanimado por algo, será que realmente queremos fazer? Se não queremos, por que fazer? O jeito é fazer aquilo que amamos profundamente. Quando tem paixão visceral, o ritmo vem. Ou, ainda melhor, quando temos uma visão de futuro, algo que está se construindo e precisa ser feito agora, a motivação cresce. Gosto de enxergar a jornada a partir de pequenos passos, experimentais, tornando ela mais leve. Quando a gente vê, de pouquinho em pouquinho, algo massivo foi construído sem o peso da grandiosidade.

7 - Falta de clareza
“Que ideia é essa? Que projeto é esse? Pra quem ele é? Que problema ele resolve?” Acredito que clareza e significado a gente forja. Como uma espada. Você nunca fez uma? A gente vai afiando, pouco a pouco, ela vai tomando forma. As ideias não nascem prontas, claras, objetivas. Elas vão ganhando sentido na medida que a gente vai compartilhando, conversando, entregando. A confusão começa a virar clareza com trabalho. Tenta escrever, falar. Faz uma página no facebook, cria um Power Point. Depois, mostra pra alguém e escuta. Quando incorporamos as impressões alheias entramos no processo de lapidação. Nada nasce pronto.

Se você quiser começar seu projeto de uma vez por todas, fica aqui mais uma vez meu merchan. Tem uma nova leva do livro que vai te conduzir nesse processo, o 333 Páginas para tirar seu projeto do papel.