Como encontrar seu propósito

O texto de hoje é arriscado.

Estamos vivendo tempos de busca por mais significado no trabalho, na vida. “Faço o que você ama”, “seja você mesmo”, essas coisas que eu realmente vejo como privilégios.

Se antigamente ser bem pago e conquistar reconhecimento social bastava, hoje parece que falta algo a mais para nos satisfazermos profissionalmente.

Mas, o quê?

O texto de hoje é arriscado porque corro o risco de reforçar a perigosa ideia de que todo mundo tem Um Propósito e que, se você ainda não encontrou o seu, está ficando pra trás.

O texto de hoje é arriscado porque corro o risco de reforçar a perigosa ideia de que precisamos encontrar "o santo graal da pós-modernidade” para, aí sim, viver uma vida que valha a pena.

O texto de hoje é arriscado porque corro o risco de reforçar a perigosa ideia de que realmente existe algo mágico e revelador a ser encontrado.

O texto de hoje é arriscado porque corro o risco de simplificar uma questão muito complexa.

Ainda assim, sigo em frente. Por que não tratar com leveza essas coisas complicadas da vida e começar com o que temos, não é mesmo?

Não acredito que estamos numa corrida, não acredito que encontrar um propósito seja um pré-requisito pra qualquer coisa, não acredito que temos um único propósito - às vezes questiono se temos algum.

Entendo essa busca por propósito, principalmente no trabalho, como um caminho, uma tentativa de clarear uma visão de mundo, uma construção em curso por toda a vida toda.

No meio do caminho, a gente vai encontrando pistas. Algumas falsas. Mas, ainda assim, valiosas.

Propósito, pra mim, não é uma frase, nem uma ideia fechada.

É uma intenção em permanente construção.

Talvez seja muito difícil cravar “seu propósito” apenas com palavras.

Ainda assim, essa busca faz da nossa jornada, no mínimo, uma história interessante.

Mas e então? Como nós podemos, mais do que encontrar, buscar esse tal de propósito, essa tal motivação, essência, ikigai, razão, essa história pra contar?

Deixo aqui algumas ideias iniciais. Se quiser completar, sinta-se à vontade.

Experimente coisas diferentes

Se você, como eu, não sabe muitas vezes por onde começar, experimente. Teste, se envolva com pessoas, projetos e ideias improváveis. É visitando outros mundos que abrimos nossas cabeças e criamos novos caminhos.

Se pergunte “por quê?”

Por que você faz o que você faz? Por que você acorda todos os dias? Por que isso, ou aquilo, te toca? Por quê? Por quê? Por quê?

Forje seu propósito

Adoro essa ideia. Nós podemos criar significado em torno das coisas que vivemos, percebemos, descobrimos. A gente é que cria a moral da história que queremos contar.

Comece sem se sentir pronto

E se você já estiver pronto pra fazer suas coisas, sem se dar conta? Comece sem saber qual é o propósito. É no caminho que a gente vai (se) descobrindo.

Investigue sua história

Quais eram seus sonhos quando criança? Quais foram os pontos altos e baixos da sua vida? Quem são as pessoas que você admira e que te influenciaram? Quais são os pontos que se conectam, quando você olha pra trás? Quais são os valores que te guiaram?

Escolha uma briga pra enfrentar

Que causa, problema, “inimigo” te move? Qual é a briga que, pra você, vale a pena se envolver?

Imagine um mundo ideal

Talvez construí-lo seja seu propósito.

Conecte-se, entregue valor

Dê ao mundo o que você faz de melhor, com generosidade e regularidade. O que será que o mundo vai te devolver?

Busque auto-conhecimento

Ainda acredito que essa jornada é sobre a gente mesmo. O que a gente faz, nossas profissões, nossas dúvidas, tudo é uma investigação sobre quem somos. Meditação, busca por espiritualidade, empreendedorismo, arte podem ser caminhos pra você.