Quando você morrer, sua caixa de entrada ainda estará cheia.

James Victore me presenteou com essa. "Quando você morrer, sua caixa de entrada ainda estará cheia.”

Está cheia agora. Estava ontem e estará amanhã. Mesmo quando eu zerar, vão vir novos emails, mais louça pra lavar e trabalhos pra entregar.

Esta é nossa condição. Precisamos conviver com as tarefas a serem feitas, elas não vão se acabar. Aliás, precisamos viver bem, com tempo, qualidade, boa companhia, consciência e paz. Ainda que com uma “to-do list” gigantesca.

História um. James foi convidado por sua esposa pra sair. Ainda que estivesse ocupado e cheio de coisas pra fazer. Ela sabia que ele estaria sempre ocupado. Sempre. Sua cabeça explodiu. Primeiro, veio o ego: “meu deus, tenho muita coisa pra fazer, o estúdio, o workshop, o livro, etc”. Mas, quando ele morrer, a caixa de entrada ainda estará cheia. Ainda terá coisas pra fazer, o estúdio ainda precisará ser limpo. Não podemos deixar nossos trabalhos arruinarem nossas vidas. 

História dois. Quando eu trabalhava numa agência de publicidade, estava num job “urgente" que era pra segunda, trabalhando num domingo. Meus colegas de trabalho receberam visitas dos filhos e esposas. Assim como os presidiários em dia de visita. Eles não passaram o domingo em família. Mas suas famílias tiveram que ir visitá-los.

História três. Uma grande executiva não toma água porque não pode interromper seu trabalho tão importante pra ir ao banheiro. Estive pensando, qualquer ser vivo com sede prefere tomar água do que fazer outra coisa. Muito esperta essa executiva, não?

Gente, precisamos sair. Precisamos nos conectar. Precisamos nos cuidar. Precisamos dedicar tempo e investir energia nas pessoas e nas coisas que a gente realmente quer fazer.

Porque não vai ter depois. Não vai ter tempo livre depois da caixa de entrada vazia pra fazer o que realmente importa.

Não vai ter lápide “Fulano de tal. Respondeu 230 mil emails”. As memórias que vão ficar são do quão gentil fomos, do legado que deixamos, da arte que entregamos.

Temos forte tendência a nos apegar às armadilhas da mente. Às projeções de um futuro, a ideia de que é preciso sofrer para construir as coisas, às comparações com os outros.

Se nossos trabalhos não nos ajudam a viver os dias que queremos viver agora, tem algo pra ser olhado com muito cuidado.

Se o custo de fazer o que fazemos significa prejudicar nossa saúde, dormirmos pior, comermos pior, nos relacionarmos com as pessoas de um jeito menos atencioso, com menos presença, este custo realmente vale a pena?

Talvez o maior significado que nossos trabalhos podem ter é nos ajudar a vivermos bem, sem prejudicar a vida dos outros seres. Agora. Não depois de zerarmos os emails.

Quando você morrer, sua caixa de entrada ainda estará cheia.