Fatiou, passou

Entediado. Sem saber por onde começar. Cheio de coisas pra fazer. Pra todas as situações, fatiou, passou.

Aquela conexão que você sempre quis fazer. O projeto que está só no mundo das ideias. O negócio que você deseja empreender, mas não sabe por onde começar. Fatiou, passou.

Hoje é um dia que escrevo. Enquanto fico pensando na pauta, vem mil pensamentos, dúvidas e angústias. Vou adiando e a tensão vai aumentando. Mas só depois que abro meu editor de textos que a coisa muda. A ação começa e o texto vai nascendo a partir do fazer. Publicar é o objetivo. Mas, antes, é preciso ligar o computador, abrir o bloco de notas e soltar as primeiras palavras. Fatiei, passou.

Gab Gomes fala de um gatilho. Uma ação que desperta toda a cadeia de outras ações que constituem uma grande tarefa. Você quer correr, mas a preguiça fala mais alto. Se você ligar a TV, vai zapear a programação. Mas, se você pôr o tênis, vai correr. Dificilmente esse dia vai ficar sem corrida. O simples gesto de pôr o tênis nos leva adiante. Fatiou, passou.

Abre o email, escreve, envia. Cada ação é importante sim. Não é só mandar um email. As micro-ações quando realizadas dão ânimo e energia pra próxima. Depois do email estar aberto, não tem jeito, a próxima coisa é escrever. Você pode, sempre, desistir. Mas depois de estar no meio do caminho, é muito mais improvável isso acontecer. Qual é o caminho? Tente quebrar em pequenos pedacinhos. Fatiou, passou.

Antes de começar, a gente cria antecipação de problemas, traz os medos do que pode vir a acontecer. Em geral, analisamos, alisamos as ideias e paralisamos. Por outro lado, enquanto estamos realizando uma tarefa, a ação mais importante é a ação do momento. Cada tarefinha executada constitui uma grande entrega. Fatiou, passou.

Quão mais fatiado for um projeto, mais claras são as tarefas a serem realizadas. E quanto mais claras, fáceis e óbvias, mais difícil é a gente não fazer. Pega uma tarefa complexa e divide em ações que não demorariam mais do que cinco minutos para serem realizadas. Escreve no papel mesmo. Fatia e passa.

Escrever um livro é difícil. Mas sentar na cadeira é fácil. Ligar o computador também. Escrever sobre uma ideia. E depois outra. Primeiro do jeito mais simples. Depois, melhorar um pouco. Tudo isso é possível e real quando estamos descrevendo em detalhes tarefas realizáveis em cinco minutos. Mas quando pensamos na homérica tarefa “escrever um livro” fica realmente mais complicado. Por isso, fatie. Fatie e passe pra próxima.

O que você precisa fazer para fazer o que você quer fazer?

O que você pode fazer que cria mais valor?

O que você pode fazer que entrega mais valor?

O que você pode fazer que te faria receber mais valor?

Para cada uma dessas respostas, como você pode fatiar as ações em pedacinhos muito simples?