O que fazemos para cultivar amor em nossas vidas?

O ideal romântico prega que amor é essa coisa mágica, espontânea e imprevisível, que geralmente acontece ente um casal.

Estamos mergulhados nessa cultura, alimentados por novelas, Hollywood, família, padrão social.

Mas amor não é só o sentimento que une pombinhos.

Estive lendo Roman Krznaric, e ele me convenceu, tudo isso é coisa nova nessa tal de humanidade.

Se a gente parar pra olhar, sem medo de sentimentalismo, amor é um conceito que guarda muitos significados.

Entender um pouquinho sobre as diferentes faces do sentimento que "arde sem se ver" pode nos conectar, nos impulsionar, nos realizar, para além do amor romântico - que é delicioso, também.

Na Grécia Antiga, existiam pelo menos seis palavras para descrever o que, hoje, encaixotamos em uma só, "amor”.

A grosso modo, em “Sobre a arte de viver: Lições da história para uma vida melhor” pesquei:

Eros - paixão, desejo sexual, tem a ver com relacionamentos amorosos românticos.

Philia - algo como amizade, cumplicidade desapaixonada.

Ludus - aquela proximidade brincalhona entre crianças ou amantes.

Pragma - amor maduro, com profunda compreensão entre casais de muitos anos.

Agape - amor altruísta, incondicional, a todos os seres e sem exclusividade.

Philautia - amor próprio, talvez algo como auto estima.

Pra qualquer situação, dizemos “com amor, Fulano”, “eu te amo”, “que amor!”, “o amor da minha vida”, “faça o que você ama”, “amei!”. A mesma palavra, diferentes contextos e significados.

Quando muita ideia usa uma palavra só, não podia dar outra coisa que não fosse expectativa e confusão.

Depositar em uma pessoa só, em um trabalho só, em uma projeção de si, em um único desejo toda nossa necessidade de amor torna improvável nossa sensação de realização.

Porque precisamos de eros, mas também de philia, ludus, pragma, agape e philautia. Não dá pra escolher entre um ou outro.

Quanto do nosso tempo e energia dedicamos a cada um dos tipos de amores? Como podemos, intencionalmente, cultivar e criar espaços em nossas vidas para vivermos com amor(es)?

Essas são perguntas que deixo pra gente sentir, processar, experimentar. Porque sinto que esta é uma jornada pra viver a vida toda.


PS.: Me desculpe pelo atraso neste post. Tive uns contra-tempos familiares (movido pela philia), mas já está tudo bem. Com amor, Larusso.