Consistência e paciência

"O primeiro passo é inventar uma coisa que merece ser feita, uma história que merece ser contada, uma contribuição que merece uma conversa a respeito.
O segundo passo é desenhar e construir de um jeito que as pessoas vão se beneficiar e se importar.
O terceiro passo é um que deixa todo mundo em polvorosa. Este é o passo em que você conta a história para as pessoas certas, do jeito certo.
O último passo é muitas vezes esquecido: É a parte em que você se apresenta, regularmente, consistentemente e generosamente, por anos e anos, para organizar e construir confiança na mudança que você quer proporcionar.” - Seth Godin.

Veio a internet e a gente achou que todos os resultados viriam rápido.

Mas não. Nada mudou tanto assim. Consistência e paciência ainda são virtudes.

Eu sei que é péssimo para uma mente ansiosa ler isso.

No entanto, sofrer pela antecipação de resultados será frequente se não entendermos mais sobre nossos processos internos e o tempo que as coisas levam para acontecer.

Pode ser mais fácil começar, criar uma oferta, se posicionar, entregar seu valor num mundo digital, que vangloria empreendedores e nos faz acreditar que todo mundo pode.

Mas não é por isso que criar confiança, reputação e maturidade exigirá menos tempo de trabalho e dedicação. Já escrevi sobre plantar. Hoje, é sobre regar.

Estava conversando com grandes amigos, nossa vivência ensinou que para um negócio inovador atingir seu ponto de equilíbrio, no Brasil, são necessários uns sete anos.

Sete longos anos de investimento de energia, de trabalho, eventualmente de dinheiro. Por dias e dias, custos calculados, aprendizados profundos e construção de comunidade são o mote.

Começar e, no dia seguinte, viver de uma nova atividade é tão improvável quanto ganhar na megasena. Criar um trabalho relevante, fazer valor inédito não é uma prova de cem metros.

Intensidade é importante, mas ninguém consegue viver por um longo tempo trabalhando exaustivamente. Essa jornada é mais uma maratona do que um tiro curto.

Por isso, nos resta a opção da resiliência, curtir o caminho que for possível e viver o trabalho chato, nos moldando ao redor dele. Nos sustentando, equilibrando prato e chamando mais pro show. Não é simples mesmo.

Tem coisas que a gente acha que podem ser corta-caminhos. Cursos, imersões, coach, programas, conexões. Pode até ajudar, mas não tem jeito.

A gente ainda precisa de cancha, experiência, quilometragem rodada pelas próprias pernas, cada passo precisa ser dado, sentido, vivido.

Passar dois anos escrevendo e publicando diariamente foi mais importante do que começar. Foi mais importante do que escrever um ou outro texto bacana.

A consistência, cheia de altos e baixos, é mais valiosa do que uma única e “perfeita” entrega.

Existe um momento em que a árvore pode até ter raízes longas e profundas o suficiente pra alcançar sua própria água. Antes disso, o jeito é regar.