Não leia este texto. Vá dar uma volta.

Acabei de voltar de um passeio indescritível de Stand Up Paddle na Lagoa do Peri, em Florianópolis.

Teve trilha, cachoeira, amigos, picnic, quedas e risadas.

Meu corpo dói, alguns músculos esquecidos foram acordados, o cansaço atrapalha a digitação.

Mas estou muito feliz. Hoje é um dia inesquecível, em que eu vivi.

Como é bom fazer outra coisa. Outra coisa que não é o de sempre. Outra coisa que não envolva um retângulo brilhoso, seja TV, PC ou mobile.

Eu sei que você, que está aí do outro lado lendo, deve estar imerso no próximo email, na tarefa a ser feita, no trabalho que começa, no tempo perdido no celular.

Estar nesse lugar é cômodo, previsível, inebriante - não vai sair nada daí. Jamais guardaremos na memória o dia que passamos na internet.

Sair desse lugar é difícil, improvável, misterioso - e pode nos dar um banho de vida. Pra sempre guardaremos na memória o dia em que tomamos banho de cachoeira.

Quando foi a última vez que a gente fez algo novo pela primeira vez?

Quando foi a última vez que a gente se encontrou com os amigos para brincar?

Quando foi a última vez que a gente leu um textão, problematizou, debateu, convenceu e saiu feliz dessa, apesar da dor nas juntas?

Precisamos ver menos Youtube e sair mais de casa para uma longa caminhada e olhar as mesmas coisas por outros ângulos.

Precisamos debater menos pelo Whatsapp e jogar mais conversa fora, cara a cara e conversar profundidades com olho no olho.

Precisamos curtir menos fotos no Instagram e subir mais em árvores, fazer elogios sinceros e convites ousados.

A gente vai entrando nessas bolhas de felicidade de instagram, zueiras de twitter, reclamações de facebook e deixa de viver a vida, né?

Desculpe, Zuckerberg, mas não tem como curtir foto do passeio, porque eu não vou publicar. Mas pode ficar tranquilo, porque eu curti o rolê demais.