Comunicar como empresas ou pessoa?

Estamos vivendo, agora mais rapidamente, mudanças no trabalho, no emprego, em como somos vistos profissionalmente.

Vira e mexe me deparo com pessoas em dúvida, se devem se criar uma marca, uma empresa, ou investir no seu próprio nome para se posicionarem profissionalmente.

Um site com nome de empresa ou um site com o nome pessoal? Quem sabe os dois?

Não tem como acreditar numa resposta única, que valha pra todo mundo, em qualquer situação.

Mas uma coisa é fato, o panorâma do trabalho autônomo hoje vai para além de arquitetos, dentistas, advogados, designers. E deve crescer.

Pessoas multi-potenciais, que têm mais de uma profissão, trabalham em mais de um projeto ou fazem coisas difíceis de explicar estão encontrando seus espaços.

Estamos vivendo a emergência de modelos distribuídos, auto-organizados, exponenciais, peer-to-peer de trabalho.

Aliás, vida pessoal e profissional são cada vez mais uma coisa só.

E outra, em tempos de automatização, o que sobrará quando nossos trabalhos forem feitos por máquinas?

Ao meu ver, a resposta gira em torno de mais trabalho por projeto, por confiança, por relação, com autenticidade, começo, meio e fim. E menos por emprego, por currículo, por processo seletivo, cargos e com rompimentos unilaterais.

Apesar de o modelo tradicional ser muito mais difundido, é sempre uma escolha se apegar ao que está sucumbindo ou abraçar o novo.

No novo, há mais liberdade, e outro tipo de segurança. Mais mobilidade, e outro tipo de estabilidade. A segurança deixa de estar na organização, na instituição, e passa a estar distrubuída, nas relações e no legado de um profissional. A establidade tem mais a ver com confiança e apoio do que com previsibilidade.

Nesse cenário, me parece fazer muito sentido comunicar um leque de possibilidades profissionais, um conjunto em permanente construção de habilidades e valores que se pode entregar, para além do que se faz hoje. O que fiz, o que estou fazendo, o que estou aprendendo é tão, ou mais, importante do que os cargos que ocupei. E abre caminhos pro futuro.

É muito improvável constuir um posicionamento complexo dentro de uma empresa, ou através de uma marca. Porque um emprego te dá o job description, uma empresa diz o que faz. Ainda que a história construída seja ótima, ela é, em geral, restrita ao pessoal do escritório, aos clientes mais próximos, a propósitos abstratos e não-humanos. O valor do trabalho raramente extrapola os limites da empresa.

Hoje, podemos inverter o guarda-chuva. Não precisamos estar embaixo de um nome maior, uma empresa para nos proteger. Podemos colocar nossas experiências profissionais, cada projeto, empresa, parceiro, embaixo do nosso nome, nossos desejos pessoais, nossa visão de mundo.

Isso não significa que não precisamos dar nomes pros projetos, nem construir empresas. Nesse sentido, pouco muda. Tem gente que confia mais em empresa do que em gente, vai entender.

Mas a lógica de comunicação é que sofre grandes transformações. Temos agora a oportunidade de usar nossas vozes, imprimir no nosso trabalho a nossa personalidade, assinar com pessoalidade. E ainda colocar entre as coisas que a gente faz as empresas que nos ajudam a pôr no mundo o que acreditamos.