Não estamos na mesma

Não somos bons em perceber mudanças.

A evolução da humanidade nos fez seres extremamente adaptáveis.

Só estamos aqui, até agora, porque a gente se adapta muito bem.

Relações abusivas, ambiente inóspito, compreensão rasa, opressão, dor, sofrimento.

Seja a condição que for, a gente dá um jeito, se acostuma ao longo do tempo, incorpora na vida e seguimos.

Mas as coisas mudam. Nós também. Está tudo mudando o tempo inteiro. Nada foi sempre assim.

Se nos olharmos no espelho agora, enxergaremos uma pessoa muito diferente daquela que víamos há 10 anos atrás.

Estamos mudando o tempo inteiro. Mas não nos damos conta da mudança porque estamos imersos nela.

É como um longo filme, vai acontecendo, rolando, e quando a gente vê, acabou. É um fluxo só.

Não é como as fotos de antes e depois. Um retrato no começo, outro no fim. A transformação escancarada, comparada.

Nossa trajetória parece lenta e repetitiva se a gente não percebe as mudanças.

E não tem jeito, precisamos contrastar, lembrar como era, observar atentamente como é, sonhar com o que pode vir a ser.

Por que se a gente não percebe nossa própria transformação, caímos na falácia de que estamos sempre na mesma.

Não estamos. Inevitavelmente, estamos evoluindo, se a gente prestar atenção.

Mas esta é uma tarefa diária, em que melhoramos ao longo do tempo.

Ganhar (auto)consciência é um presente que a gente pode se dar.


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Bem escritos na janela do Braga.