Meu último aprendizado... bem, ele não é o último

Toda semana eu minto. Não estou escrevendo sobre meu último aprendizado.

E sim sobre algum aprendizado mais solidificado do que o último.

Algo que aprendi. Não estou mais aprendendo. E nem é recente. Cresceu vagarosamente pelo tempo até se tornar ideia e, então, texto.

Os últimos, verdadeiramente últimos, aprendizados ainda estão verdes, em processo, sedimentando, ganhando forma e palavras na minha cabeça.

Talvez, daqui umas semanas ou anos se transformem em texto. Talvez não. Talvez virem prática. Talvez não.

Aprendizados precisam de contraste, contrapontos, contato com realidades, ritmo, pares, tempo.

A ação está sempre atrasada em relação ao aprendizado abstrato.

Ou na frente, adiantada, instintiva, como uma brincadeira que depois de um tempão vira razão.

Agir, fazer, se mexer, exige muito mais do que pensar, entender, compreender.

Descobrimos, imaginamos, processamos, experimentamos e só depois esse bolo mental vira prática e, muito depois, hábito.

Nunca me esquecerei da definição que o amigo Guto Gutierrez me trouxe para sucesso e fracasso.

“Sucesso é o estado em que estamos prontos para aprender. Fracasso é o estado em que estamos aprendendo.”

Enquanto estamos aprendendo, estamos fracassando, não incorporamos as descobertas ainda. É tudo torto e incoerente.

Talvez por isso que a gente sabe a importância, mas não composta, não pratica exercício, não come bem, não é generoso, emptático, nem tem tanto auto-cuidado assim.

A gente sabe o que tem que fazer. Mas fazer é outro quinhentos.

É por isso que tenho buscado mais tolerância. Comigo e com os outros.

A coerência entre o pensar, aprender, fazer e conseguir é granular através do tempo.

Estamos todos aprendendo, tentando, fazendo o que nossos aprendizados incompletos nos permitem fazer.