Um pálido ponto azul de 4 bilhões de anos

Um amigo certa vez me contou que, para meditar, se concentra em lembrar quão infinito é o tempo, e quão grande é o universo.

Em 2013, tive a oportunidade de viver uma das experiências mais significativas da minha vida. O Deep Time Walk, que agora tem app.

Na Schumacher College, caminhei em grupo por 4,6 quilômetros, mentalizando que cada passo dado, de mais ou menos um metro, representava um milhão de anos de evolução da Terra.

Afasta uma mão da outra, pensa em um metro. Imagina que ele representa um milhão de anos. Um milhão. Agora multiplica isso por 4600. Essa é a idade da Terra.

Ao longo da caminhada, o professor Stephan Harding conta a extraordiária história do nosso planetinha, desde o seu surgimento, passando por eras, (muitos) tempos sem vida, surgimento de seres primários, extinções, fogo e gelo. Gelo só mais tarde, na verdade, porque por milhões de anos não existia água.

Em 4,6 quilômetros, você consegue sentir fisicamente, no corpo, o tamanho do tempo. É espaço suficiente para cansar, se distrair, ficar com fome, sentar e pensar em quão pequena é nossa existência.

Pra ter uma ideia, depois de dar uma suadinha caminhando, no último pé, ou 35 centímetros, nasceu a humanidade. E a era Cristã tem 2 milímetros nessa régua. Milímetros.

Todos os impactos que conhecemos, o petróleo que tiramos do fundo do mar, os campos de soja, tudo que já fizemos cabem nesses centímetros finais. Tudo, tudo.

Essa experiência me voltou à cabeça quando, nessa semana, vi a foto da Voyager 1, feita em 1990, a 6 bilhões de quilômetros da Terra. Este pixel azulzinho é nosso planetão.

Pale_Blue_Dot.png

Por um lado, como conseguimos fazer tanto alvoroço e ameaçar a existência de tantas vidas em tão pouco tempo? Como somos causadores.

Por outro, esta é uma chance de reconhecer nossa pequenez, enquanto o mundão tá aí girando e evoluindo há bilhões de anos. Como somos insignificantes.

Todas as cidades do mundo, os estádios da Odebretch, a internet, os elefantes, toda comida produzida que conhecemos está aqui.

Todas as pessoas que conhecemos, nos esquecemos ou conheceremos estão ou estarão contidas nesse pequeno ponto.

Todos os nossos problemas, preocupações, certezas e mágoas estão neste pequeno ponto pálido azul.

Boa semana.