O poderoso "Comece com 'por quê'?"

“Acredito que todo ser humano merece ser mais livre e autônomo. Trabalho de forma autônoma. Sou designer.” É muito mais interessante que “sou designer, trabalho como autônomo.”

Este TED Talk tem quase 10 anos. Já foi visto 39 milhões de vezes. É o terceiro mais popular da história. Você já deve ter assistido, talvez conheça a ferramenta Golden Circle. Simon Sinek traz uma mensagem simples e forte, fortíssima.

A ideia é poderosa: a estrutura de narrativa que mais toca, convence, conecta ou desperta atenção responde, nessa ordem, às perguntas: “por quê?”, “como?” e “o quê”?

“Sou designer”, “fazemos a melhor pizza do bairro”, “trabalho com vendas”, “sou formada em administração pela UFSC”, “temos álbum de figurinhas da Copa” é o que entra por um ouvido e sai pelo outro, todos os dias. É o que deveria ficar lá pro final do texto.

“Dedico minha vida ao combate às mudanças climáticas”, “acredito na arte como forma de transformação social”, “a gente não precisa de roupas novas, a gente precisa de um novo olhar” são palavras que, no mínimo, nos fazem parar pra escutar. Deveriam estar no começo de qualquer conversa.

Começar com “por quê” nos cutuca pelo que importa, pelas nossas crenças, pela nossa visão de mundo, nos põe para sonhar, para imaginar e compartilhar um universo de possibilidades.

Começar com “o quê” nos coloca em caixinhas de percepções pré-determinadas, baseadas exclusivamente nas referências triviais que já temos. É desinteressante, não convida pra nada, encerra a conversa.

Quase todo profissional, quase toda empresa, só está dizendo o que faz. E raramente por quê faz o que faz.

Como papagaios, dizemos aos quatro ventos o que fazemos porque é fácil, é concreto, visível. 

O que você faz é substituível, é parecido com o que o outro faz, não me traz nada de novo.

A questão é que a maior parte de nós não sabe exatamente por que faz o que faz.

Ou, se a gente investigar, fazemos o que fazemos por motivos que importam pouco, por medo, só por dinheiro ou necessidade de aprovação.

Começar com o “por quê” é poderosíssimo porque não é só sobre a forma da gente se comunicar.

É sobre como escolhemos viver nossas vidas, nos relacionar, é sobre como enxergamos o mundo.

Se começamos pelo “por quê”, potencialmente temos a oportunidade de ver a vida pelas lentes dos propósitos que damos a ela. E, ao mesmo tempo, convidar quem nos lê a viajar na mesma batida.