Como resolver qualquer grande problema do mundo

Pegue qualquer problema, qualquer um.

Nossa tendência: tentar resolver com uma solução centralizadora e de larga escala.

Foi assim que chegamos em ideias como indústrias, governos, empresas.

Provavelmente, vamos acreditar que a solução poderosa e grandiosa é a mais correta, porque há uma valorização simbólica em torno das coisas grandes e do poder concentrado sobre elas.

Mas no meu exercício de futurismo, digo que vai dar errado. É como pôr todos os ovos em um cesto só.

Aumentamos a fragilidade do sistema quando dependemos de poucas alternativas.

Se uma possibilidade falhar, ela compromete a vida de muita gente. O resultado é a crise em que vivemos.

Outro jeito de resolver problemas: distribuir.

Quanto mais distribuída a solução, maior é a resiliência.

A solução mais interessante é sempre em torno da ampla variedade de possibilidades.

Ou seja, a melhor solução não é única. E sim múltipla. Precisamos de variadas e pequenas soluções.

Se você tem várias fontes de renda, tudo bem perder uma. Se existem diversas fontes de alimento, tudo bem se uma praga detonar com uma plantação.

Um relatório das Nações Unidas cravou: vamos acordar antes que seja tarde. O único jeito de alimentar todas as pessoas do mundo é através de pequenas plantações orgânicas de baixa escala.

"Legal! Vamos então valorizar o pequeno produtor. Vamos ajudar a levar essa ideia pra todo mundo e dar escala para a pequena produção."

Mais uma vez, a tentativa de centralizar e tornar grandioso. E caímos no mesmo problema.

Quem vai "salvar o mundo" não é o pequeno produtor, nem o grande, nem o governo, nem as grandes empresas diferentonas. É você. E eu. Cada um salvando seu mini-mundo.

Acredito em duas coisas. Fazer pequeno e distribuir.

Fazer pequeno é fazer localmente, com o que se tem, sem criar mais intermediários. É sobre autonomia, responsabilidade e sujar as próprias mãos. É fazer o seu.

Distribuir é ampliar livremente o conhecimento, a capacidade e o poder de quem quiser se apropriar dele. É sobre compartilhar livremente o que você está fazendo para ser copiado, transformado, multiplicado e adaptado. É aceitar o outro fazer o dele.

É fazer junto, mas também separado. Pegou?

“Isto implica uma rápida e significativa mudança da monocultura tradicional e extrema dependência da produção industrial para mosaicos de sistemas regenerativos e sustentáveis, que também melhoram consideravelmente a produtividade de produtores de pequena escala. Precisamos sair de uma abordagem linear para uma abordagem holística na agricultura, que reconhece que um produtor não é somente uma fonte de bens agrícolas, mas também um administrador de um sistema agro-ecológico que produz um significativo número de bens públicos e serviços (como água, solo, paisagem, energia, biodiversidade e lazer).” Traduzi do relatório.

Se você precisa de uma validação centralizada e grandiosa (não há nenhum problema nisso), dá uma olhada nas mais de 300 páginas do relatório das Nações Unidas. Ou um resuminho, aqui, que o Artur me passou.

Mas, se você já entendeu, faça pequeno, distribua e resolva qualquer grande problema do mundo.