O que você acha?

"Viva para satisfazer os outros e todos vão te amar. Exceto você mesmo." - Traduzi do Paulo Coelho. O que você acha dele?

Semana passada fiz um experimento. Não pensei muito antes de fazer, mas fui lá e fiz. Perguntei no meu Facebook “Amigos, vocês acham que eu faço o quê (profissionalmente)?”

Se tivesse pensado um pouco mais, não teria feito. Se não tivesse feito, não teria vivido sentimentos tão estranhos. Nem teria aprendido nada novo. Então, foi bom fazer.

Mas, ainda assim, pensando novamente, nasce uma pontinha de arrependimento. Ainda mais que outras pessoas replicaram a mesma pergunta em suas timelines. Como você pode ler, sentimentos confusos dançam do lado de cá.

De início, estava curioso pra saber a percepção dos meus amigos de Facebook sobre as diferentes atividades que tenho feito profissionalmente, nos últimos anos.

Achei que iam responder objetivamente: design, sites, cursos, livros, consultorias, coisas mais explícitas desse tipo. Talvez, algumas novas palavras poderiam me ajudar a explicar pra outros o que tenho feito.

Vieram as mais diferentes respostas, engraçadinhas, carinhosas, agradecidas, piadistas, misteriosas, indiferentes. Sou grato a todas. Li as opiniões sobre o que faço, que se confundem sobre mim, li opiniões sobre a dita e tola pergunta.

Nessa garoa de likes, holofote e confetes, me peguei - mais uma vez, nesta vida - me sentindo mal por ser vangloriado, definido, limitado e julgado pelo outro. Sim, eu pedi. Dei a cara a tapa e tomei.

Perguntar o que o outro acha deve esconder minha necessidade de validação. E, por mais que eu a observe e tente evitar, ela ainda está comigo. Em alguns momentos mais, em outros menos.

Darwin certamente explica nossa necessidade incansável de sermos bem vistos, aceitos, acolhidos. Poucas coisas nos satisfazem tanto quanto ser validado pelo outro.

Mal me dou conta. Mas sigo com o péssimo hábito de tentar agradar, parecer o que não sou e me enquadrar em um modelo de cara que imagino que exista. Uma projeção da pessoa que eu quero ser.

Enquanto penso nela, a projeção, deixo de estar em mim. Deixo de me escutar, ouvir meu corpo, minha intuição, deixo de ser o que estou, agora.

Há poucas semanas atrás, fiz uma breve participação no Gab Gomes Show for Sure sobre “O que as pessoas vão pensar?”.

A ideia que compartilhei é que ninguém está pensando tanto em você quanto você mesmo. Então, relaxa e faz o que você acredita que deve ser feito, sem se importar com os julgamentos. Cuide bem da sua vida, ela já é uma questão boa o suficiente. O que os outros pensam não pode nos paralisar. Porque é fazendo, vivendo, experimentando, que a gente aprende, melhora e, quem sabe, se torna uma pessoa mais consciente.

Ainda acredito que essa busca por validação pode nos cegar, nos bloquear e nos machucar. Porque nos coloca numa posição muito frágil, em que nosso bem estar, nossa paz e felicidade estão nas mãos da regurgitada ou analisada opinião alheia.

Considerando que são sete bilhões de pessoas, percepções diferentes, mudanças contínuas e eternas em mim, em você, e em todo mundo, a constatação é óbvia: é impossível agradar a todos e é inútil viver pela validação externa.

Feio, bonito, correto, errado, rude, carinhoso, ingênuo, perspicaz, burro, sagaz, confiável, medroso, corajoso, incoerente. Talvez seja tudo isso e, ao mesmo tempo, nada disso. Não há nada fixo, nem permanente. Estamos todos em um eterno processo de mutação e evolução. Vai passar.

Não alimentar o próprio julgamento é uma prática que liberta. Da mesma forma, não se apegar ao julgamento alheio pode ser um caminho de aceitação e autocompaixão.

O que você acha? O que eu acho? Todos os achismos não vão evitar que a vida seja vivida.

E agora, com vocês, dois videos que achei. E achei maravilhosos.