O tamanho do meu privilégio é o tamanho da minha responsabilidade

Com contribuições de Mari Pelli.

 

Sou extremamente privilegiado como homem, branco, heterossexual, de origem nipônica vivendo no Sul do Brasil.

(Sobre este último, vale um parêntese. De uns tempos pra cá, ser o japonês da turma me faz experienciar um tipo de julgamento que me privilegia ainda mais. Por exemplo, há a crença de que orientais são inteligentes, bons de matemática e tecnologia, e isso é um privilégio. Ao longo do tempo, fui mais incentivado, reconhecido, talvez fui beneficiado em alguma entrevista de emprego, por professores ou clientes.)

É muito fácil viver os benefícios de ser privilegiado. Por que está incorporado no dia-a-dia, na visão de mundo, nas oportunidades que me deram. Sou beneficiado pelos crimes, preconceitos, exclusões que não sofro.

“Quanto mais privilégio você tem, menos você consegue entender o que é privilégio.” é uma das melhores frases do vídeo abaixo sobre o Jogo (ou Caminhada) do Privilégio. Uma dinâmica genial.

Se é fácil viver os benefícios, é muito difícil reconhecer os próprios privilégios. Por isso a Caminhada do Privilégio é tão importante. Ela mostra fisicamente, rapidamente, concretamente, as diferenças entre as facilidades e dificuldades que nossas vidas têm.

Sim, a vida de todo mundo é dura. Mas, para muita gente, ela é ainda mais dura por questões de gênero, raça, orientação sexual, origem. Muito mais. Tão mais que talvez eu e você não consigamos compreender.

"Privilégio branco não quer dizer que sua vida não tem sido difícil. Quer dizer apenas que a cor da sua pele não foi uma das coisas que fez ela mais difícil.” - Li essa reprodução no Twitter e adoraria dar os créditos para quem sacou essa.

Já estive no lugar de refletir como abrir mão de privilégios para dar aos menos privilegiados mais oportunidades, acesso. Ainda acredito que é um exercício que preciso manter vivo.

Mas este texto do Alex Castro traz um olhar ainda mais amplo que me tocou. Não é sobre culpa, é sobre responsabilidade. “Se a culpa é paralisante, a responsabilidade é energizante.”

Privilégios trazem responsabilidades. É como uma dívida a ser paga generosamente. E não para um único credor. Mas para toda a sociedade.

Se tenho mais privilégios, tenho mais possibilidades. Por isso, é ainda mais viável fazer pequenas e grandes decisões que não sejam exclusivamente para benefício próprio.

A gente pode consumir, trabalhar, escolher como vamos dedicar nosso tempo. A gente pode fazer escolhas que acolham mais pessoas, que não fodam mais com o Planeta, que dêem mais liberdade a quem tem menos.

Podemos escolher não privilegiar ainda mais quem tem mais privilégios.

A Caminhada do Privilégio por Alex Castro.

Se você entende inglês, é privilegiado, dê um passo a frente e aperte o play.

Cota não é esmola