Façamos arte

Peixes nadam.

Pássaros voam.

Cães andam.

E humanos fazem arte.

A gente veio pra nos expressar, criar, dar significado, sentir e nos conectar.

Não importa se é teatro, música, texto, foto, esporte, moda, código, comida, negócios.

Toda expressão genuína é, potencialmente, uma forma de arte.

Toda forma de arte é uma oportunidade de explorar sentidos, aplicar habilidades, cutucar o mundo, estar presente, dar um grito e formar comunidade.

A gente pode não se achar artista, mas arte a gente tem que fazer sempre.

Por que o que nos faz humanos é nossa capacidade de fazer arte. Alguma arte, qualquer arte.

Significado é o que nos conecta

Toda grande causa, arte, manifestação, comunidade é cheia de significado. E, por isso, proporciona engajamento, manifesta humanidade e deixa legado.

Cada cartão de visita, cada reunião, pequeno projeto, grande produto, processo, contrato, cada coisinha só se torna relevante quando faz sentido, quando há significado.

Pode ser simples, rotineiro, complexo, inusitado, particular, ou trivial. Mas, acima de tudo tem que ser significativo para que a gente se sinta parte um do outro.

Tocar nosso interior importa. Nos sensibilizar é a porta para conexão verdadeira, sonho grande e aceitação de quem for.

A busca por significado é uma busca pela natureza humana. Somos sedentos pela construção de uma vida significativa ao lado de nossos pares.

Desistir

Pra fazer acontecer, outras coisas precisam deixar de ser feitas.

Um novo espaço só é aberto quando o velho espaço ocupado deixa de existir.

Desistir é uma arte.

Porque nos faz lidar com nossas projeções de futuro. Aquilo que sonhamos vai ter que morrer e se transformar em outra coisa.

Desistir nos faz lidar com a frustração de deixar algo pela metade. Nos faz questionar se realmente somos capazes de, não somente começar, mas finalizar.

Acabar com um projeto é cuidar dos envolvidos. Não deixar pontas soltas. Reconhecer o caminho andado, aprender e seguir.

Desistir é desapegar do que poderia ser. E aceitar o que é.

Incompleto. Frustrante. Desajeitado. Cheio de aprendizados. Da próxima vez, será melhor.

Desisitir é abrir espaço pra outra coisa nascer.

Criaré, essencialmente, um exercício de desistência, recomeços e evolução.

Como ser mais criativo?

O que eu diria pro jovem Larusso do passado, iniciando uma caminhada em busca de mais criatividade na vida, no trabalho e em sua arte?

Colecione referências

É a matéria-prima. Experiências na vida, arte, leituras, repertório. Vivências distintas dão mais chances pra gente criar em cima. Nada é 100% original. Então, o negócio é beber de fontes diversas pra dar aos nossos cérebros um grande baú de possibilidades que ficam só esperando a hora de dar as caras.

Leve tudo como experimentação

E se…? Criatividade é sobre testar. Fazer experimentações pra ver no que dá. Quem experimenta pode até esperar resultados. Mas o mais importante é pagar pra ver. Aceitar a possibilidade de que a hipótese inicial não seja validada. É só um teste, nada é definitivo. Pode ser que fique bom. Pode ser que não, e tudo bem.

Se abra e se conecte

Novos amigos. Novos ambientes. Novas histórias. Cara de pau. Criatividade é sobre juntar coisas que, inicialmente pareciam desconexas. É sobre conectar pontos que, até então, eram entendidos como universos distintos. É sobre se entregar pro novo.

Desenvolva resiliência

O processo é confuso, parece que não vai dar. Mas se mantenha no fluxo, sustente a dúvida e resista ao desejo de resolver logo. A criação precisa de tensão e, pra se livrar da necessidade de controle, é preciso ser flexível, resistir e seguir.

Arrisque e aceite

A paralisia em frente à folha em branco se resolve sujando logo o papel. Criatividade vem com mais “sims” do que “nãos”. A gente aceita os limões que a vida dá e segue em frente. Se criatividade é sobre arriscar, a gente tem que aceitar o que vier desse risco e juntar as peças que vão surgindo.

Um terceiro caminho sempre é possível

Parecia que não ia dar. Era um querendo uma coisa, e o outro outra completamente diferente.

Numa negociação, a pessoa que estava do outro lado, soltou:

Chegaremos numa solução excelente pra você e pra mim.

Esta simples frase mudou o jeito que passei a enxergar o bate bola da negociação.

Sempre podemos encontrar um terceiro caminho para vender, contratar, comprar, firmar uma parceria, um compromisso, fazer qualquer negócio.

Excelente pros dois. Não pra um lado só.

O senso comum pressupõe que, numa situação difícil entre uma escolha ou outra, um dos dois envolvidos vai perder ou ter que abrir mão. Talvez o acordo nem saia.

Mas há sempre a possibilidade de explorar um caminho ainda não imaginado, que talvez não seja nem pra um lado, nem pra outro, mas para além do que podemos enxergar.

Pra isso, temos que baixar a guarda e entender que o processo criativo envolve uma tensão. Uma área do não saber, do estressar, em que nem eu, nem você nos apegaremos às primeiras soluções.

Precisaremos contruir, nos dedicar, entender o que importa pra cada lado, as necessidades de cada um até chegar no que ainda não enxergamos inicialmente.

Quanto mais a vontade nesse lugar nebuloso, maiores as chances de encontrarmos soluções novas, improváveis e, quem sabe, excelentes para todos.

Comida, água, ar, abrigo e afeto

Semana duríssima com os noticiários sobre massacres e assassinatos movidos por ódio.

Não tá fácil escrever hoje não. Nem tirar algum aprendizado, umas palavras boas que dêem alguma perspectiva.

Fico tentando entender o que não é racional.

Buscandoapressadamente encontrar possibilidades para vivermos um futuro em que a cultura de violência não seja nosso padrão.

Mas o fato é que a gente já perdeu. Como sociedade, falhamos.

Falhamos ao não conseguirmos nos conectar com alguma humanidade que possa existir por trás da monstruosidade.

Falhamos por parte de nós considerar a a morte do outro como única possibilidade para a própria vida, ou pior, a própria morte.

Falhamos ao não conseguirmos distribuir opções incondicionais e abundantes de amor e conexão. Em que todo ser humano possa ser incluído e aceito.

Que todos possam ter a garantia de que não faltará comida, água, ar, abrigo e afeto.


Recomendo a leitura da Psicologia do Massacre, no TAB.

Copiar

Copiar é uma arte. Copiar é fonte de aprendizado. Copiar é entender o trabalho que dá.

Copiar não é feio. Porque todo mundo nasceu copiando. Imitar é da natureza humana.

Feio é se passar pelo original. Não atribuir os créditos. Plagiar. Falsificar.

Copiar faz parte do processo, é engenharia reversa. Até a gente fazer do nosso próprio jeito.

Cópia é a base do trabalho criativo. Criatividade nada mais é do que juntar coisas diferentes que já existem, copiar.

Cópia é o começo da melhoria. A gente copia para avançar, aprender com o que já foi feito e ir além.

Milhões de anos de evolução biológica têm como base a cópia de material genético, mistura e mutação.

Copiando a famosa frase, “Nada se cria, tudo se copia.” Se mistura, se inspira, até ganhar cara própria, identidade, autenticidade.

O que aprendi sobre aprender

morei, mas aprendi que educação formal não é pra mim. Durante muito tempo, foi a única opção possível. Fui obrigado, acreditei, insisti e joguei o jogo. Mas depois que pude aprender de outras formas, a educação formal ficou lenta, burocrática e cara. Ainda assim, não é simples construir os próprios caminhos, exige disciplina, responsabilidade, disponibilidade, tempo.

Aprender não é linear.

O sistema formal nos faz pensar que há uma única sequência lógica para aprender. Mas não é assim que a banda toca, não é assim que nosso corpo evoluiu e não é assim que o mundo se aprensenta pra gente. Tudo é muito mais caótico, diverso e não-sequencial do que as séries da escola.

Aprender é sobre fazer.

O que a gente vive, experimenta, registra um aprendizado no corpo. Um dos maiores problemas da educação formal é que a gente memoriza, é testado, mas não aplica. Passa o tempo e esquecemos, a verdade é que nunca aprendemos, só decoramos. Mas ao fazer a coisa muda, quando a gente transforma conhecimento em reflexão e ação é que a aprendeizagem se dá.

Aprender é sentir.

Excluímos os processos emocionais dos processos de aprendizagem formais. Mas não conseguiremos jamais excluir de nós mesmos. Somos humanos, sofremos, sentimos, nos emocionamos. Não há sentido se não há sentimento.

Não se aprende nada sozinho.

Autodidatismo não é sobre solidão. Aprendizagem é sobre troca. A gente sempre se apoia em outras pessoas, que construíram aprendizados assim como nós, para fazermos nossa jornada. Além disso, é sempre rico ter referências, mentoras, mestres, ainda que diversos, distantes e passageiros. Em grupo, aprendemos muito mais.

Organizar para aprender.

A informação tá toda aí. As pessoas. Os vídeos no YouTube. O problema é organizar, saber por onde começar, identificar material de qualidade e saber pra onde ir depois. O que os cursos nos vendem raramente é o conteúdo, mas uma organização por fases, módulos, começo, meio e fim. O que é mais caro, ao aprender, é o fio condutor. E pra não perder o fio da meada, a gente tem que saber organizar, classificar, anotar, rever, sistematizar e estruturar.

Aprender a aprender.

A educação formal pressupõe que todos aprendemos da mesma forma. Mas não há ninguém igualzinho a você, neste mundo. Por isso, é tão importante descobrir qual é o teu próprio processo. Tem gente que prefere ouvir, tem gente que prefere ver. Aprender trabalhando, ouvindo música, copiando, tentado e errando. Há tantas formas quanto pessoas na Terra.

Compartilhar é aprender.

Nenhum processo me é tão rico quanto compartilhar aprendizados. Aquilo que estou aprendendo só vira aprendizado mesmo quando consigo compartilhar, escerever, distribuir.

Profundidade requer tempo.

Muito tempo, disciplina, insistência. A grande vantagem da academia é a profundidade, o sistema, a ciência. Para quem está fora desses limites, é necessário redobrar o cuidado para conseguir mergulhar e não focar só na superfície.

Habilidades que abrem caminhos

“A chave para buscar a excelência é adotar um processo orgânico de aprendizagem de longo prazo e não viver em uma concha de mediocridade estática e segura.” - Derek Sivers.

Escrever, desenhar, programar, fazer foto, fazer conta, editar vídeo, fazer acontecer.

Se pudesse escolher por onde recomeçar meus aprendizados profissionais, buscaria primeiro as pecinhas que podem construir outros caminhos.

As habilidades técnicas que criam mais possibilidades, que servem ao mundo, que se somam a grandes missões são as que mais se adequam a tempos incertos.

Nenhuma técnica se resolve sozinha. Está sempre a serviço de algo e, por isso, pode se flexibilizar, explorar diferentes mercados, encontrar outros usos, se reinventar.

O problema é que, para saber fazer, é necessário tempo, prática, insistência e ritmo. Poucos de nós estão dispostos a percorrer o caminho das pedras até dominar uma habilidade.

E, aí, não tem jeito, a gente tem que ser muito apaixonado e/ou precisar muito aprender para manter uma rotina de aprendizados até se sentir pronto para fazer.

De qualquer forma, o aprender a fazer nos ajuda a encontrar um lugar no mundo e, mais do que isso, a moldá-lo.

Pequenos aprendizados que enviaria para o meu eu do passado

1. Conte suas intenções pra todo mundo.

2. Aprenda a fazer com as próprias mãos.

3. Transforme suas dores em arte.

4. Crie e entregue valor real genuinamente.

5. Resolva, generosamente, os problemas que te tocam.

6. Tenha sempre canais abertos para receber.

7. Encare tudo como aprendizado, pegue leve.

8. Comece e, então, continue.

9. Viva o momento presente e tenha um lindo futuro.

10. Para todos os medos, conecte-se. Consigo e com todos.

Os 20, os 30 e agora

O mundo mudou e dizem que os 30 são os novos 20.

Essa coisa geracional, sei não. Os 30 continuam sendo 30 voltas ao redor do sol.

Mas agora o casamento vem mais tarde, se é que vem.

As famílias são mais diversas e não seguem o roteiro tradicional com papai, mamãe, 2,5 filhos. O que é maravilhoso.

E a gente segue sem saber pra onde vai nossa vida profissional.

Diferentemente das gerações passadas, nosso leque de possibilidades é muito maior e mais incerto.

Menos estabilidade, mais potência. Mais liberdade, menos segurança.

Ainda assim, são 30 anos vividos. E dá pra fazer um monte de coisa nesse tempo.

Chegar aos 30 significa ter mais de uma década de experiência de vida adulta.

Dez anos de tentativas, responsabilidades, frustrações e conquistas.

Não dá pra acreditar que a vida de verdade só começa depois disso.

Entrei em contato com o conceito de "capital de identidade" pelo livro da psicóloga Meg Jay.

É sobre como construimos a nós mesmos ao longo do tempo. E como essa época, dos vinte e poucos aos trinta e poucos, é formidável e importantíssima.

É quando, provavelmente, conhecemos boa parte das pessoas mais importantes da nossa vida.

É quando desenvolvemos habilidades profissionais que nos acompanharão por muito tempo, mesmo que a gente mude de área inúmeras vezes.

É quando vivemos emoções diversas, que nos fazem amadurecer e assumir responsabilidades.

Nos meus 20, estava me arriscando na presidência do Centro Acadêmico do curso de Design da UFSC.

Aos 30, embarcava para uma vida como nômade digital na Tailândia, que acabou durando 3 meses.

No meio disso, comecei e quebrei a cara no mercado de trabalho para qual fui forjado.

Iniciei e terminei relacionamentos que um dia pareceram eternos. 

Me mudei para cidades novas até que ficassem velhas para mim.

Fundei e fechei negócios que me trouxeram impagáveis aprendizados.

Foi uma aventura e tanto. Teve muita dúvida, decepções, trabalhos e decisões que pareciam que não iam dar em nada. E a eterna pergunta: "o que estou fazendo da minha vida?"

Mas, de alguma forma, aconteceu. A cada passo inseguro que me distanciava do caminho tradicional, outras trilhas foram se abrindo.

E, agora, com 34, parece que os frutos das árvores plantadas há anos e anos atrás começam a amadurecer.

Foi completamente imprevisível, eu nunca poderia imaginar o ponto em que chegamos.

Tem aquela frase do Rubem Alves que adoro, "Cheguei onde cheguei por que tudo que planejei deu errado".

Enquanto estava esculpindo e polindo meu capital de identidade, sempre me pareceu que era o melhor que poderia fazer pelo  momento presente.

Os planos deram errado, mas funcionaram. 

Parece que o melhor que podemos fazer pelo nosso futuro é viver um presente pleno, ousado, cheio de energia.

A vida não começa nos 20, nem 30. A vida começa agora.

Sabrina semente

Que potência, que história, que força, que amor incondicional, que vida.

Sabrina Bittencourt, sou muito grato pela tua existência neste plano.

Que suas pequenas e enormes contribuições ecoem por toda eternidade.

Que haja paz e serenidade em você e em todos que sentem sua partida.

Que a gente siga se apoiando e se cuidando pela vida.

O custo da vida

A pequena escolha que prefere dinheiro a recursos naturais é baseada na mesma premissa das grandes decisões que geram o lucro ao custo da vida.

Está cravada em nós uma ideia muito sólida e burra. Essa ideia está embutida na cultura, empregnada na política e passa sem qualquer questionamento pela vida cotidiana.

A ideia de que há uma separação entre o mundo financeiro, abstrato, econômico de um lado e os recursos naturais, a vida concreta, a água, o solo, os minerais, animais e vegetais do outro. E esta, amigos, é uma péssima ideia.

A expressão "recursos naturais", por si só, já reforça essa visão de mundo tosca, frágil e ignorante.

Cá estamos vivendo e crescendo, lá está a natureza, "recurso" para nossa existência e evolução.

O paradigma que nos coloca como seres superiores que exploram os demais é o paradigma que nos destrói.

A ilusão de que precisamos crescer economicamente a qualquer custo para nos livrarmos de toda pobreza e sofrimento é a maior imbecilidade que já conseguimos imaginar.

Não há separação, não há exploração da vida que não custe a vida, não há caminho possível que nos coloque fora dos ciclos naturais.

Agora

É férias. Mas este blog não para. Nas próximas semanas, publicarei alguns textos que não escrevi. Grato por mais este ano. Seguimos conectados.


“Toda a essência do Zen consiste em caminhar no fio da navalha do agora - estar completamente, tão completamente presente que nenhum problema, nenhum sofrimento, nada que não seja quem você é em sua essência, pode sobreviver.

No agora, na ausência de tempo, todos os seus problemas se dissolvem. O sofrimento precisa de tempo; não pode sobreviver no agora.

- Eckhart Tolle

Recursos para organizações descentralizadas

É férias. Mas este blog não para. Publicando mais um texto que não escrevi. Grato por mais este ano. Seguimos conectados.


Recursos para organizações descentralizadas

(Quase todo o material está em inglês. Mas é ouro)

Por Richard D. Bartlett.

🐒 Olá, sou Richard D. Bartlett! Estou escrevendo um livro sobre organizações descentralizadas, encontrando aprendizados em diversos contextos, de movimentos sociais a locais de trabalho formais.

Recentemente, perguntei no Twitter e em uma lista de discussão sobre exemplos de organizações descentralizadas que têm um manual público, transparente e bem documentado que explica como elas funcionam (por exemplo, tomada de decisões, funções, ferramentas de comunicação, etc.). A resposta foi impressionante, então eu criei esta página.

Se você tiver mais para adicionar, edite esta página, contribua no Twitter ou envie um email para rich@thehum.org.


Exemplos específicos de manuais organizacionais

Permanente (por exemplo, locais de trabalho, empresas, ONGs)

A maior parte da minha experiência em organização está no Loomio, um software co-op com um ótimo manual.

Loomio é uma das muitas empresas sociais da rede Enspiral. O Manual da Enspiral explica como nos autogovernamos.

O Manual do Gini é particularmente forte na tomada de decisões, com seções úteis sobre habilidades de comunicação, crescimento pessoal e feedback.

O Manual do Gitlab é especialmente relevante para pessoas que trabalham em equipes remotas - eles têm mais de 400 funcionários e nenhuma localização central.

O DNA Crisp é o manual de uma empresa auto-organizada com mais de 35 consultores autônomos. Eles fazem coisas legais com dinheiro e propriedade!

OuiShare Handbook - estruturas e práticas para a rede distribuída OuiShare.

O Manual de uma organização feminista é um belo recurso do Centro de Mulheres para o Trabalho Criativo, em Los Angeles. Elas explicam como funcionam, com a intenção expressa de ajudar os outros a aprender com sua experiência.

Alcoólicos Anônimos operam como uma “organização de cabeça para baixo”. Seu manual é um resumo atualizado de mais de 80 anos de organização descentralizada em escala.

O IETF é o principal órgão que rege o desenvolvimento da Internet. Seus princípios abertos, voluntários e auto-organizados estão documentados no Tao da IETF.

O Centro de Pesquisa de Interesse Público é um thinktank para a sociedade civil, ajudando os movimentos sociais a contar histórias melhores. Eles fizeram a transição para uma estrutura organizacional plana. Nenhum manual ainda, mas eles publicaram esta excelente história sobre a transição.

Platform é uma organização de artes / educação / pesquisa / ativismo. Nenhum manual público, mas seu sistema de justiça social é impressionante.

Como iniciar uma biblioteca de ferramentas de empréstimo.

O Guia Essencial de Transição das Cidades em Transição está disponível em vários idiomas.

Valve Employee Handbook - Valve é uma empresa de software que trabalha sem chefes. Eles publicaram seu manual em 2012.

A Edgeryders é uma comunidade e empresa on-line única, uma espécie de thinktank e rede de ajuda mútua. Muito do seu trabalho é feito em público. Veja, por exemplo, seus Princípios para colaboração e operações em Edgeryders. "Nenhum plano é o plano."

The Borderland é uma comunidade colaborativa organizada em torno de um evento participativo anual. Ele se organiza usando dois processos: Prototipagem de Sonho e Do-ocracy Consensual, também conhecido como o Processo de Aconselhamento, influenciado pelo Reinventando Organizações de Frederic Laloux.

Contrato Operacional da Outseta - A Outseta é uma empresa de SaaS com uma equipe totalmente distribuída que adotou o autogerenciamento. Tornamos público nosso acordo operacional: como tomamos decisões funcionais e financeiras. Também publicamos uma visão geral do que é o autogerenciamento, uma visão geral das pessoas que são novas no assunto.

350 Seattle Structure recursos para organização de uma campanha.

Open Coop Governance Model projetado para uso no modo cooperativo de Guerilla como um modelo para outros remixarem.

Scaling Agile at Spotify: explicando como 250 funcionários técnicos do Spotify se coordenam entre tribos, esquadras, capítulos e alianças.

Temporários (por exemplo, campanhas, eventos)

Barcelona en Comú publicou How To Win Back The City, um ano depois de uma coalizão de ativistas de base ganharem as eleições municipais.

HOFFNUNG 3000 - a self-organized festival. Como nos organizamos em nossas comunidades sociais, artísticas e teóricas? O HOFFNUNG 3000 não foi simplesmente um festival, mas um processo de organização de um festival, um festival que se cria. Através de cada participante.

How to Create a Rent Strike

Repair Cafe é um lugar para se encontrar e consertar as coisas juntos. O seu manual está disponível numa base "pague o que quiser".

Guia dos organizadores do TEDx

Awesome Foundation Wiki. A Awesome Foundation é uma rede de grupos autônomos que fazem micro-prêmios para pessoas que trabalham em projetos incríveis.

Como iniciar uma SOPA: um jantar de microfinanciamento celebrando e apoiando projetos criativos.

Como iniciar um capítulo de Alimentos, não Bombas: movimento descentralizado pela paz que compartilha comida grátis com pessoas famintas.

Cosecha é um movimento para imigrantes dos EUA. Eles operam com uma estratégia e estrutura transparentes.

Swarmwise por Rick Falkvinge, o guia tático do Partido Pirata Sueco.

Ouishare Fest Toolkit - um guia para organizar um festival participativo.

Aprendizados gerais: kits de ferramentas, livros, etc.

Negócios

Better Work Together - histórias e ferramentas da Enspiral (rede de empresas sociais autogestionárias)

Reinventing Organizations por Frederic Laloux é um livro muito influente que compartilha estudos de caso de grandes organizações em diferentes setores, operando com sucesso sem sistemas de gerenciamento centralizado. Bom wiki também.

Insights for the Journey - série de vídeos para acompanhar o livro Reinventing Organizations de Laloux.

Going Horizontal por Samantha Slade: práticas para nivelar hierarquias organizacionais.

12 Princípios para Prototipagem de um Negócio Feminista.

Remote Only manifesto para empresas que trabalham sem um escritório central.

Remote Starter Kit - ferramentas digitais para suportar a colaboração remota.

Atlassian Team Playbook - kit de ferramentas para equipes autogerenciadas eficazes, pelos criadores do Trello.

Organizações autogerenciadas: Explorando os limites da organização menos hierarquizada - trabalho de pesquisa de Amy C. Edmondson e Michael Y. Lee.

Guia de eficácia da equipe do Google Segurança psicológica> confiabilidade> clareza estrutural> significado> impacto.

Consultores de desenvolvimento corporativo The Ready publicou seu OS Canvas - uma ferramenta para mapear o estado atual de sua organização e planejar mudanças futuras.

Por que os funcionários são sempre uma má ideia - livro sobre negócios de Chuck Blakeman

HyperIsland Toolbox - um kit de ferramentas de colaboração para inovação e desenvolvimento de equipe.

Estruturas Libertadoras - 33 formatos de reuniões para inclusão e criatividade.

The Future of Work is Human - práticas para encontros holísticos, aprendizado coletivo, inovação.

Protocolos Básicos para uma Comunicação Eficaz

Beyond Empowerment: the Age of Self-Managed Organization, de Doug Kirkpatrick, da Morningstar: uma empresa pioneira de autogerenciamento e as maiores processadoras de tomate do mundo.

One from many por Dee Hock (VISA)

Joy at work de Dennis Bakke (cunhou o Advice Process at AES)

Eckart’s notes de Wintzen (BSO) - holandês

La belle histoire de FAVI por Zobrist

The second cycle de Lars Kolind

Maverick por Ricardo Semler

Team of Teams do General Stanley McChrsytal - como o Exército dos EUA desenvolveu uma estrutura de gestão em rede para responder à guerra urbana no Iraque.

A Lapsed Anarchist’s Approach to Building a Great Business  por Ari Weinzweig na Zingermans

The Haier Model por Yangfeng Cao

Freedom, Inc .: Como Liberdade Corporativa Desbloqueia Potencial de Empregados e Negócios por Brian M Carney & Isaac Getz

Future of Management por Gary Hamel

The Holacracy Constitution 4.1

Greater Than’s Guide to Collaborative Funding

Comunidades

The Empowerment Manual: Um guia para grupos colaborativos - excelente livro da organizadora ecofeminista Starhawk.

A nova Rede de Organizadores Econômicos compartilha seu kit de ferramentas para ativistas, ativistas e organizadores.

O código do kit de ferramentas do Community Civic Tech Community Organizer do Canadá contém conselhos sobre como iniciar, sustentar e desenvolver um grupo comunitário de tecnologia cívica na sua região.

Post Consensus Cooperative Decision-making, um excelente slideck de Doug Webb explicando alguns dos limites do consenso e o que você pode fazer.

Rules for Radicals é o último livro escrito pelo lendário ativista comunitário e escritor Saul D. Alinsky sobre como executar com sucesso um movimento de mudança.

Horizontalismo: vozes do poder popular na Argentina, uma história oral compilada por Marina Sitrin, contada por pessoas dos movimentos sociais autônomos, fábricas ocupadas, assembleias de bairro, coletivos de artes e meios de comunicação independentes, comunidades indígenas e movimentos de trabalhadores desempregados.

Meu livro Patterns for Decentralised Organising.

Emergent Strategy de Adrienne Maree Brown: “auto-ajuda radical, socorro à sociedade e ajuda planetária destinada a moldar os futuros que queremos viver”.

The Tyranny of Structurelessness - ensaio clássico de Jo Freeman explicando porque organizar com “nenhuma estrutura” pode ser mais abusivo do que o pior chefe.

Beautiful Trouble Táticas criativas para ação direta não violenta.

O site de treinamentos da 350.org inclui recursos para os organizadores

O Networked Change report “estratégias e práticas que fizeram com que 47 das campanhas de advocacia mais bem-sucedidas de hoje funcionassem por causa de sua capacidade de se abrir às novas forças culturais que favorecem a abertura e o poder de base”.

Campaign Bootcamp Resources para os ativistas.

Jackson Rising: A luta pela democracia econômica e a autodeterminação negra em Jackson, Mississippi. Uma crônica de uma das transformações sociais mais interessantes nos EUA contemporâneos.

Terra primeiro! Manual de Ação Direta (também disponível para impressão)

Etiqueta de E-mail para Coletivos Virtuais

Sociocracy 3.0 - um guia gratuito e aberto para o desenvolvimento de organizações ágeis, resilientes e baseadas em consentimento.

Como: Guia de organização distribuída para ativistas.

Mobilisation Lab resources: cursos on-line, artigos, vídeos, podcasts, relatórios e guias para ativistas.

Como acolher e envolver pessoas em espaços comunitários por Danny Spitzberg

Skessa: Kit de ferramentas colaborativo para organizações diversas e inclusivas

Art of Hosting (conversas que importam)

The Viable System Model, Jon Walker. Como projetar um negócio saudável: o uso do Viable System Model no diagnóstico e projeto de estruturas organizacionais em cooperativas e outras empresas de economia social.

Introdução Many Voices One Song, uma canção, lições aprendidas e assistência de implementação para conceitos básicos de sociocracia da Sociocracy for All.

Legal

The Do-Ocracy Handbook: tipos organizacionais e estruturas legais por Mark Simmonds (foco legal no Reino Unido).

Centro de Direito das Economias Sustentáveis (SELC)

Purpose Economy: modelo Steward Ownership. Veja Sharetribe por exemplo.

Fairshares modelo para cooperação multi-stakeholder.

Treinamento

Instituto Ayni - treinamento para organizadores de movimentos sociais. Muito do seu conteúdo de treinamento está disponível, como vídeos on-line, por exemplo, veja a Série de Webinars de Momentum sobre a ciência dos movimentos sociais e o Treinamento SWARM sobre organização descentralizada.

Momentum “dá aos organizadores de base as ferramentas para construir movimentos sociais maciços e descentralizados que visam mudar o terreno sob os pés dos formuladores de políticas”

Ulex Project  - um centro de treinamento residencial na Catalunha. Eles praticam o “treinamento ativista integral”, abordando os vínculos interdependentes entre indivíduos, organizações e culturas.

Minha pequena empresa de consultoria The Hum fornece orientação prática para organizações descentralizadas.

Organisational Misbehaviourists - treinadores corporativos focados em segurança psicológica e sabedoria coletiva.

Treinamentos de campanha da PowerLabs.

NetChange - treinamento de campanha de organização distribuída.

Tripod Training - Treinamento, facilitação de reuniões e mediação de conflitos para apoiar grupos a trabalhar em melhor alinhamento com suas visões e valores.

Por quê

Acredito que a melhor estrutura para qualquer esforço de organização deve ser personalizada para seu contexto local. Não acredito em soluções do tipo "tamanho único", mas também não precisamos começar de uma lista em branco. Meu livro é uma coleção de "padrões", experiências comuns em todos os grupos de colaboração. Cada padrão nomeia uma disfunção comum (por exemplo, distribuição injusta do trabalho de assistência) e uma resposta (por exemplo, contabilize o trabalho de cuidado da mesma maneira que você trata outro trabalho).

Minha abordagem para o desenvolvimento organizacional:

  1. 🏠 compreender o contexto local desta organização: história, relacionamentos, intenções, forças, obstáculos, etc.

  2. 🌏 reduza o zoom para ter uma visão global e encontrar um quadro de referência apropriado (por exemplo, #agile, #teal, #sociocracy, #coops, #designthinking, #artofhosting)

  3. 🔎 zoom em um contexto local adjacente (ou seja, outra organização que compartilha algo em comum com este)

  4. 🏡 volte para casa com as lições para informar o próximo experimento que tentaremos.

Portanto, os “manuais” listados aqui são exemplos de contexto local (com muita gratidão aos autores que tornam sua experiência transparente para os outros aprenderem). Os “kits de ferramentas e livros” são lições globais extraídas da experiência local.

Conlaboraram

@richdecibels @patconnoly @toddhoskins @shareable @JPatrickDunn @patriciarealini@WCCWLA @adriennemaree @AyniTeam @UlexProject @pircuk @NEON_UK @jaimeyann@feminineist @staccoP2P @bcnencomu @mrchrisadams @350 @rhizomecoop@jdaviescoates @PlatformLondon @CFTransition @transitiontowns @awesomefound@sam5 @radicalthnktnk @Jas_Tribe @Sam_Applebee @randallito @CosechaMovement@roguesofa @Owoy @douginamug @neil @mattcropp @wearehanno @flpvsk @CfFominaya@disruptandlearn @yanche @AmyCEdmondson @JohnDobbin @theready @aarondignan@fred_laloux @ChuckBlakeman @guff_se @hyperisland @KeithMcCandless @Redshifter3@b_bockelbrink @jamespriest_S3 @lilidavidis @CoopsMark @netchange @getpowerlabs@Price_J_Matt @MobilisationLab @hugi @outseta @valeriecosta @TheSELC@FairSharesAssoc @joost_minnaar @deewhock @kolind @ricardosemler @StanMcChrystal@isaacgetz @profhamel @jdaviescoates @GuerrillaTrans @daspitzberg @m8rt@crispsweden @rkasper @henrikkniberg @theQCommunity @douginamug@MatthewMezey @zaunders

Se você tiver algo a mais para adicionar, por favor edite esta página, contribua no Twitter ou email rich@thehum.org 


Se aproprie da sua história. E mude a história.

É férias. Mas este blog não para. Nas próximas semanas, publicarei alguns textos que não escrevi. Grato por mais este ano. Seguimos conectados.


Se aproprie da sua história. E mude a história.

Por Brené Brown

Quando negamos nossas histórias, elas nos definem.

Quando nos apropriamos das nossas histórias, começamos a escrever um novo e corajoso final.

Eu sei que é verdade. Posso ter aprendido como pesquisadora, mas vivo essa verdade como filha, parceira, líder, irmã, mãe e amiga. Quando somos feridos ou fingimos que a luta não existe, a dor e a luta nos dominam.

Eu aprendi que escrever um novo e corajoso final em nossas vidas pessoais significa:

1. Não podemos suavizar sentimentos que machucam em nossas famílias. É muito fácil para a dor estocada se transformar em raiva, ressentimento e isolamento. Devemos falar sobre isso. Mesmo quando não queremos. Mesmo quando estamos cansados.

2. Não podemos fingir que nossas histórias familiares de problemas com dependência ou saúde mental não existem, se nossa esperança é escrever uma nova história e transmitir esse legado de honestidade e saúde emocional a nossos filhos.

3. Devemos nos apropriar dos nossos fracassos e erros para que possamos aprender e crescer. É difícil, mas eu vi como isso pode se tornar parte de uma família, de culturas organizacionais e liberar inovação e criatividade. Não é confortável, mas coragem raramente é.

Nos apropriar de nossas histórias é encarar nossas verdades. É transformador em nossa vida pessoal, profissional e também é fundamental em nossas vidas em comunidade. Mas não pensamos na história como nossa história coletiva.

Até encontrarmos uma maneira de nos apropriar das nossas histórias coletivas sobre o racismo neste país, nossa história e suas dores nos possuirão.

Não vamos nos afastar da violência e do desgosto. O medo e a escassez continuarão a atropelar nosso país. Sim, a violência em Charleston também é sobre o acesso a armas e, mais do que provavelmente, doenças mentais. Mas também é sobre raça.

Nossas histórias coletivas de raça nos EUA não são fáceis de serem apropriadas. São histórias de escravidão, violência e desumanização sistêmica. Teremos que escolher a coragem sobre o conforto. Teremos que sentir nosso caminho através da vergonha e da tristeza. Vamos ter que ouvir. Teremos que desafiar nossa resistência e nossa defensividade.

Temos que continuar ouvindo mesmo quando queremos gritar: “Eu não sou assim. Isso não é culpa minha!”

Temos que examinar e nos apropriar de estereótipos e preconceitos. Cada um de nós tem eles. Vai ser difícil.

Precisamos nos sentar com nossos filhos e conversar sobre privilégios. Isso significa ter conversas honestas sobre como fomos criados e o que precisamos trabalhar. Sem culpar ou envergonhar, mas encarando a verdade. Não é produtivo negar o quanto trabalhamos pelo que temos, mas não é sincero negar que muitos de nós têm privilégios com base em quem somos e como somos.

Essas conversas irão parar com crimes violentos de ódio? Ninguém sabe ao certo, mas não devemos subestimar o poder do amor e da verdade.

Isso não é maior que nós. Estes somos nós.

Sim, precisamos ter um milhão de histórias dolorosas de discriminação e preconceito, fazer milhões de mudanças e ter espaço para um milhão de conversas difíceis. Mas, se cada um de nós pode se apropriar de uma história, fazer uma mudança e ter uma conversa honesta, ouvindo mais do que defendendo, ou oferecendo um falso conforto - podemos fazer isso. Existe uma maneira de escrever um novo e corajoso final para uma das histórias mais dolorosas de nossa história. O que resta descobrir é se temos a vontade e a coragem.

Eu acredito que nós temos.

Não descarte. Mantenha todas as suas peças em jogo.

É férias. Mas este blog não para. Nas próximas semanas publicarei alguns textos que não escrevi. Grato por mais este ano. Seguimos conectados.


Não descarte. Mantenha todas as suas peças em jogo.

Por Austin Kleon.

Margaret Atwood disse certa vez: “Você deveria fazer uma coisa só. Se você fizer mais do que isso, as pessoas ficarão confusas.”

Não somente outras pessoas se confundem - você mesmo fica confuso. Você ama todas essas coisas, mas sente que deveria escolher uma.

A melhor palestra que já ouvi sobre o assunto foi do Steven Tomlinson no TEDxAustin em 2010. Ele contou esta história: Ele estava por aí tentando descobrir o que deveria fazer com sua vida, então ele visitou um professor chamado Will Spong, que tinha uma reputação de ser um cara durão e pregmático. Steven foi ao escritório de Spong e explicou como ele amava os negócios, amava o teatro e adorava o seminário, e então pediu a Spong que lhe dissesse qual deles escolher seguir. É assim que o Spong respondeu:

“Essa é a pergunta mais idiota que alguém me fez. Você está me dizendo que há três coisas que você ama e quer que eu diga quais são as duas que você deve cortar... para que você possa ser manco noutro? Não é assim que as coisas funcionam. O conselho que tenho para você é: não descarte. Encontre uma maneira de manter todas essas três coisas no mix. Nós vamos descobrir [o que você deve fazer para viver]. Agora, o que você deve fazer é passar duas horas por semana empenhado em cada uma dessas três coisas. Deixe-os falar um com o outro. Algo começará a acontecer em sua vida que será único e poderoso.

Spong continuou explicando: “Você não precisa de uma carreira, precisa de um chamado. E agora você está ouvindo.”

Aqui está o Steven:

"Agora, é interessante como ele moldou esse quebra-cabeça: a tecnologia para encontrar o caminho não envolve algum compromisso sacrificante ousado, mas sim, estar determinado a manter todas as peças em jogo e confiar que há alguma sabedoria nisso, isso vai começar a se transformar em algo que você está procurando. Isto é, talvez, o que o teólogo e escritor Frederich Buechner quis dizer quando disse: "Você encontra sua vocação onde sua profunda paixão encontra a profunda necessidade do mundo”.

É uma lição que eu tenho que reaprender constantemente: não descarte. Mantenha todas as suas peças em jogo.

Mais uma vez obrigado, Steven. Aqui está a conversa toda:

Desempenho?

"A sociedade do séc XXI não é mais a sociedade disciplinar, mas uma sociedade de desempenho. (…) A sociedade disciplinar ainda está dominada pelo não. Sua negatividade gera loucos e delinquentes. A sociedade do desempenho, ao contrário, gera depressivos e fracassados.” - Byung-Chul Han.

Sabe harder, better, faster, stronger?

Estamos ferrados.

Vivemos o tempo em que pouco importa o que você faz, como faz ou por quê faz.

O que mais importa é ser muito bom no que quer que seja, nessa sociedade tão eficiente em zoar o planeta todo.

O lance é estar sempre ocupado. Ser multifunção. Excelente pessoa tanto no profissional quanto no pessoal.

Não dá. É impossível e desumano. É contraproducente. Não é inteligente. Nem viável.

Lidar com essa frustração é terrível em um mundo cheio de vidas incríveis e likes. Cof, cof, cof.

O fracasso de não alcançar os padrões impossíveis só pode ser amenizado quando não alimentamos expectativas guiadas pelo mundo externo.

Quando aceitamos nossa condição como seres incoerentes, incongruentes e incapazes, nos reconectamos com nossa natureza aprendiz.

Definir os próprios padrões de sucesso e curtir o processo que é viver nos liberta de qualquer necessidade de desempenho e aprovação.

É fácil? Não. Precisamos nos amar e sermos amados, sem desempenhar nada, do jeito que der, sem qualquer barra pra ultrapassar.

Está tudo mudando. E está tudo bem.

"A tão anunciada grande mudança do mundo está a pleno vapor. Mas sua visibilidade requer uma atenção mais sutil ao que acontece à nossa volta, pois não são mudanças óbvias e evidentes, mas sutis transformações nos padrões e valores que começam a ser manifestados em todo o planeta, nas suas mais diferentes esferas." - Monika Von Koss.

Já acreditei que uma onda de colaboração ia salvar este mundo.

Já deixei de acreditar que o mundo precisa ser salvo.

Já achei que o afeto ia derrubar cada isolamento.

Que a liberdade ia vencer o medo.

Que a abundância ia se mostrar mais verdadeira que a escassez.

E que o amor e o poder iam se enamorar.

Mas aí veio a onda conservadora, autoritária e belicosa em diversos cantos do planeta.

E eu cheguei a achar que não ia dar tempo, não ia dar pé, que entramos de vez no jogo ganha-perde em que, no final, todos perdem.

Mas não demora e mais uma vez o paradigma velho, que está em derrocada, mostra por quê está nessa situação.

O modelo de isolamento, codependente, autoritário, arbitrário, centralizado, linear, cartesiano, baseado em acúmulo e poder dá seus últimos golpes da maneira que consegue.

Os esforços para a manutenção do status quo se mostram cada vez mais toscos e frágeis. 

Se a gente prestar atenção, vê como chega a ser ridículo, ineficiente e ingênuo.

São os gritos de desespero de quem perde poder e relevância.

Podem ganhar uma batalha aqui, uma eleição ali, um absurdo acolá, mas dura pouco, pouquíssimo. É só pra mostrar que não dá mais mesmo. 

Quanto mais tentam se salvar pelas estratégias desintegradoras mais se desintegram.

Há bilhões de micro-revoluções em curso. Elas não são mensuráveis, nem perceptíveis com métricas velhas.

Uma métrica velha é acreditar que revoluções  precisam de gritaria. Pode até ser. Mas é só a cartada final.

Antes disso, elas são sutis, silenciosas, dispersas, diversas. Vão ganhando corpo pouco a pouco e, quando vai ver, já foi.

As mudanças que desejamos precisam de atenção, cuidado, resiliência, afeto e inclusão.

Elas não são escolhas, estão acontecendo de qualquer forma. 

Está tudo mudando. E está tudo bem. 

Não é uma questão de querer.

Mas de se dispôr a estar conectado com os movimentos da sociedade que amadurece, evolui e se integra. 

Ou tentar resistir, e sofrer em vão.