O que acontece quando chegamos no fundo do poço?

Neste mês, a ONU lançou um relatório que traz um grande sinal de alerta. Se não tivermos ações verdadeiramente relevantes para conter o aquecimento global em 12 anos, viveremos o pior cenário previsto pelos cientistas. Isso pode significar, por exemplo, o êxodo de 1 bilhão de pessoas num futuro próximo.

Para grandes mudanças acontecerem, alguns poços precisam ser cavados até o fundo. Infelizmente.

É triste. Dói demais. É terrível.

Mas as grandes transformações que precisamos não vão acontecer de forma linear, tranquilamente. Ainda ter que doer mais, vai ter que doer muito.

Os saltos de consciência e prática que necessitamos não vão se dar na mesma velocidade dos impactos que causamos a nós mesmos.

Precisamos de mudanças profundas no jeito que entendemos a economia, a política, o que comemos, consumimos, como vivemos, como nos transportamos e produzimos energia. Precisamos mudar nossa visão de que há um planeta a nosso serviço.

São mudanças complexas que, na escala global, precisariam de muita boa vontade do 1% mais rico e também mudanças de hábitos dos 99% mais pobres que os sustentam. Não há responsabilidade menor, nem maior. Estamos todos ferrados.

Seres humanos são extremamente adaptáveis. A gente se acostuma com a miséria, com a poluição, com relacionamentos abusivos e trabalhos sem sentido. Estamos nos acostumando até com nosso iminente fim, como espécie.

A gente se adapta e topa a corrida dos ratos em busca de mais dinheiro para satisfazer nossas necessidades mais fúteis e efêmeras.

Tentamos nos desconectar ainda mais dos outros, dos problemas, do que não gostamos, através do consumo e das pequenas injeções de dopamina.

Talvez, só talvez, a gente vai ter que chegar no fundo do poço para tomar atitudes mais concretas.

Porque no desespero a gente apela para a conexão.

É aí que a gente chama a mãe, Deus, Gaia, quem for.

O único caminho para nos salvar em qualquer situação de morte próxima é a conexão.

É a abertura e entrega à vida que nos acolhe.

É a certeza de que somos um neste planeta.