Um dia inesquecível

Como as coisas são, não é mesmo?

Escrevo de Porto Alegre. Ontem, lançamos 333 Páginas Para Tirar Seu Projeto do Papel na 64ª Feira do Livro.

Eu nunca imaginei que isso pudesse acontecer. Parece papinho. Já ouvi isso de outras pessoas. Mas agora estou entendendo, me deixe explicar.

Tinham pessoas incríveis da Editora Belas Letras, gente que faz contato, contrato, que edita, distribui, carrega caixa, vêm de Caxias, dá sorrisos, gente que faz um baita esforço pra levar palavras pra outras pessoas.

Tinha Tiago Mattos (Just get it done), Gabriela Guerra (Juntas), Gabriel Gomes (333 Páginas), Luciano Braga (333 Páginas e O poder do tempo livre), Mari Pelli (minha companheira de vida), pessoas que eu amo de outros carnavais. E também Lau Patrón (71 Leões), Ana Cardoso (A mamãe é rock), Tito Gusmão (Papo de grana) e Caroline Cintra (Juntas), todos também autores, pessoas que passei a amar neste carnaval.

Pessoas admiráveis, sensíveis, com histórias de vida cheias de riquezas, vulnerabilidades e descobertas que viraram livros editados pela Belas Letras.

Tinha uma mesa pra gente falar com as pessoas e autografar. Uma coisa que me deixa sem graça, mas também muito grato pelo contato olho no olho, pelos agradecimentos, pela confiança.

Não é um baita voto de confiança alguém comprar um livro que a gente fez?

Como que isso pôde acontecer? Como a gente chegou neste ponto?

O Braga até tentou nos alertar:

- Vocês estão ligados que hoje será um dia inesquecível, né?

Não, eu não estava ligado mesmo.

Este dia não foi planejado, não por mim, não foi promessa de ano novo, nem pedido de aniversário.

Esses convites incríveis surgem fora da hora imaginada, mas de algum jeito sempre na hora certa. Parece que acontecem como consequência de uma série de pequenas decisões e aproximações que vão se desenrolando ao longo da vida.

Já escrevi aqui como conheci o Braga e o Gab, meus parceiros no 333 Páginas. Mas antes de escrevermos um livro juntos, a gente trocou muitos aprendizados, dividimos mesas e medos, descobrimos como nossas histórias eram parecidas, mas também únicas, passamos tempos nos dedicando às nossas coisas, duvidando delas, achando que não era bem isso, mas a gente foi fazendo, experimentando, errando e mudando.

E, um dia, a gente lançou um livro na Feira do Livro. Este é o dia que a gente vai se lembrar.

Todos os outros estão virando um purê de memórias. São dias comuns, com louça pra lavar, boleto pra pagar e trabalho pra entregar. Um grande bloco de coisas que vão acontecendo, que não parecem nos levar a lugar algum.

Não poderia imaginar escrever um livro que estaria nas livrarias, nem que teria gente que curtisse de verdade, até começar a fazer algo real por isso.

A gente vai fazendo com generosidade, tentando pôr pra fora o que acredita, aceitando quem a gente é, apesar de todas as dores. E, um dia, acontece um dia inesquecível.