Se aproprie da sua história. E mude a história.

É férias. Mas este blog não para. Nas próximas semanas, publicarei alguns textos que não escrevi. Grato por mais este ano. Seguimos conectados.


Se aproprie da sua história. E mude a história.

Por Brené Brown

Quando negamos nossas histórias, elas nos definem.

Quando nos apropriamos das nossas histórias, começamos a escrever um novo e corajoso final.

Eu sei que é verdade. Posso ter aprendido como pesquisadora, mas vivo essa verdade como filha, parceira, líder, irmã, mãe e amiga. Quando somos feridos ou fingimos que a luta não existe, a dor e a luta nos dominam.

Eu aprendi que escrever um novo e corajoso final em nossas vidas pessoais significa:

1. Não podemos suavizar sentimentos que machucam em nossas famílias. É muito fácil para a dor estocada se transformar em raiva, ressentimento e isolamento. Devemos falar sobre isso. Mesmo quando não queremos. Mesmo quando estamos cansados.

2. Não podemos fingir que nossas histórias familiares de problemas com dependência ou saúde mental não existem, se nossa esperança é escrever uma nova história e transmitir esse legado de honestidade e saúde emocional a nossos filhos.

3. Devemos nos apropriar dos nossos fracassos e erros para que possamos aprender e crescer. É difícil, mas eu vi como isso pode se tornar parte de uma família, de culturas organizacionais e liberar inovação e criatividade. Não é confortável, mas coragem raramente é.

Nos apropriar de nossas histórias é encarar nossas verdades. É transformador em nossa vida pessoal, profissional e também é fundamental em nossas vidas em comunidade. Mas não pensamos na história como nossa história coletiva.

Até encontrarmos uma maneira de nos apropriar das nossas histórias coletivas sobre o racismo neste país, nossa história e suas dores nos possuirão.

Não vamos nos afastar da violência e do desgosto. O medo e a escassez continuarão a atropelar nosso país. Sim, a violência em Charleston também é sobre o acesso a armas e, mais do que provavelmente, doenças mentais. Mas também é sobre raça.

Nossas histórias coletivas de raça nos EUA não são fáceis de serem apropriadas. São histórias de escravidão, violência e desumanização sistêmica. Teremos que escolher a coragem sobre o conforto. Teremos que sentir nosso caminho através da vergonha e da tristeza. Vamos ter que ouvir. Teremos que desafiar nossa resistência e nossa defensividade.

Temos que continuar ouvindo mesmo quando queremos gritar: “Eu não sou assim. Isso não é culpa minha!”

Temos que examinar e nos apropriar de estereótipos e preconceitos. Cada um de nós tem eles. Vai ser difícil.

Precisamos nos sentar com nossos filhos e conversar sobre privilégios. Isso significa ter conversas honestas sobre como fomos criados e o que precisamos trabalhar. Sem culpar ou envergonhar, mas encarando a verdade. Não é produtivo negar o quanto trabalhamos pelo que temos, mas não é sincero negar que muitos de nós têm privilégios com base em quem somos e como somos.

Essas conversas irão parar com crimes violentos de ódio? Ninguém sabe ao certo, mas não devemos subestimar o poder do amor e da verdade.

Isso não é maior que nós. Estes somos nós.

Sim, precisamos ter um milhão de histórias dolorosas de discriminação e preconceito, fazer milhões de mudanças e ter espaço para um milhão de conversas difíceis. Mas, se cada um de nós pode se apropriar de uma história, fazer uma mudança e ter uma conversa honesta, ouvindo mais do que defendendo, ou oferecendo um falso conforto - podemos fazer isso. Existe uma maneira de escrever um novo e corajoso final para uma das histórias mais dolorosas de nossa história. O que resta descobrir é se temos a vontade e a coragem.

Eu acredito que nós temos.